Você Ainda Tem Preconceito Com Vintage Shopping? Melhor Rever Isso...

  gallerist + loop vintage (image credits: divulgação)

gallerist + loop vintage (image credits: divulgação)

Sponsored by Loop Vintage - vintage finds by Luiza Ortiz

Eu me lembro de uma matéria que saiu na Vejinha de São Paulo quando eu ainda estava no colégio, sobre as cool girls que compravam em brechó. Você tinha que ser muito cool mesmo, porque os brechós tinham aquela cara propositalmente mal cuidada, empoeirada e abarrotada de coisas com ombreiras e bijuterias estranhas com vibe 80's. 

Com Sex and The City isso mudou um pouco. A Patricia Field, stylist da série, era dona de um vintage shop em NY que virou destino com o sucesso fashionista da Carrie Bradshaw. Isso foi pulverizando um pouco os clientes e curiosos que começaram a aceitar melhor a ideia de consumir vintage. NY, Londres, LA e Paris tem várias lojinhas com vintage finds bacanas de verdade desde sempre, mas não é uma atividade para todo mundo. 

  Luiza Ortiz, de Loop Vintage para Vogue. (image credits: Cassia Tabatini)

Luiza Ortiz, de Loop Vintage para Vogue. (image credits: Cassia Tabatini)

Minha primeira compra em um brechó (desses de verdade) foi uma gola de pele em um second-hand shop na Alemanha. Eu queria uma pele, mas não queria uma pele nova porque não fazia mais sentido. Eu sempre entro nessas lojas quando viajo, mas dificilmente encontro alguma coisa que eu realmente usaria, e acho que isso também é uma questão de representatividade. Eu sou muito visual e late adopter das trends do momento (nessa matéria falo mais sobre isso), preciso ser mais impactada com coisas verdadeiramente vintage que se encaixem no meu dia a dia para me aventurar nas compras de um second-hand shop original. Acho que a Loop Vintage, marca de vintage findings da Luiza Ortiz está treinando meu olhar. 

Com a internet e a fast fashion, a proposta dos second-hand shops (brechós) mudou. A maneira como o produto é apresentado, as marcas e os produtos que são oferecidos nos ecommerces com essa proposta são atuais, elas tem uma construção mais high luxury (todos os ecommerces são em formato editorial preto e branco, look and feel exportado do Net-a-Porter). Você não sente que está comprando de um depósito que não vê um espanador há 20 anos. Mas ainda assim existe bastante preconceito, acho que é uma questão cultural. Aqui no Brasil, os ecommerces começaram vendendo bolsas e acessórios e hoje você encontra todas as categorias. Eu já vendi bastante coisa para esses ecommerces de second-hand, e de vez em quando eu compro alguma coisa. Principalmente quando eu acho algo que acabou de sair de alguma coleção que eu já tava de olho e encontro por lá, pela metade do preço, bingo! 

Fast fashion é um modelo de negócio ecologicamente e socialmente insustentável. Documentários como The True Cost fazem a gente pensar algumas vezes antes de passar o cartão. O volume de produtos fabricados pelas fast fashion e a rapidez com que descartamos o que a gente compra está aumentando muito o volume de negociação nos sites de second-hand. No Estados Unidos, dois players gigantes dominam o mercado: The Real Real e o ThredUp. O The Real Real eu já comprei bastante e já vendi. Ele é ótimo para achar peças atuais ou da última coleção de marcas premium. Não são baratas, o valor inicial dos produtos é caro. Mas são peças super bem conservadas e você paga um preço bom pelo valor que esses produtos representam. Hoje conheci um novo business, o TPH.co - uma espécie de marketplace de vintage shops do mundo inteiro, a Farfetch dos second-hands. How cool is that? 

LOOP VINTAGE

Acho engraçado que muita gente interpreta a compra em second-hand como uma postura "wannabe" - como se fosse feio você comprar em uma second-hand porque parece que você quer ser algo que não é, ou melhor, quer ter algo que não pode. Como eu penso: se o produto está lá para ser vendido, ele é real. Eu comprei uma camiseta da Isabel Marant no Etiqueta Única outro dia. Ela foi cara, daria pra comprar 10 (d-e-z) camisetas na Forever 21 novas pelo mesmo preço. Mas 10 camisetas da Forever 21 não iriam satisfazer a minha compra, em termos de valor, como essa única da Marant e provavelmente as 10 camisetas da Forever estarão destruídas antes. A camiseta da Isabel Marant já foi vendida uma vez, já completou o ciclo de vida dela. Quando a gente compra um produto second-hand, o ciclo de vida aumenta em 2.2 anos e o impacto global no ecossistema é de uma redução de 73% de carbono, lixo e água - segundo um report da ThredUp. 

A H&M reportou uma sobra de 4 milhões de produtos em estoque no ano de 2017. O que ela vai fazer com tudo isso? Vai abrir uma segunda marca para vender produtos ainda mais baratos do que a H&M, a Afound. 170 lojas da H&M serão fechadas em 2018, depois de uma queda de 14% nos lucros da empresa. A indústria da fast fashion está finalmente mudando. E isso contribui para o aumento do consumo em seco-hand shops, que vai aumentar o market share para 11% em 10 anos. 

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Second-hands we love to shop

Loop Vintage - cool vintage findings, Gallerist, Brasil.

The Real Real - premium brands, USA

Vestiaire Collective - premium brands, Europe

Etique Única - premium brands, Brasil

What Goes Around Comes Around - premium brand, real vintage vibe, NY - USA

 

 

Na categoria de roupa infantil, é o que faz mais sentido pra mim. Compro bastante coisa que acho bacana, mas são peças mais especiais. As roupinhas básicas, que eles usam para se acabar com tinta e se jogar no tanque de areia, precisam ser mais descartáveis e não vejo nenhum sentido em não comprar ou usar coisas de second-hand. Eles perdem roupas e sapatos a cada 3 meses, quem sustenta esse ciclo de consumo inveterado não tem a menor consciência social, e isso em 2018 é inadmissível na minha opinião. Temos que ser conscientes, temos que ser responsáveis pelas nossas decisões e os impactos que elas causam no mundo. 

Tem gente que torce o nariz e acha que roupa vem com energia. Pensa na energia que as roupas das fast fashion vem? 

Don't get me wrong!

Eu continuo comprando na Zara e adora as camisetinhas da Forever 21 e da H&M. O problema dessas marcas são os consumidores que compram as peças trendy, que são impactadas a cada 2/3 semanas por uma tendência nova e lá estão eles de novo prontos para descartar o que acabaram de comprar. As fast fashions provavelmente não vão acabar, mas a cadeia como um todo vai mudar. A oferta deve diminuir e o consumo vai ser diferente nos próximos anos, de forma mais equilibrada.

Mas poucas coisas são tão legais quanto descobrir um achado que pode ser só seu. Pensar no ciclo dessa roupa, todo o caminho que ela percorreu até ser sua...

Sponsored by Loop Vintage - vintage finds by Luiza Ortiz