Interview: Mona Sung, Editora de Arte da Editora Carbono

Eu e Mona Sung temos uma relação de troca de inspirações e encantamento pelo Instagram. De alguma forma, ela me transmite uma calma mesmo pela tela do celular. Ela tem um olhar feminino e deixa as coisinhas da vida mais mágicas. Me apaixonei pelo trabalho dela pelas páginas da revista Carbono, ela é Editora de Arte da Editora Carbono, da Lili Carneiro. As fotos da matéria são dela.

Q. Como começou a sua carreira?

Desde pequena, tive contato próximo com o material papel e sempre fui fascinada pelas possibilidades visuais sob essa superfície. Dobrava com cuidado sacolas e embalagens que apresentassem algum acabamento especial – um selinho dourado, por exemplo, já era motivo – e guardava como material de referência. Acredito que esse interesse pelo universo do impresso foi um dos fatores que me direcionou para o mercado editorial, que é onde atuo desde 2015, na Editora Carbono.

Q. Você sempre soube que teria um trabalho criativo?

Sempre. Meus pais são artistas plásticos, então estive inserida num ambiente não muito convencional desde que nasci: uma casa que servia como ateliê e pais que sempre estimularam a pensar fora da caixa – cederam até uma parede inteira da sala para que as filhas rabiscassem. O ambiente e a educação tiveram papel fundamental, mas acredito que as pessoas nascem com uma essência própria inclinada a várias particularidades. E, pelos meus interesses e percepção sobre as coisas, sempre soube/senti que eu não poderia atuar em outra área que não fosse a do criativo.

Q. Como você entrou para o time da Editora Carbono?

Em meio à demanda por estagiários para desenvolver posts para mídias sociais, fucei e fucei até encontrar uma vaga que envolvesse trabalho com o meio impresso. Sonhava em trabalhar, quem sabe um dia, numa editora. Um dia, achei a tal vaga. E, desde então, faço parte dessa equipe que tanto admiro.. hoje, formada por um time majoritariamente feminino! <3

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Q. Como é o dia a dia como diretora de arte de uma editora?

Aqui, na Carbono, o time é enxutíssimo. Sou responsável pelo desenvolvimento criativo/visual de todas as publicações. Intensidade acho que define.

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Q. O que você mais ama na sua rotina?

Dependendo do ponto de vista, um tanto da previsibilidade me agrada. Fora alguns eventos, sei mapear com tranquilidade como vai ser meu dia.

Q. E o que mais detesta?

Quando alguns processos já passam do estágio criativo, viram automático, e acabam fazendo parte da rotina. E o inevitável fato de tudo ser feito em frente à tela do computador – gostaria de circular mais...

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Q. Seria meio clichê perguntar "o que te inspira" porque eu imagino que seja tudo. Tem algum momento que você desliga o filtro?

Prende muito a minha atenção as pessoas e a natureza. O jeito de vestir de quem passa pela rua; o modo como as grampos estão presos com cuidado no cabelo da senhorinha no ônibus; gestos e vislumbres.. (Sou míope há pouco tempo, ando sem óculos e vejo as coisas de um jeito (e acho lindo) – até me aproximar e ver que era algo completamente diferente. Até esses “filtros” me servem de material de inspiração (rs)

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Q. No momento seu olhar está indo para onde?

Cada vez mais busco trabalhos que envolvam processos analógicos. E quero estar mais inserida no universo feminino – é onde me sinto entendida e em casa.

Q. Como é o seu processo de criação?

A minha expressão sempre tem origem no feminino e no delicado. A partir disso, adequo ao propósito do projeto em questão e adiciono robustez e mais impacto, por exemplo.

Depende muito do objetivo final, mas acabo, muitas vezes, recorrendo a memórias afetivas. O recorte para uma linguagem ou tema vem com naturalidade do universo feminino, referências da minha infância e imaginários do meu cotidiano.

Q. Ainda continua com as suas criações e desenhos?

As personagens gordinhas – que venho desenvolvendo desde os 13 anos – continuam sim (: Mas dei um tempo a elas para andar com outros projetos pessoais – Lolla saberá quando estiverem maduros <3

Q. Qual seu snack para dar energia no meio da tarde?

Comigo, comida é levada a sério demais (rs). Nunca como andando ou fazendo outra tarefa. Tem que ser o tempo de apreciar messsmo – até se for pipoca ou um punhado de castanhas. Então, por hábito mesmo, não tenho snacks ao longo do dia.

Pensando aqui.. Para mim, energia e calma no meio da tarde vem das xícaras de café. O foco, dos vários copos d’água.

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Q. Programa favorito para o fim-de-semana em São Paulo?

Não fico sem meus passeios solo. Pelo menos um dos dois dias tiro para isso.

Aprecio muito andar sozinha pelos cantos já sabidos de tanto que fui. Acabei criando uma coleção de itinerários preferidos pela cidade – escolho a direção de acordo com o tempo do dia, por exemplo.

Mas, certamente, um programa bem favorito é ir à feira: tem uma que adoro, em frente ao Mercado Municipal, e a de antiguidades da Pça. Dom Orione, aos domingos.

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Q. Qual foi sua última compra?

Última mesmo foi um rolo de barbante para amarrar pilhas de livros (rs).

Mas, de aquisição interessante mesmo, foi um porta sabonete prata, antigo, com relevo de duas cerejas.

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Q. O que tem na sua bolsa?

Sempre vai ter uma corzinha e um hidratante labial. A carteira que era da minha vó, o celular, pedaço qualquer de papel e uma caneta preta.

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Q. O que você está vestindo agora?

Sabia que hoje ia ser dia de resolver vários pepinos, então saí de casa com as bailarinas pretas nos pés. Camisa ¾ de cor caramelo por baixo do macacão jeans azul escuro, dobrado na barra e ligeiramente flare, que ganhei de uma amiga. De adornos, as peças que raramente tiro: corrente dourada com dois pingentes – um coração com cruz no meio e uma medalhinda com porco (meu signo chinês) – brincos de argola dourados e uma pulseirinha de cristais rosinhas em cada pulso.

Photography: Mona Sung

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