Women Behind the Brand: Alê Garattoni

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Que nostálgica foi essa entrevista! A Alê Garattoni, pioneira dos blogs de moda e lifestyle, fez eu sentir uma saudade tão grande de um momento em que a internet dava pra gente um senso de comunidade que eu nunca tinha encontrado em nenhum lugar do mundo físico. Já falei sobre isso antes e continuo com a teoria de que a internet é o único lugar que a gente se sente livre pra ser verdadeira com a gente mesmo e é daqui que surgem amizades e conexões com gente de lugares e gerações diferentes das nossas, mas com alma igual. O It Girls, antigo blog da Alê, era leitura obrigatória e era nos comentários que essa comunidade crescia. Foi lá e no extinto, polêmico e saudoso De Chanel na Laje que eu formei meu grupinho de amigas da web que migraram pra vida real e que carrego até hoje. Era uma época em que tudo era permitido, estávamos descobrindo o que era cool em termos de moda e comportamento na base do erro e acerto. Foi o jeito que a gente encontrou de tornar o conteúdo de moda mais democrático e menos blasé. Deu pra matar um pouquinho a saudades e conhecer um pouco mais sobre a blogueira por trás do It Girls que hoje trabalha com branding na AG Branding e segue sendo blogueira, do Alê Garattoni.

Q. Eu sou órfã confessa do It Girls. Aquela época de alguns poucos blogs de moda me da uma nostalgia... amava as montagens, os posts must have sem medo do politicamente correto e mais do que tudo, lá era onde a gente debatia. Sinto muita falta de ter um lugar, que seja virtual, pra trocar ideias, pautas, dicas, etc. Você deve ouvir isso todo dia né? 

Eu também sou um pouco orfã do It e dessa fase tão deliciosa dos blogs e neste ano estou especialmente nostálgica, porque ele completa uma década – comecei em 17 de dezembro de 2007, nunca esqueço a data! O que mais sinto falta é da despretensão. Lá atrás, ganhar dinheiro com blog não era uma possibilidade, então as pessoas que faziam estavam nessa por paixão mesmo. Mas é super natural que uma área ganhe destaque e atraia mais gente, incluindo os que vêm apenas atrás dos bons resultados. Acho que o maior boom já passou e me arrisco a dizer que a era dos blogs está voltando. Claro que nunca serão os números estratosféricos que vemos em redes rápidas como o instagram, mas ainda tem muito leitor atrás de conteúdo e inspiração sim.

 

Q. Onde você acha que essas coisas se perderam? O que houve com o conteúdo? 

Não sei se se perderam, acho que é uma transição natural. A comercialização surgiu e acho super merecido que blogueiras ganhem dinheiro mesmo, pois elas movimentam milhões e vendem muito por conta de suas dicas. Lá atrás, as marcas começaram a querer comprar posts em troca de mini-rímel e eu na época até me meti em confusão querendo comprar essa briga (porque sabia que aquilo valia muito mais!). Em uma consequência natural que já aconteceu também com outros veículos, a monetização tira a espontaneidade e até parte da credibilidade, claro. O conteúdo passa quase a segundo plano. Nunca entendi por que essa perseguição tão ferrenha com as blogueiras, sendo que as revistas desde sempre publicam muito mais matérias patrocinadas e/ou com envolvimento comercial sem sinalização. O leitor leigo nem costuma saber, mas até as capas costumam ter dinheiro de marcas envolvido. E não faço aqui nenhuma crítica, todo mundo precisa ganhar dinheiro!

Q. Onde você se encaixa hoje em dia no mundo das bloggers? 

Eu sou e sempre serei blogueira! Existem mil estereótipos e mal-entendidos, mas na minha concepção quem escreve um blog é blogueira. O meu é um hobby, uma válvula de escape exatamente como era em 2004, quando criei o meu primeiro.

 

Q. O que você preenche na ficha do hotel em occupation? 

Administradora, para fazer valer os cinco anos que passei na faculdade!

 

Q. Conta mais sobre o Amo Branding? Como você teve a ideia e construiu esse projeto? 

Eu me apaixonei por branding no fim dos anos 90, quando estava na faculdade, e isso sempre guiou – instintiva ou estrategicamente – os meus passos profissionais e até pessoais. O It foi possivelmente um dos primeiros blogs a virar marca, lancei produtos com a logo, fiz eventos, livro Tudo isso era pensado. Desde essa época, aliás, eu escrevia um pouco sobre branding. Há uns quatro anos, intensifiquei o volume de posts que traduziam o assunto de forma mais didática e divertida, com exemplos práticos, porque sempre achei a bibliografia muito chata e técnica. Vi que mais pessoas se interessavam e entendi que estas estratégias podiam ajudar pequenos empreendedores e profissionais liberais. Pra mim era tudo muito óbvio, porque eu fiz faculdade de administração e me especializei em marketing, mas para uma grande maioria eu percebi que eram dicas que faziam a diferença. Assim, oficializei minha marca de “democratização de branding”!

 

Q. Quais os planos para o futuro do AG Branding? 

Ainda neste ano quero lançar os workshops online. Tenho o maior orgulho de dizer que nestes três anos de empresa mais de 1.000 pessoas de várias cidades do país participaram das turmas presenciais, mas sei que para muita gente é difícil vir a São Paulo. Resisti a este formato exatamente por eu vir do online. Agora a marca já está posicionada e eu desejo poder focar mais em escrever, que é minha maior paixão, então o modelo digital é o foco do segundo semestre. 

