Girl Crush: Natalie Massenet, Founder do Net-A-Porter

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A minha maior girl crush é pela Natalie Massenet, founder do Net-A-Porter, o maior e-commerce de moda high end do mundo. Acho a história dela como empreendedora tão vida real e possível ao mesmo tempo que tem uma coisa que te distancia, nível Vogue America e Anna Wintour, acho que pelo business ser surrealmente incrível.

Pra quem curte a moda comercial (os produtos que estão a venda que é o que me interessa, toda a parte aspiracional, criativa e pesada da moda eu tenho um pouco de preguiça), tecnologia e empreendedorismo, saber um pouco mais sobre como ela começou, em que momento da vida pessoal ela tava e quais os passos que ela deu até construir um gigante que em 2015 entregou mais 7 milhões de pedidos pelo mundo depois da fusão com o Yoox (outro grupo de ecommerce fashionista poderoso da Itália) é super inspirador.

Eu tirei as informações pra esse post da 032c, uma revista de Berlim que fala de moda e de arte publicada duas vezes por ano, que fez uma entrevista com a Natalie em Agosto de 2014, um ano antes dela sair do Net-A-Porter.

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A Natalie se formou em Inglês na UCLA e sempre quis trabalhar em uma revista de moda. O primeiro emprego dela foi com 25 anos em uma revista de moda italiana em LA, mas o que ela queria mesmo era a W ou a Vogue America. O primeiro dream job dela como disse na entrevista foi no WWD como West Coast Editor, cobrindo tudo que rolava na cena fashionista da California: Hollywood, celebrities, festas e o mercado de moda.  Pra quem não conhece o Women's Wear Daily (WWD) é o maior veículo especializado em fashion business do mundo, cobrindo tudo sobre moda, varejo e tendências.

Mas super focada no real dream job dela na W ou na Vogue, ela decidiu ir pra Londres porque se deu conta de que vários Editores das revistas que ela queria trabalhar que iam pra NY ocupar esses cargos eram de Londres - Anna Wintour feelings. Ela acabou ficando em Londres pra sempre. Depois de um emprego frustrante na revista Tatler, recém casada e grávida da primeira filha, ela fundou o Net-A-Porter. Era 1999, a internet ainda era um cenário meio obscuro pra todo mundo e nenhum varejista tradicional tinha arriscado vender pela internet. Naquela época praticamente só exista a Amazon e o E-bay.

O nome do business veio depois de uma pesquisa no dicionário de moda do WWD. Prêt-à-porter + Internet = Net-A-Porter, brilliant! Ela juntou 10 mil libras com alguns investidores que compraram a ideia e fez um business plan baseado em um modelo que o Barclays estava distribuindo pra quem queria empreender. Parece ter sido a coisa mais simples do mundo.

Era um mercado novo em que a maior barreira de entrada era convencer as marcas de que a ideia era boa e que ela cuidaria de perto de todo o processo para que a experiência do consumidor com marcas high end do prêt-à-porter não prejudicasse as marcas. A estética da marca foi definida lá atrás e permanece a mesma até hoje, preta e branca. Todas as entregas são feitas em uma caixa preta e os produtos embalados com papel de seda branco e fechadas com uma fita branca, lembra muitas as embalagens da Chanel, prontas pra presente.

O escritório do Net-A-Porter é um dos mais incríveis do mundo e tem o mesmo look and feel da marca, também é preto e branco - aqui nesse post eu falei sobre ele e sobre o escritório do The Intern, um filme sobre um e-commerce de moda.

Desde sempre e por toda a influência de conteúdo editorial da Natalie, a proposta do Net-A-Porter sempre foi atrelar conteúdo com e-commerce, como é hoje e Porter - revista impressa com conteúdo 100% à venda, que compete na banca com todas as revistas de moda do mundo. Os produtos que a gente encontra por lá são os que tem potencial pra virar conteúdo. Eles não colocam no site aquilo que não falariam se fossem só uma revista. Esse é o fluxo certo de fazer content commerce - os grandes varejistas de hoje insistem no contrário. Eu fui Editora Chefe da Dafiti Mag - a revista de moda da Dafiti. Nosso maior desafio era gerar conteúdo em cima de produtos que focavam 100% em conversão e tinham pouco apelo de moda, no fim era um catálogo impresso disfarçado de revista, bem frustrante.

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Os melhores momentos da entrevista com a Natalie Massenet

Quando você lançou o Net-A-Porter? 

1999

Quando você vendeu?

2010

Por quanto? 

350 milhões de Libras

Quantas horas por dia você trabalha? 

Normalmente eu chego as 9h30 a.m. e fico até 7h30 p.m. As 10 p.m. eu lido com os e-mails por uma ou duas horas.

Quantos dias por semana você trabalha? 

De segunda a sexta. Sou muito boa em não trabalhar aos finais de semana.

Quantos feriados por ano? 

Natal, Páscoa e tiro o mês todo de Agosto. Eu preciso passar algum tempo com as crianças.

Closets?

Um.

Relógios? 

Um, é um Cartier. Comprei um pra mim e um pra cada executivo senior pra comemorar quando vendemos o Net-A-Porter ao Richemont Group.

Bolsas? 

Um monte. Eu organizo elas por totes, shoulder bags, shopping bags, clutches, evening bags, weekend bags, chain bags e por aí vai. (me recuso a traduzir o estilo das bolsas pro português e não sei porque inventaram que tem que ser traduzido. É horrível falar "bolsa a tiracolo" - não sei nem o que é isso).

Café?

Três por dia.

Amo fazer posts como esses porque aprendo muito! Se alguém quiser saber mais sobre alguma empreendedora criativa, deixa nos comments que vou amar pesquisar.