Eu não conto países, conto experiências.

Image credits: Pinterest

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Hoje vi um casal dançar no metrô. Eles não se importavam com quem estava ali, eles apenas dançavam como se estivessem à sós. Eu me pergunto quantas pessoas se permitem dançar em um espaço fechado... confesso que tive uma invejinha branca daquele momento que se passou em câmera lenta diante dos meus olhos, porque era assim mesmo que eles dançavam... em câmera lenta. Quantas vezes vc já dançou com alguém sem se preocupar com o mundo? Quantas vezes vc já dançou junto? E sozinho?

Adquiri o hábito de voltar de Harvard ouvindo música à noite. Geralmente quando está frio e eu perdi o shuttle das 10pm, coloco minha playlist do celular e volto cantando baixinho. As vezes venho sorrindo, as vezes dou até uma dançadinha.

Poucas vezes me permito ser repetitiva na vida, mas assumo que sempre sou quando o assunto é experiência... afinal quantas vezes vamos viver?

Eu não acredito em reencarnação, pra mim a resposta é uma. Além disso, a vida não  é uma competição sobre quanto cada um ganhou, quantos países visitou, se teve peso ideal ou guarda roupa perfeito. A vida é sobre como nós escolhemos viver e não cabe aqui julgar ninguém por suas escolhas, só cabe a nós vivê-la da melhor forma possível e da maneira como escolhemos viver.

Eu tenho muito apreço pela minha vida, pelas minhas experiências e pelas pessoas e momentos que vivo. Dou me licença para não conviver com quem Eu não gosto simplesmente porque eu sei que o que eu vou levar são as memórias boas do que eu vivi, sendo assim, melhor viver com quem vai transformar qualquer momento em algo imortal. Um riso sem graça num sorriso grande. Uma piada ridícula em gargalhada, porque é tão ruim que a gente acaba rindo disso junto.

Eu sempre escolhi as pessoas em troca de algo. Explico, na Índia troquei ir ao Himalaias para ter um último dia com os meus amigos. Hoje, aqui nos Estados Unidos, troquei uma ida à um espetáculo por uma noite com amigos. Na Grécia troquei uma ida à uma praia badalada por um almoço maravilhoso com a minha mãe à beira mar. Tenho a tradição de deixar coisas para trás (deixar de visitar algum lugar, por ex.) para quando eu voltar naquele destino. Sabe, os lugares permanecem. Óbvio que eles não são imutáveis e podem sofrer alterações... mas as pessoas não. As pessoas entram e saem de nossas vidas num minuto.

Minha professora de espanhol me disse uma vez que cidadãos do mundo pagam um preço muito alto em troca da vida que escolhem ter: eles nunca tem os amigos por perto por muito tempo. Prova disso são meus amigos que sempre estão de partida. Aqueles amigos com os quais estabeleço uma conexão instantânea ... são eles que logo avisam que irão partir. E eu sempre me pergunto: o que vale mais ? Um ida naquele museu, uma volta naquela praça ou a companhia daquele amigo uma última vez ?

Volto então ao casal que dançava no metrô. Quanto tempo será que vai durar aquela memória? Será que contarão aos netos? Minhas histórias preferidas de viagens incluem pessoas. Não são sobre momentos nos quais eu sentei e observei algo acontecer e sim quando interagi com alguém, seja por projeto do acaso ou destino. A gente nunca sabe o que pode mudar a nossa vida para sempre. Às vezes é uma palavra proferida por alguém que vc esbarrou na rua, ou em qualquer outro lugar. Um encontro. Uma palavra. Um gesto. Um sorriso.

Comentei sobre isso com amigos hoje e me indagaram sobre o amor é o q eu esperava dele vivendo uma vida como a minha.... uma vez que todos consideram meu amor pela mesma com tamanha profundidade, então eu disse: eu terei a certeza de que quando eu encontrar a pessoa certa (e se assim tiver de ser) ele fará um pedido simples, de última hora... sem anel, nem texto ensaiado. Natural. De improviso, num domingo de manhã ou no aeroporto antes de partir. Porque a vida é assim..  a gente entende que um lugar pode ser uma pessoa, a nossa casa também. E eu, sendo urbanista, vou contradizer tudo dizendo isso... mas é a verdade. E aqui repito: não importam quantos países eu visitei, quantas cidades vivi, quantos lugares passei. O que importa são as pessoas que conheci, as mensagens que recebi e as conexões que vivi.

Porque o tempo que passa não volta, infelizmente. Saibamos aproveitá-lo ao máximo.



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