The Lolla Chat Room: O lançamento da A. Niemeyer com a Riachuelo.

lolla-chatroom.jpg

Há 10 anos atrás, quando as primeira collabs começaram, parecia algo genial "como ninguém pensou nisso antes?". O significado de ansiedade tomou novas proporções na espera do lançamento de collabs como as da H&M, que saiu na frente e coleciona sucessos, como as collabs com a Balmain e Stella McCartney. Eu mesma já perdi algumas madrugadas tentando comprar pelo ebay peças dessas collabs por um preço muito maior do que o vendido nas lojas físicas. Me lembro de uma foto que circulou na internet logo depois do lançamento da linha da Target com a Missoni, uma mulher americana foi com a toda a família na Target e comprou um número absurdo de produtos, esgotando boa parte da linha para poder revender mais caro no ebay depois, uma estratégia que legalmente, não tem muito o que fazer.

Mas para quem são essas collabs? Penso que são para as próprias clientes das marcas, mulheres que adoram a A. Niemeyer (e eu me incluo nesse balaio), que curtem o estilo, a modelagem, o DNA e abrem mão da qualidade oficial para ter peças da collab, pagando um ¼ do preço. Eu não vi os produtos ao vivo, mas me rendi às compras online. Comprei duas malhas e um top que só vão chegar na semana que vem.

Não vejo como de fato uma democratização da moda, acho que esse é o efeito na superfície. Logo que acabou o desfile (vi pela internet), entrei no site pra comprar. Fiquei ansiosa, abri diversas abas de produtos que passei o olho e gostei e no desespero de esgotar, fui colocando tudo no carrinho. Mal pensei em escolher tamanho ou ler a composição, só queria garantir o meu antes de alguma garota mais rápida que eu. Fui agilizada pra tirar do carrinho tudo que eu não queria mais sem ter tempo de escolher muito, até que me deparei com um top, que são as peças da A. Niemeyer que eu mais uso e achei inteligente comprar por R$60 (na loja da marca custa tipo R$300). Eu não conseguia adicionar ao carrinho! Dava refresh na página continuamente e nada acontecia! Eu só imaginava que alguém que estava com as mesmas peças que eu no carrinho dela seria mais rápida, send help! Finalmente o site me obedeceu, e até agora não tenho ideia de que tamanho eu comprei. Que cena deprimente. Fiquei com vergonha da minha saga, agradecendo por estar sozinha com meu computador sem ninguém para assistir esse espetáculo da minha ansiedade consumista.

No chatroom do Lolla, uma das meninas contou que no lançamento da Paula Raia, também com a Riachuelo, era uma gritaria, uma confusão de mulheres por peças de roupa que parecia carregamento de ajuda humanitária. Lembro de uma foto no Instagram na data do lançamento, de uma cliente que comprou a loja inteira e tirou foto do porta-malas lotado de sacolas. Uma das meninas do Lolla foi na Riachuelo ontem, o relato dela foi exatamente deste outro texto sobre delírios de consumo e o comportamento desesperado de mulheres por uma compra "esperta". E eu virei uma dessas mulheres desesperadas, virtualmente. Mas desconfio que se estivesse na loja física, não teria entrado nessa.

Abri meu whats, meus grupos bombando com minhas amigas contanto sobre as sua experiências de compras em collabs anteriores. Me lembro que na vez da Paula Raia X Riachuelo, não tive a mínima vontade de comprar nada. Eu nunca comprei na Paula Raia, acho incrível o trabalho dela, mas infinitamente caro. Eu tenho meus momentos de splurge, mas reservo eles para sapatos, bolsas, jeans, casacos e sweaters. São as únicas categorias que ouso gastar mais do que o aceitável porque pela lógica, são peças que vou usar infinitamente mais no meu dia a dia e são praticamente eternas. É onde reforço meu ponto, acredito que essas collabs são principalmente para as clientes da marca ou para clientes em potencial que quase compram, e quem sabe essa é uma porta de entrada. Não sei se o público que consome Riachuelo porque não tem a opção de comprar uma peça na A.Niemeyer, se empolga tanto quanto o cliente A. Niemeyer.

E a collab ainda escorregou em alguns pontos. R$300 (preço médio das peças mais elaboradas (saias, sweaters, etc) para uma peça de roupa da Riachuelo não é necessariamente acessível. Os sweaters mais caros, da marca própria, que estão hoje no site custam R$139. E poucas peças foram feitas no tamanho G.

A questão dos tamanhos acho que nem dá mais para ser debatido, é necessário apenas fazer algo em relação a isso. A própria A.Niemeyer é uma marca que tem uma grade de tamanhos maior nas lojas, não faz sentido não oferecer a mesma diversidade de tamanhos na collab. Imagino que questões de produção e desenvolvimento barraram a viabilização, mas uma grade P e M para algo dessa proporção que supostamente seria democrático, precisa ser repensada.

Vejo como um marco as marcas que chegam lá, e esse crescimento traz uma super responsabilidade, como em qualquer negócio.

Sigo aguardando ansiosamente pela minha encomenda, e um pouco confusa com meus sentimentos em relação a tudo isso. De certa forma, me sinto errada por ter me rendido ao desespero consumista com medo das peças acabarem (o que de fato aconteceu, o site está praticamente esgotado), mas por outro lado sou admiradora e cliente da marca, e também queria ter esses produtos no meu armário.

White girl problems, I know. Anyway. Quem comprou? Não comprou? O que acharam? Vamos debater.