Sel e Gabriela, founders da Mandala Integral Parenting

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Ano passado fui em uma palestra da Sel e da Gabriela, founders da Mandala Integral Parenting e saí de lá querendo ficar melhor amiga delas para nunca mais fazer nada sem perguntar se to fazendo a coisa certa com as crianças, all day, everyday. Acho que elas não iriam me querer como bff e fora que eu com certeza iria fugir de perto quando fizesse algo errado, porque né, todas nós estamos apenas sobrevivendo quando se trata de pequenas criaturas, e a gente erra o tempo todo. Anyway, a Mandala é uma empresa de ensinamento e conhecimento. Com muito conteúdo, elas orientam, escutam e trocam ideias com pais e educadores sobre como conduzir o dia a dia com as nossas crianças. São palestras e cursos que podem ajudar a diminuir os nossos erros e se conhecer, para daí ser a melhor mãe que a gente puder.

Q

Sel e Gabi, o que vocês faziam antes da Mandala?

A

Eu (Sel) e a Gabi, nos conhecemos grávidas e logo descobrimos que nossas histórias de vida tinham diversos pontos em comum.

Nós duas nos jogamos no mundo e fizemos carreira fora do Brasil.  Ela como modelo, apresentadora e também dona de uma galeria de arte e eu como estudante, psicóloga e executiva em uma multinacional.

Apesar dos mundos parecerem distintos, os impulsos que nos levaram a esse movimento foram os mesmos: uma necessidade de fazer diferente, de sentir-se livre, de crescer, de conhecer outras culturas, experimentar e aprender, aprender e aprender...

Somos aprendizes da vida e tendemos a viver intensamente o momento presente.

Hoje esse momento é a maternidade! Ela nos mostrou nosso lado acolhedor, que se preocupa com o outro, que se entrega, que se doa…lindo, não é?

Mas nos demos conta que ao nos doarmos esquecemos de nós mesmas.

Em determinado momento, após o nascimento do meu primeiro filho senti um vazio e voltei a estudar psicologia, que já era minha formação. Mergulhei em um mundo de terapias, vivencias e formações e percebi o quanto cada pequena transformação que eu vivia, tinha um impacto enorme nas minhas relações com meu marido, filhos, pais, irmãos e etc.

Estava acumulando muito conhecimento e algumas amigas, entre elas a Gabi, pediram para eu organizar um conteúdo e compartilhar. Foquei na relação pais e filhos e montei o curso que hoje chama Espelho Meu Espelho Seu – um convite para os pais compreenderem seus filhos através de si mesmos.

A Gabi que na época estava construindo o Namu, um portal de qualidade de vida, participou da primeira turma e de lá para cá não paramos mais.

Hoje somos sócias na Mandala Integral Parenting

Q

Vocês tem filhos? Qual a idade deles?

A

Sim, eu (Sel) tenho um menino com 6 anos e uma menina com 4 anos.

A Gabi tem um menino (meu genro!) com 4 anos e uma pequenina com 4 meses.

Qual o papel de cada uma na Mandala?

Na Mandala temos funções bem complementares. Eu sou “mais para dentro” e fico responsável por conteúdo, facilito os cursos, workshops, encontros, reencontros e palestras. A Gabi é mais “para fora”, constrói parcerias, procura oportunidades e coordena os eventos.

Q

O que é a Mandala Integral Parenting?

A

A Mandala Integral Parenting é um convite! Nossa intenção é elevar o nível de consciência de mães e pais sobre os impactos que nossas atitudes e emoções causam no desenvolvimento da personalidade de nossos filhos. Algo que quem não estuda psicologia ou passa por anos de terapia realmente não tem como saber.

A maternidade/paternidade nos expõe. Revela ao mundo tudo aquilo que durante a vida tentamos esconder, como nossas inseguranças, irritabilidades, medos, angustias e incertezas. Sem perceber, passamos tudo isso para nossos filhos.

Q

Como surgiu a ideia de criar a Mandala?

A

Foi um feliz encontro entre alguém com muita vontade de compartilhar e pessoas com muita vontade de escutar, trocar e aprender. Hoje estamos na 15 turma do curso Espelho Meu Espelho Seu e a cada feedback que recebemos temos a certeza que estamos no caminho certo.

Q

Quais os principais questionamentos dos pais?

A

Não saber lidar com as emoções e sentimentos negativos que surgem na relação com os filhos; como a culpa, a falta de tempo, a irritabilidade, o cansaço, a inconsistência entre o casal, as birras e manhas das crianças, os surtos de raiva dos filhos e assim por diante.

Q

Com a troca que vocês têm com os pais, acham que estamos indo bem ou não temos ideia do que estamos fazendo? Pergunto como mãe =)

A

Pergunta delicada…mesmo os que "fazem bem" ou "os que não tem ideia do que estão fazendo", muitas vezes, não tem a consciência do porquê agem assim e do impacto de suas ações e reações sobre as crianças. No geral, a minha visão é que somos ignorantes emocionalmente, agimos no automático, repetindo padrões e transmitindo nossas emoções para as crianças o tempo todo.