 

Q. Onde você busca inspiração? 

Parece clichê, mas a verdade é que em tudo! Eu sou introvertida e observadora, então até uma ida a padaria pode virar pauta de texto. Amo acompanhar pessoas inspiradoras também, leio tudo sobre quem eu admiro.

 

Q. Quando eu penso em você, vem algumas coisas na minha mente. Revistas acho que são as imagens mais Ale Garattoni na minha memoria associativa. Eu sigo apaixonada por revistas, de moda, lifestyle, empreendedorismo, inovação, qualquer uma dessas categorias. Você ainda tem as suas revistas preferidas? 

Ainda amo revista, mas hoje em dia não compro mais tantas quanto comprava antigamente. Raramente leio revista no iPad, não me dá prazer. Das nacionais, a que eu ainda compro religiosamente todo mês é a Vogue. Também gosto bastante da Vida Simples, que tem textos ótimos. As outras eu compro pela capa e vou alternando. Chegava a ficar com uma pilha de meio metro na fila de leitura e esses excessos não cabem mais no meu estilo de vida hoje, por isso escolho mais.

 

Q. Alguma dica de onde comprar revistas em São Paulo e no Rio? 

Eu não sei o que aconteceu, mas desde 2016 as revistas importadas pararam de chegar por aqui como antes – um ou dois dias depois do lançamento internacional. Com isso, parei de comprar as importadas, porque eu até sou louca de pagar caro em tempos de alta do dólar, mas não para ter uma edição de dois meses atrás! Assinei a Vogue americana e a Porter inglesa, mas também leva em média um mês pra chegar e não pretendo nem renovar. Uma pena, sinto a maior falta! Com isso, não tenho mais minhas bancas e revistarias queridinhas pra indicar.

 

Q. Tem planos pra mais algum livro? 

Nada concreto, mas tenho vontade sim! Cheguei até a pensar em um ItGirls volume 2 para festejar a década da marca, mas tenho mais ideias do que tempo de desenvolver.

 

Q. Quais as pautas que você mais curte escrever? 

Aquelas que eu tenho/teria curiosidade de ler! Adoro e sinto falta daqueles perfis de meninas inspiradoras dos tempos do ItGirls, quando eu ia caçando nomes em expediente de revistas e saía em busca de informações sobre aquela pessoa. Como não havia redes sociais, a gente tinha bem menos acesso ao lifestyle delas.

 

Q. E quais blogs você segue? To falando de entrar no site mesmo, ler e quem sabe comentar. 

Eu adoro os que estão no meu Blogroll – amo blogroll, não sei por que esse hábito se perdeu entre blogueiros. Mas eu costumo ler pelo Feedly (leitor de feeds), então quem não disponibiliza a íntegra do texto por lá eu acabo vendo menos. Dois blogs brasileiros que eu adoro quando há post novo são o Bedside Notebook e o Living Gazette.

 

Q. Depois que você virou mãe, sentiu uma vontade de mudar a sua forma de trabalhar? 

Eu sempre tive essa inquietação de empreendedora, de fazer meus horários e ter flexibilidade. Trabalhei por vários anos em empregos fixos porque considero isso um pré-requisito para poder fazer a própria história, mas sempre foi meu desejo a tal carreira solo! Especialmente com filha pequeno, eu teria muita dificuldade em manter aquela rotina de horários e dedicação de redação, por exemplo. Quando MH tem febre minha vida para!

 

Q. Como é um dia típico pra você? 

Ter mais rotina é uma meta do momento pra mim! Hoje ainda não posso falar em dia típico!

 

Q. Quanto wellness é importante pra você? 

Tenho buscado mais o bem estar nos últimos tempos. Isso vem desde desacelerar (deletei até o Whatsapp!) até comer com mais consciência – cresci a base de Cheetos e cheesburger e não me orgulho! Ando flertando com conceitos da ayurveda e comecei a meditar. Ainda sou bem, bem, bem principiante em todas essas mudanças, mas sinto que é um caminho sem volta.

 

Q. Alguma dica de wellness pra compartilhar com a gente? 

Pensei em mil coisas, mas sinceramente nada no mundo substitui a mais básica e simples das dicas: beber muita água! Você sabia que é super comum que a pessoa tenha dores de cabeça por não beber água? Ela literalmente limpa tudo. Eu estou me disciplinando para incluir esse hábito de forma bem natural, porque era do tipo que passava semanas sem, só na Coca Cola, um absurdo!

 

Q. O que você mais curte na maternidade? 

O tal amor incondicional que a gente só conhece de verdade dessa forma. Mas ver essa fase de descobertas, de falas inesperadas e conquistas também tem sido uma delícia.

 

Q. E qual aquela verdade sincera sobre a maternidade? 

Você será sempre julgada, principalmente por outras mães. Então siga o seu instinto e os seus valores, porque se sua decisão – de parto, amamentação, escola, criação – nunca será unanimidade, que ela agrade 100% a você!

 

Q. Qual o livro da cabeceira? 

Tenho tantos! Mas dos mais recentes que li, Os Quatro Compromissos foi um que mudou muitas das minhas perspectivas.

 

Q. Melhor serie? 

Pra mim, nunca nada superou Sex and the City! Aliás nesse quesito, eu sou bem vintage: vejo todo mundo viciado falando sobre mil séries atuais e eu não conheço nenhuma. Quando quero assistir algo, fico revendo antigas, tipo Friends, Gossip Girl!


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