The Case of Brandless Shopping

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No dia 19 de fevereiro, quando faleceu Karl Lagerfeld, centenas de imagens e frases ditas pelo mito do mundo fashion choveram em nossas timelines. Dentre tantos dizeres, um que me chamou a atenção: “Elegância é uma qualidade física. Se a mulher não tem nua, nunca terá vestida”. São palavras realmente provocativas, vindas justamente da boca do diretor criativo de uma das marcas mais poderosas e desejadas do mundo.

Compartilho desse pensamento. Mas a verdade é que são muitas as pessoas que se “apoiam” em marcas fortes e super apreciadas. Sentem-se mais confiantes, com a ilusão de uma elegância garantida.

Por outro lado, o movimento brandless (produtos sem assinatura de marca) vem ganhando espaço. Gosto de pensar que a autenticidade se sobressai. Pessoas fazem suas escolhas com apreço genuíno pelo produto. Identificam-se com ele e acreditam no valor que ele soma ao seu estilo. Critérios que, na minha opinião, deveriam prevalecer sempre no ato da compra, mesmo na aquisição de uma peça de luxo

Não precisamos ir muito longe e falar de lojas que comercializam produtos de vários segmentos totalmente sem marca como a M/F People, Brandless e Italic. Mesmo marcas que têm história para contar e grande valor em estampar suas iniciais têm optado por não ostentarem.

Uma que pessoalmente adoro é a Mansur Gavriel. Seu nome vem minimamente estampado em suas peças de design também minimalista. É dessa autenticidade sobre a qual eu falava. A ideia de ter uma bolsa simplesmente porque sua cor tem tudo a ver com você ou com a roupa que veste. Porque a simplicidade de seu desenho também lhe agrada e colabora com a mensagem da sua personalidade. (Side note: esse texto ficou pronto antes deles anunciarem a primeira bolsa logo da marca).

Estava em Londres no ano passado e me interessei por uma bolsa na vitrine da Sonia Rykiel. Achei muito charmoso seu desenho quadradinho. Diferente de tudo que eu tinha. Eu já queria uma bolsa branca, tendência que eu vinha acompanhando, e foi essa a que me chamou mais a atenção. A exposição da vitrine também foi grande aliada para meu interesse. Eram várias as cores, todas penduradas em fileira. O conjunto era lindo. Mas foi quando entrei na loja e encontrei uma pilha de paralelepípedos ao centro, que fiquei encantada. Entendi que a coleção homenageava os 50 anos da marca, com sua primeira loja em Paris. O paralelepípedo é um símbolo revolucionário na França, atingindo seu ápice em maio de 1968, nas mãos de estudantes da margem esquerda revoltando-se contra o status quo. Aquela bolsa tinha história e isso, para mim, agregou ainda mais valor à peça. Com um discretíssimo SR, a bolsa não ostenta sua marca. Mas minha identificação com ela é suficiente. Uso com muito prazer e sempre tem quem pergunte de onde ela é.

Esse foi só um exemplo de como é gostoso quando a personalidade consegue falar mais alto. Como é bom quando encontramos aquilo com o qual nos identificamos e que nos faz sentir bem.

Mas somos todos seres humanos, cheios de desejos e contradições. Você pode ter toda elegância e personalidade sem roupa como disse Lagerfeld, mas difícil quem não se sinta poderosa com aquela bolsa inconfundível de matelassê, ou com o casaquete de tweed e camélias nos pés. Em mais uma declaração, Karl Lagerfeld admitiu “Bolsas luxuosas fazem a sua vida ser mais prazerosa, fazem você sonhar, dão autoconfiança e mostram aos outros que você está indo muito bem”. E então?