Margaret Thatcher Foi Uma Mulher Super Complexa. Não Somos Todas?

Pensei, pensei e pensei mais um pouco sobre o que eu escreveria quando recebi a temática do mês: a mulher, a maternidade e o mito do work-life balance. Queria trazer o tema atrelado a Inglaterra e, claro, quando cheguei a essa conclusão, só um nome me veio a cabeça: Margaret Thatcher. 

Os dois lados da história de Margaret

Para muitos, The Iron Lady (A Dama de Ferro) não fez absolutamente nada para as mulheres. Pelo contrário, dentre suas ações ela congelou os benefícios infantis, acusou mães trabalhadoras de criar uma 'geração de creches' e durante todo o seu mandato nomeou apenas uma mulher para seu gabinete, sua amiga, Janet Young. Tampouco ela explorou tópicos como estupro, violência doméstica, discriminação, assédio e desigualdade sexual.  Thatcher definitivamente não gostava da palavra 'feminismo'. Em sua opinião, seu sexo sempre foi irrelevante, e costumava se irritar com pessoas que faziam muito alarde em torno disso. Quando questionada sobre 'igualdade de direitos', ela falava, 'nenhuma mulher deveria se elevar pelo mérito. Não deve haver discriminação'. Difícil engolir que ela não tenha encontrado qualidades de liderança em pelo menos uma mulher.  Quando perguntada sobre como se sentia em ser uma PM mulher, respondeu: "não faço ideia, querida, pois nunca experimentei a alternativa. Eu não cheguei aqui por ser uma mulher estridente'. Precursora do power dressing e talvez a primeira a usar as carteiras — tanto como símbolo de feminilidade como de poder — Margaret tinha a inteligência (e a vaidade) de perceber que cuidar da sua aparência estava longe de ser futilidade e usava-a para realçar a sua influência.  Se o assunto era família, sua resposta também seguia pelo mesmo caminho. Ironicamente, a mulher mais poderosa do país, conseguiu seguir sua carreira política graças ao apoio de um marido rico e de ajuda com as tarefas domésticas. Era nula sua simpatia por suas semelhantes que não tiveram tanta sorte em encontrar um cônjuge rico, mas ainda assim eram tão ambiciosas quanto ela. Seu conselho para aquelas que desejavam trabalhar enquanto seus filhos eram pequenos era o de encontrar uma tia ou uma avó que pudesse olhá-los por algumas poucas horas por semana.

A importância dela para as mulheres

No entanto, apesar da sua recusa em se posicionar diante da batalha pela igualdade, ela simbolizava algo de extrema importância para as mulheres. Quando as primeiras discussões em torno de uma possível chance de serem consideradas elegíveis ao cargo de primeira-ministra, um dos argumentos sempre foi que elas provavelmente chegariam ao poder em um momento em que têm a menopausa e seriam incapazes de tomar decisões. Acontece que Thatcher, eventualmente, passou pela menopausa e não deu uma única pista e nunca se viu nada em seu comportamento que sugerisse alterações ou altos e baixos. Desde então, ninguém jamais disse que as mulheres não podem ser duras o suficiente para serem políticas.  Dito tudo isso, acredito que sim há duas maneiras de vê-la. Uma como uma figura completamente fora da curva, superando os obstáculos tanto de seu gênero quanto de sua classe e outra como uma praga feminista. Ame-a ou odeie-a, apesar de ter se recusado a marchar "ombro a ombro com suas companheiras, seus ombros bem enfeitados forneceram uma plataforma para apoiar a próxima geração de mulheres aspirantes, seja qual for o partido delas. 

Mrs. America

margaret thatcher2 lolla  Dica: A série “Mrs. America” (2020), disponível na plataforma Fox Play, traz a figura da influente ativista conservadora Phyllis Schlafly e sua luta contra a aprovação da Equal Rights Amendment, que visava garantir a igualdade de gênero nos EUA, nos anos 1970. Protagonizada por Cate Blanchett, a minissérie indicada a inúmeros Grammys, aborda a trajetória do movimento feminista, pondo em foco mulheres importantes como Gloria Steinem e Betty Friedan.     

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