Nossa Editora e Giu Iodice Discutem Vintage Shopping

Image Credits: Francesca Cosenza

Rosa: Hi! Me ajuda a lembrar como eu descobri your love for vintage?

Giulianna: Claro! Você descobriu quando comecei a colaborar para o The Lolla, pois na minha entrevista, contei que um dos meus hobbies era procurar peças vintages por aí... no maior estilo "hunter" mesmo!

Rosa: E esse hobbie é uma coisa que se lembra de ter sempre com você?

Giulianna: Sim,  se eu estou em São Paulo, eu saio aos finais de semana já focada onde vou ou acabo fazendo algumas descobertas espontâneas, de estar passando em algum lugar e ver algo que me chama atençao. Em viagens eu me programo antes e pesquiso os melhores brechós e feiras para procurar peças antigas!

Rosa: Mas onde você vai em São Paulo pra fazer essas descobertas espontâneas?

Giulianna: Dá para achar muita coisa em SP. A Feira Benedito Calixto, aos sábados, tem algumas barracas de brechós, e fica bem perto da minha casa. No bairro do Bexiga, aos domingos, também tem uma feira de antiguidades que dá para achar bastante coisa. Já fiz algumas compras bem espontâneas só de estar andando por aí e descobrir um brechó novo - na Vila Madalena, onde moro, sempre tem coisa nova abrindo. A Rua Cardeal Arcoverde concentra alguns brechós também, bem pequenos e bagunçados.

Rosa: Adorei! Vamos começar a peregrinar juntas. To louca pra ir a Feira do Bexiga, mas ando mais focada em coisas para a casa. Essa sua conexão com o vintage começou dentro de casa né?

Giulianna: Nós vamos, só marcar! E dica de amiga: se a gente for durante a semana, quando "só" os antiquários que possuem lojas fisícas estão abertos, os preços costumam ser melhores. Sobre a minha conexão com as roupas, foi super espontâneo e dentro de casa mesmo. Desde pequena eu amava me arrumar com as roupas das minhas avós, minha mãe e tia.. tinha um armário lotado de casacos e vestidos que era a minha diversão (na casa da minha avó materna). Acabei de lembrar aqui que o meu primeiro flerte em sair montada com algo antigo foi em um evento, que meu pai chamou de última hora e eu improvisei pegando uma camisa de seda florida da minha avó, pois não tinha tempo de voltar para casa.. Acho que eu tinha uns 16 anos na época. Depois daí eu me apaixonei, e fui "roubando" as minhas heranças em vida mesmo... A evolução para comprar em brechó só veio depois.

Rosa: E tem toda essa questão ambiental e ética envolvida em uma compra vintage. Aproveitando, você ja comprou pele vintage? Compraria?

Giulianna: Sou totalmente contra usar pele.. não acho bonito, tenho pena e não quero sair usando por aí, além de não ver necessidade por morar em um país tropical.. Nunca comprei pele vintage e acredito que não compraria. Para não mentir, eu tenho uma malha marrom que tem uma golinha de pele real, mas é super antiga e eu herdei - no entanto, ainda não foi usada.

Rosa: Eu sempre achei quem usa vintage the coolest people in the world. Essas pessoas misteriosas tem um ar de "I don't care" somados a uma boa dose de personalidade. Você se sente diferente quando está usando alguma peça vintage?

Giulianna: Hahaha, adorei! Não diria que me sinto diferente, mas assim, me sinto mais "exclusiva". Acho que as pessoas seguem tanto padrões impostos atualmente, que as redes sociais ditam, e todo mundo fica com o mesmo visual e frequentam os mesmos lugares. Com as peças antigas, eu tenho 100% de certeza que dificilmente alguém vai ter algo igual. Mas é tudo uma evolução né, antes eu era mais tímida com as minhas escolhas, normalmente eram bolsas ou acessórios..hoje misturo peças antigas da cabeça aos pés sem problema nenhum.

