O lugar mais difícil do mundo é o lugar do outro

Parece clichê, mas atualmente é cada vez mais urgente e importante buscar desbravar essas terras tão estranhas.

Nos dias de hoje, com a rapidez das informações, as relações, sejam pessoais, sejam profissionais, estão ficando cada vez mais fluidas. É uma vontade tão louca de buscar uma satisfação pontual que acabamos por esquecer daqueles que são fundamentais nas nossas vidas, os outros.

Me peguei pensando nisso em um recente café com uma amiga querida em que fiz a seguinte observação: “acho que o fato de trabalhar em home office na maior parte do tempo está me deixando menos paciente com as pessoas.” E olha que eu sou paciente para caramba, tá?

Depois desse dia eu passei a refletir melhor sobre o que falei. Hoje, com todos os recursos (viva o FaceTime!) estamos cada vez mais próximos das nossas famílias e de nossos amigos. Isso pode parecer até muito eficiente, mas a verdade é que aquela interação do estar presente, vai ficando cada vez mais distante.

Nesse momento em que vemos as redes sociais, em muitos casos, fazer aflorar o total dark side do ser humano, o ter cuidado e o se importar se torna cada vez mais necessário.

Essa “solidão” decorrente da tecnologia e das milhares de tarefas diárias pode acabar nocauteando alguém. A verdade é que não sabemos o que o outro passa, os seus problemas e as suas angústias.

Outro dia eu vi um quadrinho na estante do Ariel Palacios , correspondente da Globo New, com a seguinte frase: “careless talk costs lives” (algo como: uma conversa sem atenção custa vidas). É um poster da época da 2ª Guerra Mundial, do Fougasse (Cyril Kenneth Bird) um ilustrador famoso da época. No contexto original foi usado para instruir às pessoas a tomarem cuidado com o que falavam e com quem falavam.

Virei fã dessa peça de decoração e penso que pode ser um mantra para o futuro e agora em outro contexto. É preciso olhar o outro com carinho, com atenção e, sobretudo, com empatia.

Mesmo com relação àqueles que nos magoam, o importante é sempre lembrar que o problema não é seu, é do outro. E vamos seguir a vida olhando para o melhor vitral e procurando estar sempre atento aos sinais externos. Muitas vezes, será a ajuda de que o outro mais precisa.