Sobre as mompreneurs brasileiras e nosso jeito de reinventar o equilíbrio.

Verão 2019 da Mundo Bió

No último Lolla Talks que rolou no It Brands Alpha Generation este mês, a gente debateu esse papel das mães empreendedoras que são multifunção na vida e no trabalho. Eu e algumas amigas que estão na mesma fase de vida que eu, estamos a frente de negócios que estão começando, crescendo de forma orgânica, sem o pé no acelerador que nosso estilo de vida atual exige. É um jogo diário de encaixar as demandas da escola, com filhos que ficam doentes de surpresa e estratégias para fazer o negócio crescer.

Diferente das mompreneurs americanas, a gente enfrenta um conflito de gerações que questiona a maneira como equilibramos a maternidade com o trabalho todos os dias. As americanas repetem o mesmo estilo de vida das mães delas em sua maioria. A mão de obra continua cara e os Estados Unidos ainda não tem um programa de licença maternidade adequado a demanda de hoje. Ela precisam escolher entre deixar os filhos em uma creche com dois meses de vida e voltar para o mercado trabalhando das 9h às 17h, ou virar uma SATM (stay at home mom). Escolher entre esse cenário e a possibilidade de empreender pertinho das crianças, em um ambiente mais flexível, que apesar do acumulo das tarefas e do stress, deixa a gente com uma preocupação a menos, parece ser o único caminho. Dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), dizem que 35% das mulheres empreendem dentro de casa e nossa escolha é menos baseada em uma oportunidade e sim em uma necessidade. E a maternidade influencia e inspira muitas mães a criarem business para suprir alguma vontade própria. O Lolla começou nas minhas madrugadas solitárias procurando conteúdo interessante para ler.

É o caso da Gabriela Coser, a Bió, founder do Mundo Bió. Ela criou a Bió Roupinhas ainda grávida do Joca, seu segundo filho, porque procurava opções de roupas com estilo diferente do oferecido pelas marcas brasileiras. Dois anos depois a marca abriu a primeira loja na Vila Madalena, ampliou o mix de produtos e virou uma marca de lifestyle.

Nos EUA parece que qualquer mercado de nicho tem uma representatividade significativa, a impressão é de que existe consumidor para tudo. Acho que aqui isso está começando a ser verdade e a individualidade das famílias está se tornando mais evidente. As novas mães de hoje tem um núcleo familiar menor (parceiros + filhos), a mão de obra está ficando cada vez mais cara e as nossas mães (as avós) têm suas próprias funções, então optar por uma carreira solo de mãe empreendedora parece ser o equilíbrio mais próximo do que é possível fazer para se ter as duas coisas. Pelo menos enquanto os filhos são pequenos, que é o meu caso e da maioria das minhas amigas, seguir uma carreira em uma empresa tradicional, não foi a opção da maioria.

E a gente aprende a empreender na marra. Faltam skills estratégicos para umas, habilidades financeiras para outras e o caminho para um business representativo tanto para o mercado quanto dentro de casa, é mais longo. Mas ao mesmo tempo a gente aprende habilidades e toma a frente em todos os papéis, coisa que em uma empresa tradicional ficaríamos mais restritas à nossa função. Empreendendo em business criativos, somos a criação, o desenvolvimento, estrategistas, marketeiras, fotógrafas e modelos. Se eles vão dar certo ou não, a gente deixa para o futuro responder e essa equação é diferente de uma founder para outra.

No Brasil são mais 7 milhões de mulheres empreendedoras (Sebrae, 2017) dessas, 67% começaram a empreender depois de virarem mães. E mais de 40% transformaram um hobby em um negócio, é o reflexo do “Faça o que você ama”. Um dos maiores benefícios é a redução da culpa, pelo menos 75% dessas mompreneurs se sentem menos culpadas por ser mãe e trabalhar, acho que só isso vale muito a pena. Dados da pesquisa realizada por Patrícia Travassos e Ana Cláudia Konichi, autoras do livro Minha Mãe é um Negócio.

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