A maternidade pode ser bem tricky

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maternidade A maternidade pode ser bem tricky com nossos pensamentos. Um artigo do Refinery29 sobre licença maternidade e algumas conversas com mulheres que me inspiram muito serviram pra colocar as coisas no lugar certo dentro da minha cabeça.

Acho que a maior lição que tirei dos últimos dois anos é de que você até pode planejar a sua vida, com metas e objetivos super claros, mas só pelo longo prazo e com foco nas coisas MACRO. Tipo casar, ter filhos, largar seu emprego e abrir o próprio negócio, viajar para o Cambodia e tal. Mas o tempo em que essas coisas vão acontecer e como elas vão surgir na sua vida, esquece. Não é a gente quem manda nesse departamento.

Em 2014 tudo ia super bem na minha listinha:

  • Casada com meu hot e incrível husband
  • Larguei meu emprego e abri meu próprio negócio
  • Muitos planos de outros negócios que queria fazer dentro do mesmo guarda-chuva
  • Virei uma shopaholic consciente – se é que isso existe =/
  • Decidi que era hora de engravidar
  • Fiquei grávida.... e BOOM! Tudo mudou.

Meu filho nasceu com uma malformação, que contei nesse post aqui, e a minha gestação cheia de medo, incertezas, dúvidas e muita ansiedade abalou muita coisa que tava super em ordem. Afetou a mim e a minha família em um nível sério e me desestabilizou completamente como profissional. Perdi o foco, a vontade, não via mais sentido em nada. Meu trabalho era pesquisar tudo sobre a doença dele, me preparar pra chegada dele e me cuidar física e psicologicamente pra não piorar o cenário.

Essa parte do plano deu certo, tudo deu super certo no final. A recuperação dele foi mais rápida e mais saudável do que a gente tinha planejado e ele veio pra casa como um bebê lindo, perfeito e igual a todos as outras mini pessoinhas.

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Tipo, tá resolvido, agora tá na hora de colocar a vida em ordem. Aham, senta lá. Eu demorei no mínimo uns 6/8 meses pra voltar ao “meu normal”. Tinha muita mágoa de tudo que sofri na gravidez, demorei pra aceitar tudo que tinha acontecido e pro peso de uma gravidez punk ir embora da minha vida.

Por outro lado, me dediquei muito ao Ben no primeiro aninho da vida dele. Voltei a trabalhar de casa, fechei o escritório e estava aqui do lado dele o tempo todo. Mas meu trabalho não foi o mesmo, muito longe disso. Mas não me arrependo, em nada. Acho que eu e ele merecíamos isso, pelo tudo que passamos.

E quando ele tava com 9 meses, meu trabalho começando a render de novo, ele com mais liberdade e mais crescidinho...outra daquelas coisas que a gente não controla aconteceu. Engravidei de novo, só que de gêmeos. E pra somar, a Indie, minha empresa, cresceu e precisei me dedicar muito ao meu trabalho de Janeiro pra cá. Vai entender né?

Os gêmeos estão super bem e nascem daqui umas 8/10 semanas. Praticamente juntos com um projeto novo da Indie que acabou de nascer e que está demandando muito de mim. E dessa vez não vai rolar uma auto licença maternidade.

E posso falar? To achando ótimo. Depois de ter ficado um ano em um sabático meio forçado, não via a hora de voltar a ser quem eu era antes de engravidar do Benjamin.

Mas em várias horas me dá mini pânico só de pensar em como eu vou fazer? O Ben ainda é pequeno, precisa muito de mim e cobra minha atenção – tá ficando impossível trabalhar de casa. Mas eu vou ter que trabalhar de casa pra poder estar aqui para as mamadas dos gêmeos e como uma super amiga minha que me salvou de pensamentos obscuros me disse, enquanto eles dormem, eu trabalho. É isso que as mães que não trabalham fazem, é só substituir trabalho por outro coisa, tipo dormem/comem/vão ao shopping/dermatologista/terapia/academia.

Não sei em que momento vou poder voltar pro escritório e como vai ser minha rotina e a dos gêmeos. Não sei se vou conseguir amamentar pelo menos por um período ou se vou partir pra fórmula logo no começo, não sei se eles vão ser tranquilos como era o Ben e vão dormir o dia inteiro, não sei como o Ben vai reagir com dois bebês em casa. A única parte disso tudo que eu sei é o que eu tenho que fazer profissionalmente, o resto dependo de mini criaturas irracionais que berram e choram pra conseguir o que querem. Não vou perder um minuto do meu dia me planejando porque a chance de ser totalmente diferente é de tipo 90%.

Mas o que acho mais difícil nisso tudo, é o julgamento dos outros. Tanto daqueles que me julgaram, mesmo que de forma velada, quando parei de trabalhar e acharam que a Indie tinha sido extinta e junto com ela a minha versão business women quanto das pessoas que me julgam hoje quando falo que eu não vou parar de trabalhar quando meus filhos nascerem. Pelo menos é o que eu pretendo e devo fazer, só se de novo coisas que a gente não controla acontecerem.

Porque as mulheres não podem ter essa opção? A gente lutou tanto pelo nosso lugar no mercado de trabalho e agora que estamos conseguindo devo levantar a bandeira da super mãe e largar tudo porque tive um filho? Acho tão incoerente com o que a gente quer, ou diz querer. Porque quando um filho nasce, tudo aquilo que a gente era deixa de existir pra dar lugar a nossa versão mãe? Eu não sei ser mãe sem ser mulher, amiga, dona do meu negócio, filha e etc.

Eu não tive filho pra preencher um espaço na minha vida, pra ser meu propósito. Essa não é a minha realidade e não combina comigo, mas é a de muitas mulheres e eu não tenho nada a ver com isso. E filhos não me motivam a substituir alguma versão minha pela de mãe, pra mim não faz o menor sentido.

Acho que antes de lutar por um causa feminina ou feminista, as mulheres deveriam olhar menos pro lado e mais pra dentro. Somos complexas demais para sermos colocadas dentro de um contexto único para o sexo feminino. Acredito que temos que ter as mesmas oportunidades, agora o que vamos fazer com elas é problema nosso individual e não coletivo. Não existe uma só maneira de ser mãe.

Quer ler mais sobre maternidade aqui no Lolla? Esse post fala sobre "Maternidade Mainstream" - basicamente um chega pra lá nas mulheres que se acham porque colocaram mais uma criaturinha fofa no mundo.