Como a experiência de fazer parte de um clube de cartas me ajudou a me conhecer melhor

Sobre um clube de cartas

Dizem que escrever é bom porque é uma maneira de se conhecer. Na era digital que estamos vivendo, a nostalgia de escrever uma carta vai te conectar profunda e verdadeiramente com alguém, mesmo estando longe.

Minha história com as cartas

Eu não consigo pensar e encontrar o motivo pela minha paixão por coisas escritas; sejam cartas, bilhetes, cartões, livros e revistas impressas, desde que eu era bem pequena até hoje. Por muito tempo colecionei bilhetes que eu trocava com minhas amigas em sala de aula. Dependendo do humor do dia, esses bilhetes viravam cartas de várias páginas.

Quando eu tinha 16 anos, meu namorado mudou de cidade e o relacionamento foi mantido a base de cartas. Que eu escrevia a mão, durante uma tarde inteira, e no auge da minha inocência, ainda decorava com meus adesivos preferidos. No fim da aula, indo a pé para casa, eu passava nos correios e postava as cartas. Esperava pela resposta e escrevia outra, mais uma chegava e mais outras eram enviadas.

Uma tia muito querida e dois primos que moravam em outro estado também eram alvo das minhas cartinhas. Um amigo que foi fazer intercâmbio nos EUA também recebeu alguns envelopes e cartões de aniversário e natal. Até mesmo a minha vizinha, que era uma das minhas melhores amigas, teve a surpresa de receber uma carta. Porque o motivo para mandar uma carta para alguém não é necessariamente a grande distância entre vocês.

Imagina receber uma carta e já no envelope ver o endereço escrito a mão. Vai te dar um friozinho na barriga. Só de saber que alguém separou um tempo to put pen to paper para escrever para você te torna muito especial e vai te deixar emocionado. É um presente!

london-quill-letters-club.png

O clube de cartas

Eu sou aficcionada por papelaria. Passo horas dentro delas, observando cada detalhe de cada produto. Um dos meus programas favoritos? Passar o dia inteiro dentro da Paperchase em Tottenham Court Road em Londres, que tem 3 andares de tudo que você pode imaginar sobre papel.

Esse vício em caderninhos e canetas me leva a pesquisar sempre por produtos novos. Eu morava em Amsterdam e com viagem marcada para Londres, descobri uma loja que eu ainda não conhecia: Quill London. Uma papelaria estilosa, minimalista chique que me conquistou em segundos. Ainda são especializados em artigos para caligrafia. Eu queria morar dentro do site deles.

Foi lá também que descobri o London Letters Club, um clube de cartas criado pela Quill London, com a intenção de reviver a arte de escrever a mão e de manter uma comunidade que escreve cartas. Fui levada imediatamente para os tempos de escola e revivi todos meus bilhetes e cartas trocados naquela época. Sem pensar muito, me inscrevi no London Letters Club.

Não precisa estar baseado em Londres, apesar dos encontros que eles fazem esporadicamente para reunir as pessoas que escrevem. Só precisei escrever um email dizendo que estava interessada em participar e depois de uma conversa, me sugeriram uma pessoa.

Voltando a escrever

Nos comunicamos primeiro por email, eu e minha nova pen pal e trocamos nossos endereços. Ela tinha a mesma idade que eu, morava em Londres e também tinha 2 filhos. A primeira carta foi ela que escreveu, da Suíça, onde estavam passando férias. Me contou sobre a faculdade, dos anos que morava em Londres, como a família foi crescendo. E mandou junto um cartão postal da cidade.

Fiquei super ansiosa para receber, confesso que conferi a caixinha de correio todo dia! Escrevi de volta, na mesma vibe, contando um pouco sobre mim e como vim parar na Holanda. Essa conversa infinita durou pouco mais de 1 ano quando me mudei de Amsterdam e ainda não atualizei meu endereço.

Coincidência ou não, na mesma época, comecei a escrever para uma amiga que fiz através do meu instagram. Ela mora nos EUA e correspondemos durante muito tempo também, até que ela começou um mestrado e precisava focar nos estudos.

Foi uma experiência muito construtiva. Parar para escrever para alguém demanda tempo, atenção, talvez até paciência. Você precisa organizar seus pensamentos, pensar no que escrever e dar uma ordem para as palavras. A medida que escreve, você vai descobrindo o que importa para você ou não, o que você mais gosta e quer compartilhar, o que não quer contar e quer deixar escondido. É um processo de se autoconhecer, que falei lá no começo do texto. É a melhor tradução do que é a palavra mindful, tão famosa hoje em dia.