Thelollagirls newsroom: A Gente Debateu O Triste Fechamento da Revista Elle Brasil

A gente debateu sobre o fechamento da Revista Elle, dos outros títulos da Editora Abril e sobre o futuro do impresso. 

Rosa Zaborowsky: Hi Girls! Let's?

Helena Vilela: Let's! - Eu fiquei mto chateada, meninas! Adorava a forma como elle abordava alguns temas... E a capa do espelho? Nunca esquecerei, nem a das artes.

Roberta Drable: Fico muito triste e lamento que cada vez ficamos mais sem fontes de conteúdo bacana.

H.V. Sim!! Eu amo uma sessão sobre comportamente q a elle portuguesa tinha. Sentia ate falta dela aqui... mas n deixava de me fazer querer a revista por isso, sabe?

R.Z. Eu fiquei mais chateada pelo momento da revista, eles foram pioneiros em abordar temas polêmicos em uma revista de peso como a Elle.

H.V. Sim!! Alias, @alegarattoni acabou de falar sobre tb. Se definiu como “em luto”. 

R.Z. Então, penso algumas coisas: Eu parei de comprar a Elle há alguns meses (eu sigo sustentando as bancas da cidade e compro muita revista), sinto que deixei de ser o target da revista de certa forma. Mas atribuo isso a uma mudança em mim, que me interesso menos hoje em dia pelo universo da moda em si e muito mais por conteúdo de lifestyle. E vejo o conteúdo deles bem voltado para a moda conceitual, o que acho maravilhoso, mas restrito. O conteúdo mesmo de moda mudou tanto com a internet, deixou de ser aquela coisa distante e restrita que só quem fazia parte da indústria tinha a licença para falar e discutir. Até o projeto gráfico, que é lindo, ficou bem artsy. O triste é que isso não se sustentou dentro da estrutura da Abril.

Maria Ruth: Mais de 600 pessoas demitidas.

R.Z. Bizarro eles não estarem com um plano de digitalização de todos esses veículos para não deixar eles morrerem...

H.V. Então, mas eu vejo q essas mudanças em algumas revistas tem mesmo mexido com o público, né?

R.Z. Esperado isso né?

M.R. Eu fiquei chatiadissima! Eu estava achando a Elle num momento tão incrível. Mais ousada, sem medo de sair da caixa. Sem contar os jornalistas. Que eu achava eles incríveis, com mais conteúdo sabe?

R.Z. Eu acho que o público da Elle ficou mais jovem, mais engajado, mais politizado, mais antenado e está em outros lugares - e principalmente na internet. São todas essas meninas corajosas com projetos de conscientização sobre machismo, comportamento e feminismo acima de tudo

M.R. Mas eu acho que ele estava tentando acompanhar.

R.Z. Também acho! Mas parece que isso foi ignorado pela diretoria, porque vendo de fora, parecia ter um espaço gigantesco para crescer. Vocês liam? Alguém assina?

M.R. Já assinei! Mas hoje entro na revista digital. 

H.V. Eu sou meio relapsa com revistas pela falta de tempo, confesso... A vida acadêmica me suga. Há uns anos optei por ficar com a Glamour americana e a brasileira, mas não consegui manter a primeira pela falta do hábito de ler online, sabe? Recentemente parei de ler a brasileira porque não quis renovar por conta da viagem. Acompanho as notícias e leio algo picado na internet. Estava assinando a Vogue também, mas desisti por conta da quantidade de anúncios publicitários, era quase promo Vogue, né? Gostava de acompanhar a Elle pq foi uma das primeiras que comecei a ler... mas não assinava, comprava uma ou outra. 

Giulianna Iodice: Agora eu posso falar! Concordo muito com a Rosa e sobre essa mudança na Elle, e achei incrível, eles andavam acertanto muito nas capas e também no conteúdo editorial, acho que de certa forma eles estavam vendendo a "realidade". Explico: colocando modelos fora do padrão, trazendo pautas como genderless, ageless.. trazendo isso pro foco e pro debate. Sabemos quem é a outra grande revista de moda no BR - também gosto muito dela - mas se compararmos as duas, a Elle de fato deu muito mais a cara a tapa e saiu do convencional...

G.I. Agora sobre a decisão de encerrar um título tão estabelecido globalmente, eu que sou uma baby e to nesse mercado, vivo nesse pavor desde que entrei na faculdade (em 2013) e a verdade é bem clara: ninguém sabe pra onde isso tá indo e como sobreviver a esse momento tão incerto. A migração pro digital não é nada fácil, os profissionais que já estao faz tempo no mercado e são mega conceituados estao nadando nesse barco junto com quem tá começando agora. E nessa da Elle e dos outros nove titulos da Abril, alem das reduções das redações que, profissionais de todos os "niveis" ficaram literalmente sem teto... é bem triste.

R.Z. Eles trataram como um cenário sem perspectiva nenhuma, o que como leitora, não faz sentido nenhum. consigo ver a marca ELLE em tantas funções. Muito triste.

G.I. Sim, a Conde Nast ta nadando melhor nessa onda de diversificar - eventos, parcerias.. e não puramente ver a morte de publicidade no impresso como o estopim pra fechar o veículo. 

R.Z. Eu acho que isso tem muito da equipe (de gestão) da Abril x Conde Nast.

G.I. Total... e assim, sempre teve público pra ambas. Muito diferentes. E tem espaço pra todo mundo... claro que é necessário se reinventar. 

R.Z. Mas acho que eles perderam o timing lá atrás e não deve ter tido muito interesse comercialmente falando. 

H.V. E foram muitos títulos de uma só vez..tipo, muitos públicos. "A lista completa das publicações que deixam de existir: Arquitetura e Construção, Boa Forma, Casa Cláudia, Cosmopolitan, Elle, Mundo Estranho, Minha Casa, mais os sites Casa.com, Educar para Crescer e Bebe.com."

R.Z. Sim! Fluxo financeiro insustentável.

H.V. Isso q me impressiona... estamos falando da Elle.. mas são vários.

R.Z. Sim, sim. São vários. Mas a Elle de certa forma é a que mais choca pelo peso internacional.

H.V. Será q existe a possibilidade, (eu realmente não sei, mas me pergunto) de outra editora tentar manter a Elle?

R.Z. Eu pensei nisso! Beta, você sabe?

R.D. Sim! Outro pode negociar a licença...Foram em torno de 800 funcionários. Fico muito triste porque o conteúdo da revista era muito rico e te fazia parar para pensar, as pautas eram muito atuais, não será só um desfile de labels inacessíveis, sabe? 

G.I. Então, eu não sei como era o acordo da Elle com a Abril. Mas outro publisher ou editora pode trazer o titulo sim.. franquia.

R.Z. Eu acho que isso vai acabar acontecendo, vou torcer muito!

G.I. Espero que sim!

R.Z. Eu acredito muito mais que é uma questão de gestão da velha guarda do que do público da Elle. 

R.Z. Mas vocês são céticas com revistas? Acham mesmo que vai acabar? Não consigo viver em um mundo sem revistas.

H.V. Eu também não, Rosa. Não me adaptei ao mundo digital ainda. Livros no kindle? Só em viagens ou pdfs de pesquisa. 

R.Z. Nem eu! Já tentei.

G.I. Gente eu acho que vai ser muito híbrido o futuro.. não acredito na morte do impresso.

H.V. Gosto do papel, sabe?

R.Z. E paperback por favor, nada de capa dura. Capa dura só quando a minha ansiedade tá no high e quero o livro agora. haha capa dura só tem efeito na estante. 

H.V. Também acredito nisso. Não consigo imaginar um mundo sem impresso. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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