Work, Life, Balance questions: o que tem de errado perguntar isso?

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work life balanceDepois do Emmys desse ano me deparei com esse artigo do NY Times onde a jornalista acabava com a performance da Giuliana Rancic na cobertura do Red Carpet do evento. A Giuliana Rancic é uma repórter do E! Entertainment, canal de futilidades úteis americano que cobre todos os eventos de Red Carpet pra depois comentar os looks em outro programa que a Giuliana também aparece.

Há uns dois anos criaram uma campanha em Hollywood para incentivar os jornalistas a irem um pouco além das perguntas básicas sobre o look de cada atriz, a #AskHerMore. O incentivo é para entrevistar as atrizes sobre os papéis, responsabilidades e novidades do trabalho de cada uma. Até aí incrível e aqui tem algumas sugestões bem legais do que mais poderia ser perguntado para ir além do look do dia.

Todos os últimos eventos de premiação de Hollywood tiveram um lado esclarecedor sobre a diferença entre gêneros na indústria de entretenimento com as atrizes fazendo suas manifestações nos discursos e várias matérias falando do tópico que até pouco tempo desconhecido. As mulheres e as minorias estão ganhando voz e espaço para falar e ter direito pelas mesmas oportunidades nunca esteve tão próximo, mas ainda temos um caminho longo pela frente.

A questão que me incomoda profundamente nessas mudanças de comportamento da sociedade é que quando a novidade é tão grande ao ponto de que depende de algumas gerações para entender essas mudanças como naturais, as coisas demoram um pouco pra acontecer, e ninguém da o tempo necessário pra isso. De repente todos viram intolerantes ao que não é politicamente correto sendo que até dois meses atrás ninguém nem se dava conta se tava tudo errado ou não.

Durante o red carpet do Emmys, a Giuliana perguntou para algumas mulheres como elas conseguiam lidar com o trabalho, filhos, casa, marido e vida social. Desculpa gente, se vocês não querem saber como outras mulheres fazem eu quero. Vou descobrir e ser feliz sozinha. Qualquer mulher que é mãe e faz alguma outra coisa da vida, que seja cuidar da casa, trabalhar ou ter uma vida social, gostaria de trocar idéias com quem está no mesmo barco. Que seja pra dividir a culpa, porque ela sempre existirá.

Perguntas além dessas sempre serão bem vindas e perspicazes, mas não consigo enxergar o terror de perguntar "How do you balance?". E sinceramente, acho que isso deveria ser perguntado para os pais também e não tirado da lista de perguntas das mães. A geração dos pais de 30 anos tem outra postura com a paternidade. O meu marido encara uma fralda de cocô de madrugada muito melhor do que eu!

Em uma entrevista da Lelê Saddi com a Mônica Salgado, Editora da Glamour, elas falam exatamente sobre isso. Eu adotei essa resposta da Mônica pra minha vida:

Lelê: Profissional, esposa annnnd mãe! Seu filho Bernardo tem hoje 3 anos, certo? Como concilia a vida agitada entre carreira, um marido também do meio social e um filho pequeno?

Moni: A sensação que eu tenho é que eu não concilio... vivo um dia após o outro, senão piro. Mas tento ser só deles aos fins de semana.

Não posso comparar a minha situação de trabalho com a da Mônica. Eu praticamente ainda não saio de casa, os gêmeos tem só 4 meses. Mas trabalho daqui, saio pra fazer reunião e resolver coisas. Escolho uma coisa por dia para ser resolvida fora e meu dia rende infimamente menos. Mas mesmo assim minha vida não deixou de ser agitada e nem minha cabeça. Tenho a sensação que não vou parar nunca.

E aproveito pra levantar a bandeira de que a mesma publicação, a Glamour, adota duas posturas diferentes sobre essa mensagem. Eu sou mais a Glamour daqui com a Mônica no comando.

Para ler a entrevista completa clique aqui.

Para quem quer ler mais sobre "work and life balance" indico esse artigo maravilhoso da Anne Marie Slaughter - the first woman director of policy planning at the State Department - para a The Atlantic. E para ler outro post sobre Trabalhos, Filhos e Escolhas, clique aqui.

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