Sobre Viajar Sozinha: Dicas, livros e inspirações pra você apenas ir.

Helena Vilela em Mykonos, na Grécia.

Helena Vilela em Mykonos, na Grécia.

Como eu acredito que o universo conspira com o que queremos, eu sempre me pego ensaiando como seria minha apresentação no TED, e sempre que que faço isso uma frase que uso é: “Tudo começou com a Pocahontas, a versão da Disney é claro. Minha paixão por viagens começou quando uma noite ouvi a história dela antes de dormir, logo após eu olhei para minha mãe e disse: ‘eu também quero ir para a Inglaterra’”. Se eu sabia o que tinha na Inglaterra? Não. Se eu sabia onde era aquele lugar? Também não. Eu só sabia que eu queria chegar lá. 

Depois da Pocahontas veio a Lena Kaligaris - do filme “The Sisterhood of the Traveling Pants” - e tantos outros personagens me instigando a elaborar uma lista com lugares para visitar e coisas para vivenciar. Na sequência conheci pessoas reais que viajavam por aí e me inspiraram muito... Estes amigos me mostraram que conhecer o mundo era algo possível, assim como me apaixonar mais ainda por tantas culturas, amar e respeitar cada pedacinho dele. Por último conheci Cheryl Strayed (autora do best seller “Livre”) e Elizabeth Gilbert (autora de “Comer, Rezar, Amar”), que me mostraram como alinhavar esses dois mundos: o da escrita e o das viagens. 

Posso dizer que comecei a treinar para viajar sozinha desde cedo, por meio de pequenas atividades e movida sempre pela curiosidade que me instigava a ler, pesquisar, estudar outras línguas, sair para comer sozinha (como já escrevi no post Table for one, please), aprender a usar o transporte coletivo entre cidades... A primeira vez que viajei de ônibus sozinha assim eu tinha 13 anos, acho que hoje isso nem deve ser permitido, mas foi um aprendizado e tanto. 

Tudo isso me preparou para o que estava por vir. A primeira vez que viajei sozinha ao exterior foi aos 22, quando fui para a Índia. Se eu já tinha experimentado estar sozinha durante uma viagem com amigos ou outras pessoas? Sim. No entanto, entrar em um avião sozinha sem saber como seria ou quem eu encontraria no caminho, essa foi a primeira vez, uma semana após o último dia de aula na faculdade de arquitetura. 

Se você perguntasse àquela garota que passou 5 horas sozinha no aeroporto da Etiópia, a caminho da Índia, o que ela sentia, ela diria: “Medo”. Se você perguntasse à mulher que estava sozinha em Chicago no último mês de Dezembro o que ela sentia, ela responderia: “Liberdade”. Esse amadurecimento aconteceu de uma forma natural. Não vou dizer que o medo sumiu, mas ele não domina mais o cenário. Antes da Índia contei com a ajuda de um livrinho chamado “Sozinha Mundo Afora” (Mari Campos, Ed. Verus, 2011), nunca me esqueço de como a autora falava sobre a experiência do estar sozinha nos mínimos detalhes. Às vezes ainda me pego lembrando dos conselhos dela, mesmo quando não estou viajando. 

Viajar sozinha não significa que você vai ficar sozinha o tempo todo, mas sim que você vai precisar encarar certas situações em sua própria companhia e que você está bem com isso. Na época da faculdade uma amiga disse que se admirava com o fato de eu não esperar ninguém para fazer o que queria, se eu quisesse fazer algo eu ia lá e fazia. À época tinha inaugurado um café novo na cidade, ela estava louca para ir mas esperava companhia, e eu fui... Sozinha, num dia qualquer após a aula de francês. Imaginem, se eu não conseguisse sair para tomar um café sozinha, como eu iria conhecer o mundo? 

Existem pessoas e pessoas, e eu respeito as diferenças, no entanto sou alguém que não se conforma em ver a paralisação do outro diante de certas atividades que deseja fazer pelo simples fato de não ter companhia. Com cautela, atenção e calma é algo possível. Comece aos poucos: uma caminhada pela rua, um café, um drink num bar… quando você se der conta vai ouvir suas amigas dizendo: “Por que você não me chamou?”. Confesso que isso acontece muito comigo. O mundo está à disposição daqueles que tem a coragem de conhecê-lo. Go explore!