A sua Profissão Mudou a Forma que você faz Compras?

Meu primeiro emprego com moda foi no extinto e-closet. Eu trabalhava no e-closet kids, que na época era tocado pela Camila Espinosa, sócia da Giovanna Motta, mas isso não me impedia de espiar o que chegava para o e-closet. Era o primeiro e-commerce de moda premium do Brasil, nos primeiros dias achava o estoque um oásis.

Foi a primeira vez que trabalhei nos bastidores da indústria da moda, via as peças antes que todo mundo pudesse comprá-las e exatamente por isso, elas perdiam muito como desejo. Lembro de ver pilhas de camisetas das marcas que eu mais gostava chegando empacotadas, empilhadas e embaladas em saquinhos, sem charme, sem cheirinho, sem composição, eram só peças de roupas.

Quando fui trabalhar na Dafiti, que a oferta de marcas era completamente diferente, o impacto foi infinitamente maior. Uma tarde no centro de distribuição de um e-commerce como a Dafiti faz você repensar todo seu histórico de compras e questionar bastante sobre a indústria da moda. Pensa em pilhas e pilhas de calças, shorts, vestidos (a categoria de produtos mais vendida), blusas e milhares de pares de sapatos.

Mas socialmente a moda é poderosa, consegue fazer a gente sentir várias coisas ao mesmo tempo. O jeito mais fácil de fit in, ainda que superficialmente e provavelmente bem burramente, é comprando a mesma coisa que aquele grupo que você quer fazer parte tem. Julgamentos a parte, mesmo entrando em contato com esses produtos em um contexto equivalente a prateleira de alface em supermercado de orgânicos, algumas coisas ainda me deixavam com um desejo curioso. Acho que meu desejo de consumo nesse periodo era cíclico, tinha fases em que eu queria comprar e ser a primeira a usar a estampa nova da coleção da Cris Barros e fases que não tinha vontade nenhuma de consumir. Trabalhar com aqueles produtos, quebrar a cabeça fazendo campanhas para criar desejo nas outras pessoas esgotava com todo meu potencial de consumidora.

Hoje eu entro em contato com produtos incríveis todos os dias por causa do Lolla. Ando com uma obsessão por descobrir coisas clássicas com um twist cool que ainda não foram descobertas por todo mundo. Mas hoje namoro por dias, semanas, meses e em alguns casos, anos antes de comprar alguma coisa. Preciso entender se é uma vontade momentânea ou se é um desejo perene que vai ficar por aqui por várias estações.

Eu culpo o Instagram por me dar vontade de ter estilos diferentes e acho que isso é sinal de uma falta de identidade minha. Me vi comprando um brinco gigante e colorido outro dia, que com certeza vou usar umas três vezes. Foi uma pequena traição ao meu estilo, sinto que fui ali flertar com outra personalidade, mas já voltei. O meu maior desafio é aprender admirar o que eu gosto sem comprar, como uma obra de arte.

Agora estou na missão de observar todos os meus looks e ver o que mais uso, questionar tudo que me arrependi de comprar, para consumir de forma mais consciente, inteligente, me vestir mais rápido e gastar menos dinheiro. Ter um estilo definido, um signature style, passa uma mensagem para o mundo. Eu detesto quando me arrependo de alguma compra, tem tanta coisa boas que gostaria de comprar, daquelas eternas, gastar dinheiro com empolgações momentâneas me parece desespero adolescente.

Eu adoraria saber como a sua profissão mudou a forma que você faz compras. Deixe um comentário, let's talk! 

Rosa Zaborowsky

Editor & Founder of thelolla.com and Mom of 3

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