Interview: Suellen Gargantini, founder of SugarLab and travelholic

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Não, o Sugar Lab não tem nada a ver com uma fábrica de doces, é o nome da agência de marketing da Suellen. Acho que essa foi a sensação que eu tive quando conheci a Suellen, ela é surpreendente. Garota extremamente inteligente, curiosa, destemida e segura de sim.

Read her interview below

Q.

Conta um pouco sobre a SugarLab. O que vocês fazem?

A.

A agência completou dois anos agora em dezembro e tem o digital como foco das experiências que desenvolvemos. Nos definimos como uma agência que leva o resultado dos clientes do offline pro online. Somos fortes com o live marketing no varejo, mas também trabalhamos com marketing digital e marketing de influência, esses últimos serão nosso foco em 2019.

Q. 

Você sempre quis empreender? Como surgiu a SugarLab?

A.

Não. Empreender nunca foi meu sonho, aliás, sempre busquei me colocar no mercado de trabalho, na minha área, mas sempre trabalhando em outras empresas. Acredito que muito do que sei e aplico na agência hoje, vem das minhas experiências como colaboradora de outras corporações. Tive a oportunidade de trabalhar em um grande banco e aprendi muito sobre administração e gestão de pessoas, o que fazer e principalmente, o que não fazer. Mas verdade seja dita, nos meus dias mais difíceis eu sempre me imaginava em uma alta posição de liderança, só não sabia que seria da minha própria empresa. 

A SugarLab surgiu de uma decisão de mudança de carreira e de uma conversa com a minha irmã, que também é designer e estava de mudança pra outro país.

Q. 

A sua vida profissional hoje é bem diferente do que você tinha planejado (a Suellen queria ser piloto de avião). Como você migrou da ideia de pilotar avião para ser empreendedora e designer?

A.

Na verdade a vida me direcionou para este caminho. Quando saí do colégio eu tinha a certeza de que seria piloto de avião. Fiz todos os vestibulares possíveis para entrar nessa área e acabei cursando aviação civil por quase dois anos, quando descobri um problema no coração, que me impediria de ser bem sucedida nesta carreira. Foi então que tive que procurar outro curso, tentei fotografia aérea, pois ainda queria trabalhar nos ares. O curso não formou turma (acho que já só tinha eu querendo fazer! rs) e acabei entrando em design digital, minha segunda opção. Terminei a primeira faculdade e já entrei na segunda, de design gráfico. Desde então, nunca mais parei de estudar sobre comunicação e design.

Q. 

Como é seu dia a dia na SugarLab?

A.

Sou sempre a primeira chegar e a última a sair. Minha rotina é bem dinâmica, me divido entre eventos, fazendo pesquisa de mercado e reuniões com clientes. Nos dias mais tranquilos, fico na minha mesa fazendo orçamentos e aprovando materiais do planejamento de mídias por exemplo.

Q. 

A SugarLab tem uma estética linda. Qual foi a sua inspiração para criar a comunicação da agência?

A.

Essa resposta é um pouco curiosa, pois quando criei a identidade da agência eu não imaginava que ela tivesse o impacto que tem até hoje. Pensei na asa como ícone, pois ela representa o meu sonho de fazer dar certo. As cores, rosa e cinza foram escolhidas para representar o equilíbrio. O rosa é feminino, representa o nosso time, que é e sempre foi composto só por mulheres e o cinza veio pra fazer o contraponto, representar a força e a agressividade que precisamos ter para trabalhar em um mercado tão masculino.

Também trabalhei como fotógrafa por seis anos e tenho uma preocupação visual muito grande. Acredito que somos a principal vitrine dos nossos serviços, por isso pensamos em todos os detalhes de tudo que criamos internamente e também do que entregamos aos nossos clientes.

Q. 

A SugarLab trabalha com vários Shoppings Centers. Já que está acompanhando esse mercado de perto, qual você acha que vai ser o futuro dos grandes centros de compra? Eu sinto uma concorrência enorme frente a marcas pequenas, que começam pelo Instagram e tem uma identificação maior com o público. Você percebe isso também?