Rosa: Acho isso libertador. Acho que vou começar uma campanha de empoderamento e o start vai ser sair de casa com uma peça vintage. É muito mais do que um trendsetter que ta sempre a frente, é literalmente não querer uma legião de seguidores atrás de você e ser apenas aquilo.

Giulianna: Também enxergo dessa forma e apoio total! E além dessa questão, eu me sinto muito melhor comprando algo vintage que provavelmente viraria lixo do que uma peça novinha - que muitas vezes foi fabricada de forma incorreta (ex: trabalho escravo) e que todos sabemos que polui né.. Mas esse é um papo para outra hora!

Rosa: Mas o que as peças mais dispertam nas pessoas? Estranhesa, curiosidade, elogios?

Giulianna: Muito relativo isso, mas eu tenho um casaco - não está nas fotos - que herdei da minha mãe, super antigo e colorido. Esse todo mundo olha, algumas pessoas pergunta da onde é ou elogiam também. Alguns homens acham estranho, às vezes fica bem "man repeller" o resultado dos looks. Se for pra definir, no geral, eu amo quando a pessoa fala que achou legal e me pergunte a história da peça, e respondo com maior gosto "nossa foi um achado de 5 reais, acredita?"

Rosa: Ser "man repeller" é empirico em um garda roupa vintage. Fora que deve existir uma conexão com édipo que vai além do que podemos controlar, tipo ver alguma semelhança com a mãe ou a avó deles haha Você tenta equilibrar com peças mais atuais ou neutras quando vai usar alguma coisa bombastica, tipo esse casaco?

Giulianna: Nossa, eu nunca parei para pensar nisso. Mas acho que pode ser isso, principalmente quando a peça tem ombreiras ou é mais largona, com uma estampa diferente.. rsrsrs. Sim, eu costumo usar com uma calça jeans básica, uma botinha curta ou sapatinho oxford para o dia a dia ou se for para noite, leather pants e um salto fino, tipo scarpin. Aí dá uma quebrada, porque ele sozinho já chama muita atenção.

Rosa: Agora todo date vai ser diferente. Qual peça do guarda-roupa da sua avó que você mais ama? Quero detalhes!

Giulianna: Ixi é muito difícil escolher uma só, porque herdei boas coisas de ambas as minhas avós. Nas fotos, eu to usando essa bolsa Chanel anos 60 que eu AMO muito. É um xodó para mim, ninguém pode tocar nela.. Essa eu ganhei da avó materna. Da minha avó paterna, eu tenho uma bolsa toda feita de recortes de couro (cobra, avestruz, texturizados) em formato baú, nas cores verde-militar, vinho, mostarda.. Essa eu não to usando porque usei demais e a alça deu uma estragada (e preciso de um sapateiro que reforme direitinho).

Rosa: E você sabe alguma coisa da história dessas peças?

Giulianna: Eu sei que as duas foram presentes dos meus avôs para elas. Mas só isso no momento!

Rosa: Por mim todas as peças viriam com uma etiqueta contando a história delas. Ao contrário do que muita gente sente, que pode ter uma energia ruim, acho que tudo isso é solucionado com a nossa energia. Você deve ouvir bastante isso.

Giulianna: Sim, sempre escuto. Tem gente que tem pavor de coisas antigas.. sempre penso assim "lavou, tá novo", fora que é legal imaginar como era viver, por exemplo, nos anos 1920, e frequentar festas super glamurosas.. imagina onde essas roupas já foram?

Rosa: Exatamente! Eu sempre penso que elas pertenceram uma mulher disruptiva, a frente do seu tempo, resiliente e espevitada. Acho que é como eu gostaria de ter sido se tivesse vivido naquela época.

Giulianna: Exatamente, se eu pudesse escolher teria vivido nos anos 1960, em Londres, e usaria várias mini-saias como um simbolo de liberdade feminina!


Produção e Styling: Giulianna Iódice

Fotos: Francesca Cosenza