Porque você deve se importar com suas meias na Europa.

Quando alguém roubou o Manolo Blahnik da Carrie Bradshaw em uma festa.

Quando alguém roubou o Manolo Blahnik da Carrie Bradshaw em uma festa.

Se você já visitou alguém que mora na Europa, certamente vai entender sobre o que estou falando. A maioria das pessoas que moram aqui fazem questão de uma coisa: que você tire os sapatos ao entrar em casa. E, adivinhe só, é por isso que você deve se importar com suas meias enquanto estiver na Europa.

Deixar o calçado na porta de casa é tradição na Alemanha. Pensou que era só cerveja e brezel, né? Eles tem até plaquinha para pendurar na porta: bitte schuhe ausziehen! (por favor, tire seu sapato). Em Londres também não tem outro jeito. A maioria das casas e apartamentos tem carpete, me dá até aflição de pensar em pisar num carpete de sapato. Até no Japão ninguém entra em casa calçado já que a limpeza é essencial porque as mesas são bem baixinhas e as refeições feitas sentados, onde? No chão!

Já li em alguns lugares textos sobre a importância de deixar o sapato do lado de fora. Pesquisas confirmam o que o que o bom senso já disse: sapatos são sujos e trazem a sujeira para dentro de casa. Não acredita? A Universidade de Houston nos EUA tem um estudo que comprovou que seus sapatos carregam bactérias, bacilos e fungos. Leia aqui a matéria.

Por mim, tudo bem, faz parte da adaptação e eu aprendi. Imagine que passamos mais de 6 meses de inverno aqui. Chove, venta, neva muitas vezes e lá fora vira um caos, uma sujeira que os pontos turísticos às vezes não mostra. Entrar em casa e trazer isso tudo para dentro realmente não faz sentido. Depois que tive filhos, de tradição passou a ser necessidade. Bebês passam o dia inteiro no chão. Engatinham, rolam, comem e acreditem, até lambem o chão. Prezamos por qualquer detalhe que faça com o que chão fique o mais limpo possível.

Espero já ter te convencido a tirar os sapatos quando vier aqui em casa. Para brasileiros é um hábito estranho, no Brasil ninguém faz isso! Agora entra um detalhe que ninguém fala, que para mim sempre foi o mais importante dessa história toda. As meias. Vão-se os sapatos mas ficam as meias.

Eu nunca me importei com minhas meias, quase não as calçava no Brasil. Muito quente, vivia de sapatilha ou sandálias. Acho que minhas meias duravam séculos, lembro de uma que eu gostava tanto que desenhei um M na ponta para minhas irmãs não pegarem e até outro dia eu guardava. E furinhos? Ah, vá lá, qual o problema de um furinho, se na hora de sair você está com pressa e não pensa em nada, pega a primeira da gaveta.

Mas o destino te prega umas peças para você aprender na marra.

Eu estava em casa, semana antes do natal, as crianças de férias e eu de meia velha, claro. Com furinho e bolinha. A campainha toca e tem um mini ser chamando meus filhos para brincar lá fora. Fui acompanhá-los na aventura de correr pelo quarteirão porque mãe brasileira, mesmo no interior da mais pacata e segura vila da Holanda, ainda não se sente segura de deixar os filhos na rua sozinhos.

Encontro a mãe da outra criança que me chama para um café enquanto os nossos filhos continuam a brincar dentro de casa porque nem os locais aguentam um frio de 5 graus por muito tempo. Café aceito, hora de entrar na casa da vizinha e o quê? Tirar os sapatos e passar a maior vergonha da minha vida. Revelar meu descaso com minha pobres meias. Mostrar o furinho, as bolinhas, aquela meia branca que já está mais para off white. Já eles calçavam lindas e novas meias com motivos natalinos, nada como ser um local para se prevenir dessas gafes.

Nem por isso deixei de fazer uma piadinha com o desafortunado caso, rimos, tomamos nosso café e a lição estava dada. Meia feia, aqui na Europa, nunca mais!

Fiz um top 5 das minhas meias preferidas:

Happy Socks (vende no Brasil aqui)
Top Shop
Falke na Anthropology

JCrew John Lewis

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