A.

Sim, percebo. Quanto maior a autenticidade da marca, maior a identificação com o público. Saber escolher e trabalhar em um nicho é muito importante hoje em dia e tem sido o grande diferencial dessas marcas menores. Os shoppings são grandes centros de compras e está na frente quem está se preocupando em oferecer mais comodidade aos clientes. Quanto mais serviços eles oferecem dentro do mesmo espaço, mais público eles atraem, pois as pessoas estão em busca de praticidade e otimização de tempo. Oferecer experiências diferenciadas também tem sido uma preocupação constante. Particularmente eu acredito que num futuro próximo, os espaços físicos serão transformados em lojas conceito que oferecem experiências de identificação com as marcas e as compras mesmo, em sua maioria, serão feitas digitalmente.

Q. 

E como as marcas menores podem se aproveitar desse movimento?

A.

Escolher um nicho e trabalhar focado nesse público. As pessoas estão buscando cada vez mais exclusividade e originalidade e as marcas menores conseguem desenvolver isso com mais facilidade. O marketing digital e de influência tem sido um ótimo aliado para alavancar essas marcas, sem contar no baixo custo e resultados mais assertivos.

Q. 

O seu mercado ainda tem um ambiente de diretoria muito masculino? Você sente que precisa se mostrar bem segura e forte na hora de negociar?

A.

As grandes agências ainda tem, em sua maioria, heads homens. Porém, quando falamos de nossos clientes, lidamos bastante com mulheres, mas isso é indiferente na hora das negociações. Temos que nos manter seguras do que estamos fazendo e oferecendo, independente de quem está nos recebendo. É extremamente importante se mostrar como autoridade no seu segmento, é preciso transmitir a segurança que os clientes precisam.

Q. 

Sente muito preconceito por ser mulher?

A.

Confesso que não. Acredito que saber se impor em momentos estratégicos ajuda bastante.

Q.

Como você se mantém atualizada? Tem dicas de algum curso para quem está empreendendo?

A.

Leio bastante e faço cursos constantemente. Na agência, assinamos todas as revistas dos nossos segmentos (todas tem acesso) e sempre buscamos ideias inovadoras no exterior, principalmente na Europa. Ministrei agora em dezembro o workshop de Branding Digital e Planejamento Estratégico para Marcas, com foco nas pequenas e médias empresas. Para 2019 estamos montando um calendário bem completo, com opções para ajudar quem quer empreender e cuidar do próprio negócio.

Suellen no Deserto do Atacama

Suellen no Deserto do Atacama

Q.  

Você já disse que hoje trabalha para viajar. As viagens fogem do convencional. Qual foi a viagem mais especial?

A.

Gostei bastante de conhecer a Noruega, estive lá no ano passado para o casamento da minha irmã e foi uma viagem bem especial. Mas a que mais me marcou foi o mochilão para o México em 2015. Atravessei o país inteiro em 26 dias só usando transporte terrestre. Foi intenso, mas foi incrível. O México é um país incrível!

Q. 

E qual foi a maior dor de cabeça que você já enfrentou em alguma viagem?

A.

Nesta mesma viagem pro México. Chegamos bem tarde em uma cidadezinha de montanha e não sabíamos que era feriado. Quase não haviam mais hospedagens e no nosso hostel, ninguém atendia para abrir a porta. Conclusão: ficamos rodando pela cidade com um taxista e parando em todos os hotéis que ele achava que ainda tinham vagas, para conseguir um lugar para passar a noite. Depois de quase duas horas, conseguimos nos instalar.

Q. 

Já viajou sozinha?

A.

Já sim. No ano passado eu fui ao Rock in Rio sozinha!

Q. 

Último livro que leu?

A.

A estrada te dá tudo que você precisa, da Mirella e do Rômulo, do canal Travel and Share. É uma mistura de viagem e empreendedorismo. Adorei e recomendo, e é super curtinho!

Q.

Próxima viagem?

A.

Fim do ano fomos as cidades históricas de Minas Gerais. Pro ano que vem Bélgica e Patagônia, por enquanto.