How do You Zara? An Anthropological Study

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Zara vai abrir ecommerce no Brasil dia 20 de março. Não sei como isso vai mudar a minha relação com a marca e as minhas idas ao shopping, mas de fato vai. Eu assumo várias personalidades e maneiras de comprar na Zara, depende do meu humor, do que estou lendo no momento e de como anda meu consumismo. Faz uns três anos que comecei a analisar meus hábitos de compra porque estava incomodada com a ansiedade que eu tinha antes de comprar alguma coisa especial que eu queria muito. Não queria deixar que apenas ser dona de alguma coisa, queime meus neurônios e contribua para meu stress, falta de sono, irritabilidade e falta de foco.

Comecei a fazer uma espécie de estudo antropológico com a Zara. Eu acabo indo em algum shopping uma vez por semana para almoçar/jantar/reunião ou acompanhar meu marido nas lojas (nada empolgante, apenas prático) e sempre dou uma passada na Zara pra ver o que chegou. Antes, só de entrar, acabava comprando algo que gostava. Ou, ia na Zara com um objetivo: vi alguém usando alguma coisa que eu instantaneamente queria. Normalmente essas compras dão errado.

Todas essas peças, que comprei porque vi alguém conhecido usando, foram parar nas caixas Marie Kondo no detox que fiz em casa em janeiro. Comprar porque vi em alguém usando é o pior trigger para os meus hábitos de consumo. Isso só funciona pra mim se for alguma coisa que eu já estava de olho, querendo algo parecido e dou de cara com alguém usando o que eu tava imaginando e não sabia que existia. Daí posso comprar sem medo, não vou usar uma ou duas vezes. De fato eu quero a peça e não me sentir parecida com a pessoa que estava usando quando me deu vontade de comprar, entende a diferença?

Outro dia parei uma menina em uma banca pra perguntar da saia de veludo cotelê dela. Guess what? Zara. Em minha defesa, estou obcecada por looks em veludo cotelê, especialmente esse conjunto de calça e blazer rosa da Isabel Marant. Desde então, entro na Zara todos as semanas atrás dessa bendita saia, que eu não sei se vai chegar.

As vezes entro na Zara e sinto que não estou no mood pra comprar, quando eu não tenho aquela coceirinha que me dá vontade de fato de encarar a fila ou quando eu não vou em busca de algo específico, sei que vou me arrepender se comprar uma presilha de cabelo. Aquela ansiedade de me arrepender do que eu não comprei não me deixa mais tão aflita, até porque eu sei que posso conseguir algo parecido na próxima semana e por aí vai.

De fato a loja onde eu mais consumo é a Zara. Tenho mixed feelings. Fico feliz por gastar menos e me sentido mal por gastar menos. Sempre questiono minhas amigas pra entender como elas se sentem comprando fast fashion, talvez dividindo a minha culpa ela diminui um pouco? Um dia no chat room do Lolla, a Beta deu algumas notícias aliviadoras sobre a Zara ter assinado termos de responsabilidade pela fabricação no Brasil, o que diminui os riscos locais da gente comprar uma mercadoria de produção questionável.

Vamos ser honestas. Onde a gente conseguiria preencher aquela vontade de ter algo muito legal sem quebrar o banco? Talvez esperar mais da cadeia produtiva e da indústria da moda brasileira para que ela possa produzir um volume maior, de peças trendy sem esbarrar nos mínimos que seguram as marcas definitivamente trendy de quebrarem?

Comprar roupa no Brasil, nas marcas tradicionais virou comprometimento. Você desembolsa um montante de dinheiro pornográfico para montar menos de um look completo. Existem milhares de opções de marcas novas, thank god. Mas como elas estão pulverizadas, e na maioria das vezes a gente só encontra online ou em eventos, elas perdem para a praticidade.

Uma multimarcas, que venda só marcas autorais, garimpadas, com preço honesto e produção idem, não consegue competir de igual para igual com as gigantes do varejo de moda que ganham no volume com margens pequenas. Sinto muita falta de um shopping back up um projeto como esse. Sem o apoio e o interesse de um centro de compras prático, o consumo vai continuar pulverizado, as "marquinhas de Instagram" como a gente chama, vão fechando negócios de forma informal, pelo whats e DM's o que torna o mercado difícil de competir para quem tem loja e paga aluguel.

Meanwhile, I will keep shopping at Zara.

O que você pensa sobre isso? Vamos debater nos comentários.