Colette, Paris.

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A Colette, a loja mais cool, cheia de garimpos, mais democrática, com coisas que cabem em todos os bolsos e mais antenada do circuito fashion-music anunciou no Instagram da marca que vai fechar dia 20 de Dezembro. Eles não parecem estar indo mal, o faturamento de 2016 fechou em 28 milhões de Euros. Não dá pra saber porque eles não abrem os números, mas é expressivo pra uma marca de uma loja só e e-commerce (que representa 25% das vendas). Por outro lado, o ticket médio deve ser bem baixo. A moda e as jóias são bem caras, deve ter um giro bem baixo. Como business a Colette parecia ser muito mais uma vitrine, acho que é daí que vem a minha ideia de eu achava que quem comandava a loja era um grupo grande.

A Colette pra mim era um refúgio, um lugar pra ficar horas, olhando e mexendo em tudo. A minha parte preferida são as jóias. Amo ver e experimentar as mini joias, conhecer designers diferentes e pesquisar sobre eles ali na loja mesmo antes de decidir se eu comprava alguma coisa ou não. Passear pela loja era como uma experiência, deixava os livros por último pra poder curtir sem ansiedade. As roupas eu gostava de ver, só ver. Amo a maneira como eles expõem os manequins espalhados pelo segundo andar, como se estivessem em uma presentation do NY Fashion Week. Mas sempre achei tudo muito edgy pro meu estilo bem básico. Preferia me aventurar pelos acessórios e as vezes pelos sapatos. Tenho uma espadrille do Marc Jacobs que minha mãe me deu há uns 10 anos atrás que compramos juntas lá. Me lembro tanto desse dia!

Minha última compra na Colette foi um colarzinho pra minha irmã de aniversário, de uma designer francesa. Foi uma homenagem aos ataques de riso que a minha irmã costuma ter só porque lembrou de alguma coisa engraçada. Invejo essa capacidade de auto-entcretenimento. A questão aqui é onde mais eu compraria um colar gravado com "Rir Aux Éclats" que vem em um potinho que parece saleiro descartável de avião? Onde vamos achar esse tipo de achado? Todos os sites de moda especializados estão postando saudosos da Colette que celebra a moda, o fora do comum e o lado estranho do mundo fashion. Eu nunca me encantei por esse lado forçadamente excêntrico da moda,  eu gosto dos achados, dos garimpos, de reconhecer a criatividade de um designer nas coisinhas pequenas que ele faz, não gosto do mainstream.

Descobri hoje, depois de ir atrás de mais informações que a Colette era comandada por uma dupla de mãe e filha, que moravam em cima da loja! Sarah Andelmans e Colette Roussaux. Nunca imaginei algo tão provinciano e tão down to business, retail mesmo. Eu sempre achei que tinha um grupo gigante por trás, comandando aquilo na ponta do lápis, mas ainda com uma liberdade criativa gigantesca. A Colette foi o lugar escolhido pela Apple na Europa inteira para o lançamento do Apple Watch, eles tem parceria com a Chanel. Essas marcas não fazem esse tipo de coisa.

Não vai dar pra saber o que aconteceu, segundo a Sarah, que comanda a loja junto a mãe, Colette - mama cansou. A Vogue BR especula que a própria Sarah deixou de acreditar no conceito de loja multimarca, que agora é a vez do ecommerce. Eu senti uma certa malícia nessa nota que saiu no Instagram da Vogue, meio de mal gosto. Acho que a Colette é a maior prova contrária disso. A Colette era um destino, uma atração turística, um selo de coolness, uma vitrine, várias coisas juntas... Agora preciso dar um jeito de ir pra Paris pra me despedir.