Women Behind The Brand | Isa Kauffman, Accessories Assistant na Prada

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INTERVIEW – ISA KAUFFMAN ACCESSORIES ASSISTANT - PRADA

A #girlboss dessa entrevista é promessa internacional. Avant-garde, cheia de vontade e talentosíssima – a Isa Kauffman contou pro Style Beam como chegou ao beau monde da Prada e sua vida em Paris.

Name: Isa Kauffman

Age: 26

Location: Paris

Current Title/Company: Accessories Designer Ass. / Prada

Education:

MA Accessories Design no Institut Français de La Mode – Paris

FdA Designer Pattern-Cutter na London College of Fashion - Londres

BA Desenho de Moda na Faculdade Santa Marcelina – São Paulo BA Artes Plásticas na USP –São Paulo

Qual foi seu primeiro trabalho e como você conseguiu? 

Meu primeiro trabalho foi numa loja num shopping perto de casa. Eu odiava, achava um saco ter que ficar mentindo para as clientes falando que aquelas roupas horrorosas estavam bem nelas. Eu ia dormir no estoque atrás da parte de jeans masculino. Era péssimo (rs.) Porém meu primeiro trabalho fixo com moda foi em uma marca que se chamava Garoa (que infelizmente fechou em 2013). Foi um amigo meu que me indicou pra uma das donas, a artista plástica Mariana Tassinari e eu entrei como assistente dela pra fazer estamparia. Depois eu passei a trabalhar com a estilista sênior na coleção inteira. Foi uma época muito intensa da minha vida que eu aprendi muito. Tanto na marra quanto com amor.

Você sempre soube que ia trabalhar com moda? 

Sim e não (rs). Quando eu tinha uns 5, 6 anos, minha melhor amiga falou que ela queria ser estilista. Foi a primeira vez que eu ouvi da possibilidade de desenhar roupas como profissão e eu fiquei completamente apaixonada pela idéia. Eu cresci querendo ser estilista porém uma parte minha sempre foi, e é até hoje muito ligada as artes plásticas . Eu nunca vi separação entre moda e arte; até porque para mim sempre foi um príncipio de expressividade. Hoje eu trabalho com moda, mas em vários momentos da minha vida eu trabalhei com cinema, teatro e arte (muitas vezes simultaneamente). São diferentes canais de comunicação de como nos inserimos politicamente na sociedade. Eu nunca quis me limitar a nenhum campo porque eu sempre achei que se o discurso é relevante, ele pode ser exprimido de diferentes formas.

99% inspiração – 1% transpiração? 

Rs. Em certo ponto sim. Na maioria das vezes uma coisa aparece na minha cabeça, pode ser uma imagem abstrata, uma cor, ou um sentimento que eu quero traduzir pra um objeto real e aquilo fica no meu pensamento dias, de molho, crescendo. Se eu esqueço da idéia eu assumo que é meu tipo de seleção natural nessa realidade em que somos bombardeados por imagens o tempo todo. Se ela permanece, eu ponho no papel ou começo já a manipular umas formas com algum material. Claro que são mil tentativas até chegar num lugar interessante, funcional e relevante esteticamente, mas a maioria do processo é mental mesmo. Como você vê essa migração da demanda por luxo, de um luxo massificado, com logotipo para um luxo anônimo, exclusivo? O high-society cansou de uniformes?

Eu sinto que tem dois lados da migração pro luxo anônimo. Um, é que houve essa massificação no meio que consumimos a imagem do luxo e não necessariamente o produto em si—como perfumes, maquiagem, produtos direcionados para um público entry-level geram maior alcance e reprodução da marca, como em campanhas publicitárias em quase todas as revistas, sites e televisão. Fora a propaganda nas ruas que aqui em Paris é muito intensa. Pra todo o lugar que você olha, ali está o luxo. E o luxo é tudo, menos ordinário ou comum. Eu acho que ir na direção da exclusividade é a restauração do luxo como um produto restrito por excelência, inclusive no alcance da sua imagem. O segundo ponto, e esse eu digo por mim que também consumo produtos de luxo, é que hoje em dia, eu não tenho vontade de comprar um produto que seja o clássico repetido em toda coleção ou como um investimento. Eu tenho vontade de consumir moda criativa, contemporânea e que expresse não só a minha identidade mas a identidade criativa do estilista. Uma bolsa cheia de logo da Louis Vuitton ou Gucci não me diz absolutamente nada a não ser o medo de « sair de moda » daquele que a consome -- que no final é a coisa mais démodé do mundo. Acredito em designs atemporais, não tenho interesse em designs clássicos.

O fashion world se globalizou e democratizou. Paris ainda é a capital da moda? 

Ontem começou a Fashion Week aqui e é incrível como a cidade respira moda. Ninguém é indiferente ao que está acontecendo e os franceses principalmente entendem moda como uma instituição cultural em que o centro é Paris. Obviamente isso não é inteiramente verdade, mas eu acredito que enquanto a população entender moda dessa maneira, e continuar a legitimar a importância da indústria para a cultura e economia do país , Paris sempre será um terreno fértil para novos criadores e grandes maisons.

A Prada está em todo lugar e as bolsas são must-have absoluto, entre a mulherada de 15 à 90 anos. Em quem você pensa na hora de criar? 

Como eu faço parte do time que cria as bolsas dos desfiles, a gente sempre tenta pegar referencias estéticas de arte, design e arquitetura para criar algo que ainda não faz parte de um repertório de moda já existente. Depois tem muita pesquisa de bolsas vintages para idéias de detalhes na construção e acabamento. Mas a mentalidade está sempre voltada para a mesma tríade de inspiração : funcionalidade, estética e air du temps. (esse último é a idéia de percepção do comportamento coletivo contemporâneo)

Conta pra gente como é sua rotina?

Basicamente começa comigo acordando atrasada, me arrependendo de ter apertado o botão da soneca e termina com uma taça de vinho e um cigarro. Paris é uma cidade que te permite ter o inesperado na sua rotina ; a cidade é pequena, sempre tem algo rolando, e é muito fácil de se locomover. Então fora acordar atrasada, trabalho e vinho, o resto é supresa.

Que conselho você daria para a sua 19 year old self? 

Tenho dois pra Isa de 19, mas que valem pra sempre .

«Não respeite quem te diz o que você tem que fazer, sentir ou ser.»

«Não faça nenhum piercing numa tarde de terça-feira na galeria do Rock sob a influência de álcool.»

 

#GIRLBOSS OFF

Melhor lugar em Paris pra desconectar e recarregar as energias?

Descer de Jaurès a Bastille de bicicleta.

Favorit emoji  ??

O da explosão, (e o do cocô sorrindo é claro.)

Krug flûte ou double Macallan ?

Double Macallan always and forever <3 .