A Perfeição Imperfeita: Quando me arrisco, a vida me apresenta novos destinos.

Helena em Harvard

Helena em Harvard

Poucos momentos na vida eu me vi diante uma encruzilhada cheia de opções, assim como eu me encontrei pela primeira vez diante da linha verde do metrô de Boston.. cheia de opções e ainda sem saber qual caminho eu gostaria de seguir.

Se tem uma coisa que eu aprendi nesses 40 dias da minha experiência carmesim, ou meu período em Harvard, é que nossas escolhas não são feitas por acaso, no entanto o acaso pode nos apresentar novas opções e caminhos para que nossas escolhas sejam mais definidas e acertadas.

A gente precisa aprender a dar chance ao mundo, à nossa voz, a gente precisa aprender que quando algo aparece repetidas vezes no mesmo dia é sim um sinal! Porque se estamos atentos à algo que aparece de forma repetida, estamos na verdade refletindo sobre o que nos faltava.


Às vezes eu começo a escrever e tenho a sensação de que não consigo expressar o que de fato está na minha cabeça há dias. Pois bem, o mesmo acontece com a nossa percepção dos fatos, acasos e os “tais sinais” trazidos pelo universo. Acredite, se algo está “aparecendo” no mesmo dia e de diversas vezes sob diferentes formas é porque você de forma inconsciente está se ajudando a pensar em algo que está lá no fundo da sua cabeça.

Ontem, por exemplo, eu recebi diferentes “sinais” e ao invés de me sentir perdida como me senti na linha verde do metrô, eu passei a ligar os pontos e tentar entender porque aquilo estava se apresentando daquela forma. Sabe quando alguém no CSI descobre algo porque olhou no canto de uma foto? Pois bem, ninguém é CSI, mas se fizermos um esforço é possível recuperar tudo que vínhamos pensando há muito tempo. A vida é tão cheia de surpresas, mas ao mesmo tempo estamos tão atribulados que não percebemos coisas que deixamos para trás por conta da falta de tempo.

Na minha lista de eventos desse mês, existem duas discussões em chama: O que realmente importa? E a outra: O que você está fazendo da sua vida?

Confesso que só de ler essas perguntas já me vejo diante dos vagões verdes sem ainda saber qual caminho seguir no dia que eu escolhi ser espontânea e sai andando por aí. Sempre fui muito controladora quanto ao tempo. Sempre fui muito planejada e nunca dei espaço para a espontaneidade dos fatos. Acontece que quando algo espontâneo acontecia eu me assustava e fugia ao invés de me perguntar como aquilo poderia se encaixar na minha vida.

A verdade é que a gente passa a vida inteira esperando pelo perfeito e esquece que a vida acontece na sua imperfeição. Num grupo esses dias vi uma discussão sobre “coisas que eu nunca quis para mim apesar de ser algo de desejo ‘geral’” , e muitas pessoas comentando: eu nunca quis casar de véu e grinalda mas casei, ou então: eu nunca quis ter um carro mas sou dependente do meu… outras disseram: eu nunca quis viajar para lugar tal e hoje moro nesse mesmo lugar.

Ao invés de afastar as coisas imperfeitas ou reconhecer sua imperfeição como na verdade perfeição de forma tardia, eu sugiro que a gente exercite se dar a chance de pegar o metrô errado. Seja porque você errou a plataforma inconscientemente ou porque você quis ser espontânea e embarcar numa aventura, porque você quis se jogar e ver onde iria parar … ou porque você simplesmente achou que aquele era o certo. Por mais que a gente pesquise, se programe e aja em prol de algo,  às vezes pode acontecer da gente errar, ou não dar certo. A gente não faz ideia das grandes aventuras que deixam de acontecer porque nós nos impedimos.

Eu deveria pegar o trem C, mas estou cogitando pegar o D só por via das dúvidas. Arriscar, mesmo sabendo o caminho também pode ser maravilhoso. Espero que você também perceba isso, e melhor ainda: a tempo de fazer a escolha imperfeita e entender que ela também leva a um tipo de perfeição.