O que alugar uma bolsa diz sobre você?

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COLLABORATION LOLLA x I BAG YOU

A compra mais gostosa de uma viagem é uma bolsa nova né? Adoro aquele momento decisivo da escolha final, quem vem acompanhado de alguns dias de ansiedade e páginas acumuladas de livros pra ler porque passei os últimos dias que antecedem a viagem entrando em todos os sites das marcas que eu gosto para escolher a bolsa que vou chamar de minha na viagem em questão. Se não fosse uma questão de budget, a ansiedade seria reduzida ou substituída por outra coisa, escolher apenas uma bolsa nesse mar de alternativas me deixa tensa e ansiosa. 

E não é só o modelo que me deixa ansiosa, é a escolha da mensagem que quero passar com o meu futuro objeto a tira-colo. Parto para uma jornada brandless e cool e adquiro uma Mansur Gavriel ou apelo para a logomania acelerada e banco uma Gucci com vibe anos 70 que tanto quero? White girl problems, e até diria que é uma questão ultrajante, mas nós, trabalhadores da moda, sofremos do mal de querer coisas que nosso budget não pode comprar e levamos isso a sério. My job, my life, my choices. A gente se apaixona pela estética, pela proposta e pela história de coisas. Não passa de uma bolsa, mas que capacidade que ela tem de dizer tanto da pessoa que a carrega. 

Em uma viagem dessas, na minha busca pelo que comprar, descobri que poderia simplesmente alugar um das minhas bolsas desejo. Quão incrível seria simplesmente não ter que fazer a escolha entre uma bolsa ou outra, se poderia comprar uma e alugar a outra? Me senti dando um baile na minha ansiedade e saí de São Paulo rumo a NY com uma Givenchy vermelha, aquele tipo de peça conversation starter. As vendedoras me paravam nas lojas maravilhadas perguntando onde eu tinha comprado e eu respondia com muita sagacidade, it's rented. De fato estava me achando muito mais sagaz do que todas as verdadeiras donas e proprietárias de seus pares. Não tinha comprometido meu budget, estava de certa forma saciando meu desejo e me sentia parte de uma nova forma de consumo, como se estivesse à frente do tempo do resto das pessoas. Até minha autoestima deu levantada.

foto: I Bag You/Reprodução

foto: I Bag You/Reprodução

Eis que não volta, encontro minhas amigas e levei minha Givenchy vermelha comigo, quase dormia com ela para aproveitar ao máximo sua vida curta ao meu lado. Alguém me perguntou "Essa bolsa você comprou lá?", respondo inocentemente empolgada "Não! Aluguei!"... um semblante de desaprovação surgiu no rosto dela, um espanto entre todas e seguido de "Nossa, acho muito wanna be alugar uma bolsa. Sério Rouses, é querer o que não se pode ter". Fique na defensiva, não sabia argumentar e como explicar que a minha vontade de usar e apreciar aquele acessório passava muito mais pela vertente de ser uma verdadeira apaixonada por moda, história e design do que pela futilidade de ter o que não eu poderia. Mas bastou esse diálogo para eu nunca mais alugar uma bolsa. Não iria me permitir viver nessa ansiedade de querer ter uma coisa que não se pode, esse lugar é horrível. 

Bucket YSL, on my rent wish list

Bucket YSL, on my rent wish list

Cinco anos se passaram quando li uma matéria ano passado sobre aprender a consumir o conteúdo da moda de outra forma, a apreciar sem necessariamente comprar o produto, posso ser amante sem ser escrava da moda e do consumo. É a mesma relação que tenho com a arte. Cresci nesse ambiente, apreciando os grandes e pequenos artistas mundiais e ainda não me arrisquei nas minhas primeiras compras, sigo apenas observando. Já sei o que gosto, namoro alguns artistas e sinto que estou mais perto de fazer uma aquisição importante no mundo das artes do que nunca. E de alguma forma pensar nisso (apreciar X possuir), me deixou curiosa para pesquisar sobre como andavam os business de aluguel de produtos. 

Louise from St Louis - Sex and The City

Louise from St Louis - Sex and The City

O business de aluguel de roupas e acessórios já é gigante nos Estados Unidos, vai movimentar US$ 3,299.6 milhões até 2026. Quem lembra da Louis from St. Louis, a assistente da Carrie Bradshaw no filme Sex and The City? Ela andava por Manhattan com uma Louis Vuitton alugada, e acho que foi dela que tirei minha sagacidade para responder "it's rented" com orgulho. Isso foi há anos.

Eu vejo que o brasileiro ainda encara essa alternativa meio desconfiado. Explico: Nós somos um país em desenvolvimento, a ascensão do consumo faz parte da história recente do país, logo possuir coisas diz muito sobre quem você é com relação aos seus pares na sociedade e define um status, muito mais do que a sua bagagem intelectual e cultural. Normalmente as pessoas possuem as coisas para show off, faz parte do comportamento do ser humano em uma sociedade como a nossa. Se você aluga uma coisa para o show off, o que diz sobre você? Que você não é lá muita coisa, afinal nem ter para pertencer ao show off você pode. É como se fosse feio você ir em busca dessa alternativa (alugar um produto), o que não faz nenhum sentido. 

A conscientização com relação ao meio ambiente, sobre o consumo visceral e aquela sensação angustiante depois de alguns scrolls no Instagram são temas urgentes. São tópicos de sobrevivência e de saúde mental que precisam ser trabalhados e precisamos de soluções para os anseios do ser humano. 

Faz parte do ser humano querer impressionar o outro, homens e mulheres em diversas situações. Que seja ostentando a bolsa ou julgando quem aluga, você está se posicionando e passando uma mensagem ao pronunciar a sua opinião. E acho que aqui entra a urgência de prestar atenção no julgamento alheio. 

Cheguei a essa conclusão depois de uma pesquisa que fiz no Instagram do Lolla. Mais de 70% das mulheres responderam que alugariam uma bolsa, mas somente para uma ocasião especial, seguindo a lógico de que faz sentido alugar e não comprar já que você vai usar pouco. 2.5% responderam que acham cafonérrimo, seguindo a lógica do "wanna be". 5% das mulheres responderam fervorosamente que alugariam com certeza e principalmente as bolsas trendy e não surpreendentemente essas mulheres trabalham com moda. É aqui que provo meu ponto sobre a relação admiração X consumo, aparentemente reservado aos amantes da moda, que amam o que é belo. 

Me and my Chanel for a week

Me and my Chanel for a week

Alugar uma bolsa é uma nova forma de consumir o que você admira. Deixando de comprar, você tem mais dinheiro para investir e consumir educação, cultura, experiências, gastronomia ou outros produtos. 

Seriam os amantes das artes menos fúteis que os amantes da moda? Talvez desassociando a moda do consumo desenfreado dos últimos 10 anos com soluções mais conscientes, a gente chega lá. 

COLLABORATION LOLLA x I BAG YOU

Te convido a conhecer o I Bag You e fazer essa experiência de consumo disruptivo e ao meu ver, bem inteligente. O sentimento é quase de liberdade - follow @ibagyou