Sobre ser boa no que faz

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Quando eu era pequena, meu goal outfit era jeans, camisa branca e terninho azul marinho. Era os anos 80 e esse era o look das mulheres mais velhas e independentes, e quando eu me imaginava assim tava sempre vestida desse jeito. Eu ainda não tinha ideia que para ser independente eu precisaria trabalhar e sair da casa dos meus pais, mas o look eu já tinha. E o trabalhar de verdade demorou muito pra acontecer, muito mais do que eu gostaria.

Mas eu sempre "fiz alguma coisa". Eu sempre achei o máximo histórias empreendedoras que começaram lá atrás, tipo vender limonada. Conto a minha com maior orgulho: vendia acessórios na praia. Chegava final do ano, ia para a 25 de Março com a minha irmã e a Tutu (uma amiga querida) comprar missanga, fio de nylon e fecho de bijou pra fazer pulseira, colar, brinco, tornozeleira e tudo mais que a criatividade mandasse. Final de semana a gente colocava em um mostrador e ia andando por Cambury e pela Praia da Baleia vendendo nossas peças, era o máximo, sempre vendíamos tudo.

E sempre achei que para empreender você precisa ter coragem, precisa sempre dar o primeiro passo. Eu nunca tive medo de passar vergonha, de pedir ajuda ou de falar o que eu precisava para as pessoas. Pelo Twitter eu descolei uma reunião na Tory Burch em NY pra falar sobre trazer a marca pra cá  (claramente não deu certo, mas rendeu uma viagem pra NY, nada mal) e também pelo Twitter descolei meu primeiro emprego no mundo do e-commerce, lá no E-closet. Guts eu sempre tive.

Depois de ter passado três anos trabalhando na minha marca de papelaria personalizada, decidi que queria mudar de área e talvez ganhar dinheiro de verdade e me encontrei no e-commerce. E foi trabalhando sério que vi como fazia tudo errado com a minha papelaria. Eu não tinha experiência profissional nenhuma, não sabia nem calcular margem, perdi dinheiro e não sabia muito bem como mudar esse cenário.

Quando fui para o E-closet, não fui com um plano maior. Queria aprender. E isso em um lugar que juntava duas áreas que sempre amei (moda e tecnologia) era um dream job. Aceitei um salário e um cargo de estagiária pra poder começar e não me arrependo. Amei ter trabalhado lá, foi o que abriu caminho para eu montar um mini e-commerce estilo Enjoei onde faturei super bem me desfazendo do meu closet, mais pra frente para a Dafiti e depois para a minha consultoria.

Foi muito bom ter passado por empresas tão diferentes que fazem a mesma coisa. O E-closet trabalhava com um nicho de mercado e a Dafiti quer trabalhar com o mercado inteiro. Ficou bem claro pra mim que não tenho o perfil pra trabalhar com o mercado inteiro. Eu sou muito detail oriented, mas quando o negócio é grande demais, os detalhes acabam representando pouco do todo.

Tenho certeza que contribuo muito mais trabalhando com quem é pequeno. Eu gosto de nicho. Consigo entender muito mais da marca, do público e do serviço trabalhando assim.

Mas eu tinha uma visão bem distorcida de que para empreender você só pode seguir um caminho. Ficava frustrada por não fazer parte do mundo das startups, os discursos estilo "você pode, basta querer"  me faziam mais mal do que me estimulavam e ficava quebrando a cabeça pensando em business mirabolantes para cumprir um papel que eu achava que era o ideal.

Hoje, especialmente depois de uma entrevista que fiz para o site da Sabrina Sato (sou diretora criativa do site dela) e de um almoço super esclarecedor com uma concorrente que virou amiga, tenho certeza que fiz as melhores escolhas em focar em conteúdo criativo, ecommerce e consultoria para small business e no Lolla. Aceitei que existem várias formas de empreender e "dar certo" pode significar várias coisas. Eu determino as minhas metas. Tenho três filhos e quero encaixar meu trabalho na minha rotina. E acima de tudo, o que eu faço tem que ser saudável.

Enfim, foi tão enlightening parar pra pensar em tudo isso. To empolgada para os próximos projetos!

Qual foi o momento que você se deu conta de que estava fazendo as coisas do jeito certo? Adoraria ouvir histórias de quem finalmente aceitou e seguiu seu caminho, que era o único que daria certo anyway
Workby Rosa Zaborowskywork