Porque eu achei oportunismo o caso de sexual harassment contra o Aziz Ansari

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“Babe is for girls who don’t give a fuck” - Esse é o slogan do babe.net, um site de NY que publicou dois dias atrás uma historia acusando o ator e recente Grammy winner pela série Master of None, de sexual harassment. Quando li a noticia de que o Aziz Ansari tinha sido acusado de abuso sexual, confesso que me senti uma criança descobrindo que Santa Claus não existe. Eu acho ele incrível, inteligente, articulado, criativo, com um mega bom gosto, amo a série Master of None por ser tão sensível e tão atual, por falar sobre relacionamentos em millenials time, por incluir temas delicados que precisam ser mostrados, falados e debatidos - como sexual harrasment. E de repente achei tudo uma hipocrisia, falso moralismo e oportunismo.

Mas, não demorou muito para a acusação ganhar uma narrativa que eu diria que foi muito bem amarrada e para o meu alívio, Aziz voltou a ocupar o mesmo lugar de sempre na minha mente.

The story

Uma menina conheceu o Aziz em uma festa do Emmy em LA ano passado e depois saiu com ele para um date em NY. Jantaram, tomaram um vinho (mais sobre isso em breve) e depois foram para o apartamento dele. Chegando lá, eles se beijaram, tiraram a roupa e em algum momento ela se sentiu mal, pediu para parar com aquilo, ele sugeriu colocar a roupa de volta e assistir Netflix. Depois ele pediu um Uber pra ela e no dia seguinte mandou uma mensagem. Não sabemos o que conversaram entre esses steps todos, mas o que sabemos é que essa garota, Grace, transformou esse cenário em uma cena criminosa de assédio sexual. Ela alega que todo o contexto a deixou sem voz e que ela não conseguia falar, que não houve consenso. Ele alega que achou que eles estavam os dois na mesma página, e quando ela expressou como se sentiu em uma troca de mensagens no dia seguinte, ele se sentiu mal por ter feito ela se sentir desconfortável.

Começando pelo vinho: Grace diz que eles tomaram vinho branco, mesmo ela preferindo vinho tinto. Que abusivo não? Depois Grace diz que ele pediu a conta muito rápido (ele pagou) como se ele tivesse muita pressa para chegar no apartamento dele, e mesmo achando isso estranho, ela concordou em ir. A melhor parte: eles estavam nus, até onde sabemos ela tirou a roupa porque também queria tirar a roupa. Só que ela desistiu de ir adiante, ela pediu pra parar e ele parou. Mas ele tentou continuar, não sei como, talvez com gestos, talvez com palavras. E quando ele percebeu que não ia rolar, ele sugeriu Netflix and chil, literalmente. Bom, esse encontro deve definir a noite de milhares de casais pelo mundo, todos os dias. Se isso é sexual harrasment, girls, posso dizer que todas as meninas sexualmente ativas do mundo já sofreram abuso, eventualmente até de pessoais que realmente nos amam, como nossos maridos.

Tem algo de errado nesse contexto, que pode atrapalhar toda a mensagem de movimentos como #MeToo que levantam a bandeira contra casos criminais de abuso sexual e banalizar a seriedade e a delicadeza do assunto.

O Artigo

A questão aqui é: essa notícia explodiu logo depois do Aziz ganhar um Golden Globe. Ele estava superexposto na mídia e este último Golden Globes foi diferente. A premiação foi sobre ativismo, sobre empoderamento feminino, sobre sexual harrasment, sobre dar voz a mulheres que não tem voz. Dois movimentos muito importantes coordenados por pessoas sérias estavam por trás desse ativismo, o #MeToo e o Times Up. São movimentos que tem levantado polêmica, são temas que envolvem uma mudança cultural e movimentos ganham uma força global hoje em dia. A internet dá voz a qualquer pessoa, e eu acredito que um dos grandes problemas da humanidade é a falta de bom senso. O lolla publicou o artigo "O discurso da Oprah. Isso não é sobre o Golden Globes" escrito pela colaboradora Sharon Sancovski e ficamos com medo do backlash, com medo das pessoas não entenderem nosso ponto de vista que poderia ser mal interpretado. O mesmo medo que vi jornalistas e pessoas comuns assumirem que sentiram ao compartilhar o artigo da Bari Weiss.

Editora e escritora do NY Opinion, Bari publicou o artigo "Aziz Ansari Is Guilty. Of Not Being a Mind Reader"  falando a opinião dela sobre o caso Grace e Aziz. E o ponto principal que deixou bem claro é que nós, femininas e feministas temos que querer igualdade em todos os sentidos e não só quando for conveniente. A Grace foi vítima da menininha vulnerável que vive dentro dela, não dos avanços de um homem que estava curtindo a noite tanto quanto ela parecia estar curtindo, até não estar mais e tudo bem também.

Temos que usar a nossa voz, como fizeram as mulheres corajosas de Hollywood para tudo, inclusive para mostrar aos homens o que queremos, quando e como queremos. A Condolessa Rice, former U.S. Secretary of State, fez um comentário na CNN “let’s not turn women into snowflakes, let’s not infantilize women” justamente para evitar situações como essas, os homens podem chegar ao ponto de não querer ter nenhum tipo de relacionamento com uma mulher. Isso me lembra a comunidade ortodoxa, em que homens e mulheres não podem tocar em pessoas do outro sexo que não seja seu marido/mulher.

Precisamos aprender a dar o peso certo para as coisas. Sabemos que a maioria dos estupros e casos de abuso sexuais acontecem dentro do círculo familiar, que a casa e o quarto dessas meninas, que deveriam ser o lugar mais seguro do mundo é palco para cenas horrorosas todas as noites na casa de milhares de garotas vulneráveis e com medo de tomarem uma atitude pelo mundo todo. Mas justamente por termos a sorte de não fazer parte dessa estatística é que temos que olhar para o que acontece com um olhar mais crítico e com bom senso.

Nosso papel na sociedade, como pessoas privilegiadas por ter acesso a educação e como mães é lutar junto com os homens que apoiam os movimentos como o Time’s UP e que não se envolveriam em situações como essas. É saber identificar esses homens e interpretar muito bem as historias que cada cenário apresenta. É educar nossos filhos homens para serem mais humanos e a nossas filhas para serem girls who speak for themselves, que saibam se expressar e deixar bem claro o que querem.

Eu sugiro ler o artigo no Babes.net para entender o que aconteceu e tirar suas próprias conclusões. E se ficou curioso sobre o Babes a Mashable fez este artigo contando sobre o business. Sim, é um business e está fázendo bastante dinheiro em cima desta história. Go figure! Deixe a sua opinião nos comentários!

 

LIFESTYLERosa Zaborowsky