Let's talk money! Porque a gente precisa aprender a colocar dinheiro na pauta

Andy Warhol

Andy Warhol

A conturbada relação entre mulheres e finanças – e sim, estreitá-la é mais fácil do que você imagina

Dinheiro é sinônimo de liberdade – principalmente para nós, mulheres. Ter uma reserva financeira te permite sair de um casamento infeliz, mudar de emprego, abrir um negócio, tirar um sabático e, o mais importante, fazer escolhas. Mas por que falar sobre dinheiro ainda é um tabu para nós?

Vários fatores – comportamentais, culturais, familiares, sociais e até religiosos – vêm interferindo, ao longo dos anos, nessa nossa relação com as finanças. Só pra resumir alguns deles: não nos achamos capazes e, por isso, delegamos essa gestão para alguém (marido, filhos, irmãos, etc.); guardamos um pouco e achamos que está tudo bem; gastamos mais do que ganhamos... e várias outras crenças que, muitas vezes, nem sabemos que temos e empacam nossa prosperidade. O saldo dessa equação é sempre negativo. E por isso que gestão financeira deveria estar na pauta de todas as mulheres, independente do quanto você ganha.

Aliás, uma mulher que ganha R$ 3 mil por mês e gasta R$ 2 mil é mais rica do que uma que ganha R$ 50 mil e gasta R$ 60 mil. Riqueza está relacionada com o que você gasta e poupa, e não com o quanto ganha. Outro conceito importante: poupar é diferente de investir. Investir é multiplicar; hoje há opções de investimentos a partir de R$ 1 por dia, em aplicativos simples e confiáveis.

Você já tentou ler algo sobre investimentos? Geralmente a gente se sente meio idiota. Essa linguagem técnica que encontramos de forma padronizada nos afasta ainda mais desse assunto tão importante pra nossa vida. Trabalhei por alguns anos em banco e, mesmo assim, saber escolher um bom investimento além da poupança parecia algo impossível pra mim. Até que fui a um evento chamado “Meu dinheiro, minhas regras”, feito por e para mulheres. E esse dia foi um divisor de águas: saí de lá não só disposta a fazer a gestão das minhas finanças de forma mais inteligente como animada com todas as perspectivas que isso me traria.  

Nós pensamos o dinheiro de forma diferente; nosso mindset é outro. Achamos, por exemplo, que sempre teremos alguém para cuidar da gente e do nosso dinheiro ou da falta dele (pai, marido e filhos, por exemplo). Ou que somos incapazes de aprender, por isso é melhor delegar. Ou, como no meu caso, que sucesso profissional é sinônimo de não ter qualidade de vida, por isso não queria ganhar mais. Parece loucura, né?

Quando me dei conta de todas as crenças que eu tinha sobre esse tema (até religiosas, por conta da minha formação católica - quem não lembra daquela frase “é mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no reino dos céus”?) comecei a pesquisar conteúdos específicos sobre dinheiro para mulheres. Queria descobrir e entender esses meus comportamentos. Já existem hoje movimentos e profissionais dedicados a produzir conteúdos exclusivos para nós, abordando as nossas necessidades, nosso modelo de vida, nossos desafios.

Comecei lendo “Ganhar, Gastar, Investir – o livro do dinheiro para mulheres”, da incrível Denise Damiani. É acessível e, de forma didática, traz todos os conceitos para que você administre seu dinheiro com confiança desde o princípio, porque o mais difícil é realmente saber por onde começar. Eu, por exemplo, descobri que meus dois maiores problemas eram: gastar demais com pequenos prazeres (achava que estava sendo super econômica comprando só na Zara, por exemplo. Mas comprar 20 peças em um mês representa um valor considerável na fatura do cartão… assim como revistas, maquiagem e outros gastos baixos que, quando somados, ficam altos). E o outro foi perceber que, se eu não guardar dinheiro no começo do mês, no final eu não vou mais tê-lo. Ao descobrir o que me incomodava, consegui traçar um plano para mudar esse padrão.

Existem milhares de grupos na internet e de perfis nas redes sociais que também discutem essa nossa relação com dinheiro de uma forma inteligente e acessível. No Facebook tem o “Sovinas – Mulheres que Investem”; no Instagram, há vários como o @invistacomoumagarota e o @femme.economicus. Ambos trazem inclusive dicas de eventos gratuitos – recentemente participei de dois e foram experiências super ricas (literalmente! Rs). Nessas experiências eu realmente entendo o significado da palavra sororidade. São mulheres que trabalham no mercado financeiro, como a Luciana Seabra, da Empiricus, compartilhando conhecimento com um único objetivo: estimular a nossa liberdade financeira. São palestras seguidas de rodas de conversas, com as especialistas tirando dúvidas e nos orientando. Uma verdadeira aula prática e inspiradora!

Agora, em 2019, meu foco está em pensar na melhor forma de aproveitar o dinheiro para realizar os meus sonhos. E o seu? Já parou pra pensar em como seu dinheiro vai ajudá-la nas suas realizações?