Chegando em casa com os gêmeos

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gêmeos

Quando o Benjamin veio pra casa ele já tinha um mês e era um bebê mais grandinho, devia pesar uns 3.5kg. Eu não tinha experiência com bebê pequetito e o Phil e a Lella eram magrinhos. Nasceram super bem pra gêmeos, de 38 semanas e 2.5kg cada, mas pequenos para 38 semanas se fossem um bebê só.

Chegar em casa foi tenso. Eles tiveram alta do berçário antes que eu, na última noite ficaram no quarto com a gente e a Stella chorou a noite inteira. É nessas horas que a gente tem certeza que nunca mais vai ter uma noite de sono, acho que toda mãe sente esse desespero.

O Benjamin tinha ido no hospital todos os dias, a gente foi preparando ele para a chegada dos irmãos. Bom, isso era o que a gente achava. Ninguém prepara uma criatura de um ano e meio de vida para a chegada de dois bebês. Nem eu, nem o Marcos estavamos preparados, uma expectativa bem burra achar que ele estaria.

Os três primeiros dias foram tough. Eu ainda tava enfraquecida porque perdi muito sangue e o Ben me olhava com um olhar tão interrogativo, tipo “whats going on Mom?" E eu morria por dentro toda vez que meu olhar batia com o dele porque me achava tão injusta de criar essa angústia nele. Ele tão inocente e pequenininho, como eu podia fazer isso com ele? A cena que mais lembro é de estar amamentando um dos gêmeos, chorando, de pernas cruzadas com o Ben sentado na minha perna pulando de cavalinho. Malabarismo nível hard com um choro triste sendo que eu só tinha motivos pra ser feliz.

Essa culpa me acompanhou por uns três meses. Até eu conseguir organizar uma rotina na casa, das crianças, das meninas que me ajudam e de trabalho. Eu não parei de trabalhar. Nada muito hands on mas a responsabilidade era grande e não conseguia desligar 100% para focar nos gêmeos e no Ben. Isso me machuca um pouquinho ainda, acho que não precisava ter sido assim.

A verdade é que chegar em casa com um bebê ou dois bebês é um baita desafio e ninguém está preparado. Eu nunca fui muito de ler livros sobre gravidez e adotar essa monotemática nas minhas conversas, mas posso dizer que a verdade que mais se aproxima da loucura que é são os vídeos da Hel Mother que falam sobre maternidade real e lutam pelo fim da mothershaming. Se você está se preparando é a única coisa que recomendo ver nessa fase, para ser uma mãe melhor para o seu filho e para a comunidade de mães que você vai construir. Não seja você uma dessas hell mothers. Também leia esse livro: Criando Bebês. Ganhei do meu padrinho, fala sobre aquelas coisas que os bebês fazem que assustam a gente mas que são normais, tipo trocar de pele (?). Garanto que diminui a ansiedade.

Bom, aqui eram 16 mamadas e 16 trocas de fralda - no mínimo - por dia. Fora as do Ben, que ainda é um bebê. A demanda é puxada, mas de repente as coisas vão se encaixando. As cólicas se tornam menos frequentes ou incomodam menos porque você já sabe como lidar com aquilo e no fundo não tem muito o que fazer, só passa quando eles crescem.

Acho que o gerador do desespero é que você perde o controle sobre as tarefas mais básicas, tipo tomar banho. Não é mais a gente quem manda, eles definem a nossa rotina pelos primeiros meses, só depois o ciclo se inverte. E tudo que a gente lê e escuta quando engravida de gêmeos é que você tem que ter rotina, se não vai enlouquecer. Mas ninguém te conta que a rotina só se encaixa lá pelos 2/3 meses, então no começo você tem certeza que é um fracasso e que vai realmente enlouquecer.

Não quero assustar quem ainda não teve um baby, mas acho que ser sincera diminui as expectativas de toda mom to be. Amamentar pode ser super natural para algumas pessoas, para outras uma tarefa impossível. Parto normal não é o parto que você se sente uma “real mom”. Você vai se sentir uma “real mom” várias vezes na vida. As vezes com glamour e as vezes vai ser trágico, tipo quando seu filho sujar a sola do pé com cocô (isso acaba de acontecer, don’t ask me how).

Não caia em conversas que usem palavras definitivas e mandatórias. Follow your heart, tenho certeza que vai ser sempre a melhor saída para o seu baby e para você. As pessoas próximas querem ajudar, mas podem acabar te magoando ou te deixando irritada. Escute e absorva o que acha que faz sentido. E vale o mesmo pra você, tente não magoar ninguém.

Tudo passa.