Is There Such a Thing as the Terrible Twos? A Master in Education Answer That Question

Life with twins

Life with twins

E então seu bebê fez dois anos, já está ficando grandinho e mais independente, finalmente tudo ficará mais fácil, você pensa. Mas aí começam as “birras”, as reações intempestivas e, muitas vezes, acompanhadas de certa agressividade!

Por que será que bebês que, até então eram tão doces, vinham no colo com sorriso no rosto, não se opunham a nenhuma ordem, agora dizem NÃO para tudo, se jogam no chão ou atiram coisas para conseguir o que querem?

“Ele está te manipulando” dizem uns “Quer te testar...seja firme!” dizem outros ou até mesmo “Na minha época umas boas palmadas resolveria!”. Nessas horas surgem pitacos de todos os lados, da mãe, da sogra, da vizinha e até do senhorzinho na fila da padaria. Mas será que é isso? Será que seu bebezinho repentinamente virou um tirano manipulador, que quer te constranger em público e tirar do sério? A resposta para isso é um grande e redondo NÃO.

“A terrível crise dos 2 anos” ou “Adolescência do bebê” são algumas das formas que nós, adultos, comumente nos referimos a essa fase de desenvolvimento da criança bem pequena, que pode começar por volta de um ano e meio e ir até os três anos. Mas o que essa fase tem de tão terrible?

A verdade é que a maioria dos adultos são muito injustos com as crianças que estão passando por esse momento, atribuímos à elas comportamentos e emoções (como serem manipuladoras ou desobedientes) que elas ainda não são capazes de dominar.

O cérebro do bebê não nasce pronto, ele vai se desenvolvendo por toda infância, entre as regiões cerebrais “inacabadas” está o Córtex Pré-Frontal, região cerebral responsável por organizar os pensamentos e o autocontrole, ou seja, a parte do cérebro responsável por controlar reações mais emotivas - para que a criança seja capaz de expressar suas emoções de maneira mais equilibrada - ainda não está formada aos dois anos de idade.

Para além das questões cerebrais em desenvolvimento, que dificultam a tarefa da criança pequena de se controlar e autogerir, é por volta dos dois anos que ela passa a perceber que tem vontade própria e gosto pessoal, descobre que é possível fazer algo diferente daquilo que o adulto propõe/ordena. Agora seu corpo, que antes era uma “máquina” a qual ele tinha pouco domínio, começa a agir de acordo com o seu desejo, é possível correr, pular, escalar...o desenvolvimento motor, o movimento livre da criança pequena é revolucionário para ela. Agora ela já entende que pode agir no mundo!  Se antes a hora do banho era um momento de relaxamento pré soneca, por exemplo, agora pode virar uma grande batalha entre mãe/pai e o bebê, que descobriu que pode correr pela casa como forma de negar a vontade dos pais.

Precisamos entender que este comportamento nada tem a ver com uma afronta, não é uma provocação ou algo do tipo, não é sobre você é sobre ELA! O seu bebê está apenas tentando provar pra ele mesmo que é capaz de escolher, de desejar, de “ser”. Agora ele começa a se expressar oralmente e com isso um mundo de possibilidades se abre, principalmente quando diz NÃO, a criança pequena descobre que ao negar a vontade do adulto este, automaticamente, passa a negociar com ela para conseguir convencê-la de fazer aquilo que ele quer. E isso também é revolucionário do ponto de vista da criança!

Atrás de todo comportamento existe uma necessidade. É preciso entender o que está por trás desse comportamento! Às vezes pode ser fisiológico - como fome, sono, cansaço - ou emocional - como medo, saudade, insegurança, raiva - mas seu filho ainda não consegue identificar e nem expressar o que sente. É preciso que saibamos reconhecer a necessidade da criança para que assim sejamos capazes de ajudá-la a entender o que sente e como agir.

Na relação entre os pais e o bebê é preciso lembrar o tempo todo, como um mantra, que “os adultos somos nós”, em um momento de fúria/desespero (que normalmente chamamos de “birra") os únicos capazes de apaziguar a situação somos nós, adultos! É nosso papel instrumentalizar a criança de dois anos para que ela desenvolva estratégias alternativas à reações inadequadas e exageradas.Alguma dica efetiva do que fazer nessas horas?


É preciso olhar para essa etapa do desenvolvimento como incredible ao invés terrible. O seu bebezinho que antes era tão doce, vinham no colo com sorriso no rosto, não se opunham a nenhuma ordem...está se transformando em um ser humano que deseja, que expressa vontades e que está em busca de seu lugar no mundo. E isso não é terrible é incredible!


Pedagoga pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Mestre em Educação e Sociedade pelo Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Morou em Dublin/Irlanda por três anos, onde atuou como professora de Educação Infantil e pôde ter contato com diferentes abordagens pedagógicas, entre elas a pedagogia montessoriana, com a qual se identifica bastante! Também morou em Lisboa onde cursou seu Mestrado, com uma pesquisa voltada à área da Antropologia da Infância. Feminista, vegetariana há mais de dez anos e apaixonada por gatos. Ama viajar, já viajou por alguns países da América do Sul, Europa e África e sua próxima meta será o Sudeste Asiático!

@gabriela_rampazo