Queremos filhos calmos e equilibrados mas vivemos em um contexto agitado e conturbado. Queremos filhos que não gritem mas levantamos a voz o tempo todo. Queremos que sejam felizes e poucas vezes nos sentimos assim.

Idealizamos demais, isso gera muita frustração.

Q

Hoje recorremos a informação todos os dias para tomar qualquer decisão. Internet e grupo de amigas que parecem reunião de conselho. Como usar esses meios de uma maneira mais inteligente e menos frustrante?

A

Temos a falsa impressão que estamos conectados mas no fundo nos sentimos sozinhos e desamparados porque aprendemos a desconectar de nós mesmo, ignoramos nossa intuição, nosso instinto. Tendemos a buscar as respostas fora e não damos conta que elas na maior parte das vezes estão dentro. Acredito no instinto materno, percebo que nós mães, muitas vezes sabemos o que está se passando mas não nos escutamos.

Q

Eu sinto que a quantidade de informação precisa ser filtrada, mas mesmo assim, como saber que estamos sendo fieis a nós mesmas na hora de tomar decisões pelos nossos filhos?

A

SENTIR é a resposta. Perguntar para si mesma “como me sinto com essa decisão?” As vezes entro em fases com muito trabalho e sinto meu coração apertado, nessa hora sei que tenho que remanejar as coisas para conseguir amenizar esse sentimento.

Q

Vocês têm a cartilha de como fazer as coisas funcionarem melhor. Existe um policiamento maior dentro de casa?

A

Não há receita de bolo, sempre nos pedem apostilas durante o curso e acreditamos que cada um irá absorver aquilo que lhe fizer sentido. Dizemos que o lema da Mandala Integral Parenting é “Sentir dá Sentido”.

Durante nossos encontros, os pais se deparam com diversos sentimentos e as fichas começam a cair. Assim se dá a tomada de consciência e em consequência disso as coisas funcionam melhor. O policiamento ao meu ver, é interno, vivemos com uma voz de polícia dentro da gente nos julgando e nos culpando todo o tempo. Tal voz perde força quando passamos a observá-la, ao invés de ouvi-la.

E assim as relações começam a fluir.

Q

Falem a verdade, vocês nunca saem do serio?

A

Claro que sim! Somos humanas. Procuro ao máximo não me colocar nesse lugar de mãe calma e equilibrada 100% do tempo, busco ser verdadeira comigo respeitando meus limites para não explodir com as crianças. Expresso meus sentimentos para as crianças e assumo responsabilidade sobre eles. Incentivo as crianças a fazerem o mesmo.

Q

Uma dúvida minha que deve ser de muita gente: quando dar acesso aos eletrônicos para os pequenos? Eu ainda não liberei, meu mais velho tem 3 e nunca fica brincando com celular, iPad. Eu sou bem heavy user e não quero que eles sejam assim, acho que por isso seguro ao máximo. Mas acredito que existam programinhas bacanas e adequados. Ou não?

A

Acho que usar o bom senso é a resposta. Enquanto não souberem que existe, não sentirão a menor falta. Não sou contra eletrônicos desde que usados sem exageros, desde que exista um equilíbrio entre as atividades físicas e cognitivas.

Criança é sinônimo de movimento.

Q

Como vocês organizam a rotina de trabalho com as crianças? Existe um padrão ideal ou o ideal é o que funciona para cada família?

A

Sem dúvida o ideal é o que funciona para cada família, tem pais que conseguem se conectar muito bem com as crianças quando passam a maior parte do tempo fora e outros quando passam a maior parte do tempo com os filhos. Tem uma frase que diz: pais felizes, filhos felizes.

Se trabalhar nos faz bem e conseguimos ter um tempo razoável com os filhos, esse “bem estar" é transmitido para as crianças. Esses dias conversando com um monge tibetano perguntamos a ele: “quando as crianças devem começar a meditar?” e ele nos respondeu: “as crianças? Quem deve começar a meditar são os pais, para que as crianças usufruam do efeito dessa meditação! Posteriormente por vê-los meditando, se interessarão pela meditação.

Em minha opinião isso se aplica à nossa relação com o trabalho. Ao nos relacionarmos bem com o trabalho transmitimos isso às crianças.

Q

Quais os programas favoritos para fazer com as crianças em São Paulo?

A

A palavra criança vem do latim creantia, que significa criar, fazer crescer.  Criança precisa de espaço livre para explorar, para criar, para imaginar. Costumamos deixar a criança ocupada o tempo todo. Em minha época enfrentávamos filas enormes sem celular, viagens longas de carro sem ipad, esperávamos horas em um restaurante sem ter o que fazer. Já ouviu falar do "ócio criativo"? Tem um termo também chamado “vazio fértil”. É nesse contato com o vazio que temos grandes ideias e insights surgem. Os programas em São Paulo são inúmeros e todos são válidos: parques, natureza, ciclo faixas, cinemas, teatros, exposições, zoológico, fazendas, aquário e etc. O importante é equilibrar os programas com tempo livre.

interviewsRosa Zaborowsky