Maternidade mainstream

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Sabe quando você sente que não pertence? Algumas coisas sobre maternidade me deixam tão desconfortável e vulnerável que eu prefiro ignorar que elas existem. Uma coisa que virou praticamente maternidade mainstream é aceitar, mostrar e achar o máximo seu corpo pós-parto.

Acho incrível que exista um movimento de aceitação do corpo da mulher com um olhar vida real - um pouco antagônico com tantas blogueiras fitness explodindo por aí, mas enfim. Mas a questão é que as próprias mães levantam algumas bandeiras que intimidam quem não faz parte do grupinho de pensamento delas. Tipo se você está preocupada com a suas estrias, kilos a mais e seios esquisitos está sendo "menos mãe" do que aquelas que acham o máximo as marcas do nascimento do seu filho.

maternidade mainstream

Vi hoje esse post no Instagram da Revista TPM e comecei a achar que estamos chegando em um ponto do outro extremo, onde existe um preconceito sim de mães que criticam aquelas que não amamentam (em público ou privado), aquelas que correm atrás do corpo que ficou pra trás e aquelas que não abandonaram a vaidade, só porque agora se acham seres superiores porque tiveram um filho. Você só está aí lendo o que eu escrevi porque alguém fez a mesma coisa que você milhares de vezes.

Não dá pra convencer mulher nenhuma que uma pele marcada por estrias é bacana, é legal. Você pode não ligar, mas dificilmente vou acreditar se me disser que acha bonito, é a vida real, mas não é bonito e não tem nada de errado em querer consertar isso. Não sei, mas me parece que justo essas mesmas mães que supostamente tem uma postura de vida mais aberta, respeitam mais a individualidade dos outros e tal parecem fazer parte dessa turma que não respeitam nem um pouco as mães que não estão em sintonia com elas.

A mesma coisa vale para a amamentação. Como virou mainstream, preguiçosamente mainstream. De uma hora pra outra você tem que achar bacana amamentar e em público. Coitada da mãe que admite que não curtiu, que não deu, que o leite secou ou qualquer coisa diferente de uma mãe provedora de alimento.

Para quebrar os paradigmas as pessoas acabam sendo muito agressivas. É absurdo uma mãe ser proibida de amamentar seu filho no momento em que ele está com fome, que seja na fila do banco. Mas isso não significa que as pessoas ao redor precisam ficar automaticamente confortáveis com aquela situação e ignorar que estão vendo seu peito. Acho que falta bom senso de todos os lados nessa questão.

As pessoas são profundas em níveis diferentes e umas precisam ir mais a fundo para se conectarem. Pra mim essas questões foram todas mais leves. Amamentei o que deu, eu curtia mas não gosto da ideia de ter que estar presa a horários tão restritos. E jamais faria isso em público sem nenhum tipo de proteção. E meu corpo é uma questão importante pra mim como mulher, consequentemente como mãe, porque preciso estar bem em todas as minhas versões para ser boa em toda elas. Cuidar da gente não é egoísmo.

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