Precisamos Conversar Sobre a tal Sororidade. A Gente Promete ser Leve

Spice Girls, circo 1990.  @90sperspective

Spice Girls, circo 1990. @90sperspective

Hoje, o meu “olá” tem um misto de surpresa e de muitas dúvidas. Há um tempo venho me questionando sobre o que acontece quando a pauta se refere à sororidade, sobretudo, no mundo virtual.

Antes de tudo é importante reconhecer que a união entre as mulheres alcança conquistas extraordinárias. Além disso, dá orgulho constatar o quanto a nossa união faz a força, a ponto de representar um papel de destaque em tomadas de decisões. Viva!

Mas ainda precisamos melhorar. As redes sociais que os digam.

Ao longo desse ano, 02 diferentes acontecimentos me chamaram a atenção, principalmente por posições um tanto quanto contraditórias defendidas, em sua grande maioria, pelo público feminino.

Quem não se emocionou com a linda história contada no filme “Nasce uma Estrela”? Faço parte dessa turma e, sim, chorei em algumas cenas. Agora corta para a “vida real”. Houve uma grande torcida para aquele romance ultrapassar as fronteiras da telona, a ponto de unir Lady Gaga e Bradley Cooper. Oi? Sim, inclusive algo defendido por muitas mulheres nas redes sociais.

Seria até muito fofo torcer por esse love end, mas o mocinho estava em um relacionamento. Com Irina. Que muito possivelmente ao ler todo esse “fervo” não se sentiu bem. Você se sentiria? Vou alterar um pouquinho o contexto agora: e se o seu marido/companheiro/namorado/crush/rótulo que você prefere indicar, resolvesse assumir um relacionamento com a colega de trabalho?

Voltamos aos dias atuais. Adele comunicou, em nota, o fim do seu relacionamento. E a repercussão nas redes sociais? “Agora vem música boa” (ou algo do tipo). Pára mundo, respira e medita. A moça se separou. Talvez o seu sonho de manter uma família feliz se dissipou. E a resposta a tal situação é a de que o trabalho da cantora vai melhorar? É isso mesmo?

Agora vamos brincar do “e se fosse comigo”? O seu relacionamento chegou ao fim. Tal evento impacta no seu semblante. Você conta o que houve, sem muitos detalhes, para a sua equipe. E lá vem o comentário “solidário” de alguém: “fulana, que ótimo, agora você poderá se dedicar muito mais aos projetos”. Gostou? Nem eu! Mas, infelizmente, é um pouquinho do que pudemos acompanhar da resposta das redes sociais ao momento da Adele.

Em suma, fico me perguntando o que leva uma pessoa a torcer pela tristeza do outro, a comemorar a decepção alheia. E o pior: se expressando como se não houvesse amanhã!

Eu já escrevi aqui no Lolla sobre o exercício de se colocar no lugar do outro. E percebo, a cada dia que passa, que calçar os sapatos do coleguinha é algo cada vez mais necessário.