Review: Girlboss, a nova serie da Netflix

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Eu já esperava que Girlboss, a nova serie da Netflix que conta a saga da Sophia Amoruso da Nasty Gal fosse bem infantilizada como eu acho que e o livro é. Eu adorei o livro, mais pelos insights que dão aquele empurrão pra você ir atrás do que quer e não pela saga de uma garota que a adolescência durou até os 30 anos e que não tem noções básicas de convivência com outros seres humanos. Alguns até podem usar a desculpa de que ela é uma millennial, e somo todos assim, mimados, perdidos e sacanas. Concordo, menos com a parte de ser sacana.

Um episódio do livro que ficou super conhecido, mais do que o fato dela ter virado um ícone no e-bay, é o tal do dumpster-diving (literalmente, mergulhar no lixo). Na série ficou bem claro que ela fez isso porque ela quis, porque é disruptive, e como talvez não tinha ninguém olhando na hora, ela precisava contar pra todo mundo. Na hora do almoço ela ta pegando comida no lixo e na hora do jantar vai em um restaurante fancy com o pai dela. Ela só queria ter a experiência porque ela tava borred. Achei ridículo.

Acho a Sophia forçada. Mesmo assim, eu adoro o #Girlboss Podcast, uma seria de entrevistas com mulheres empreendedoras bem bacanas que ela faz. As entrevistas são cheias de insights e diminuem aquela distância que existe entre nós e o sucesso de quem a gente admira. Não conhecemos o caminho das pessoas, elas só aparecem quando já chegaram lá e tudo parece tão fácil, mas impossível ao mesmo tempo. Esse é um dos meus catalisadores para a serie de entrevistas aqui do Lolla, a "Women Behind the Brand". Voltando à Sophia, em um dos podcasts, em algum momento ela tava se vangloriando de não fazer parte do time de pessoas que jogam tênis as 2pm de uma terça-feira, como se isso fosse uma coisa ruim. Mas em termos de alienação, que era o contexto, qual a diferença desse tipo de pessoa pra uma garota mimada que mergulha no lixo atrás de comida, só porque é cool?

Mas mesmo achando ela forçada, ela é um role model. Só por ser mulher e ter competido por dinheiro de investidores em São Francisco e ter conseguido, ela já chegou lá. Mesmo com o business dela não dando certo, o Nasty Gal pediu falência ano passado. O que me incomoda é toda uma glamourização de praticamente um personagem. Lembra que falo que ela é sacana? Então, todo esse movimento Girlboss, que hoje é o business atual da Sophia, é muito legal, impulsiona mulheres e garotas do mundo todo e dão aquela força no consciente coletivo para as meninas acreditarem que podem tudo e tal. Mas eu não acredito que essa seja uma paixão genuína dela, ajudar essas meninas que são "normais" como ela era. E sim porque é o que deve ser feito e é fácil pra ela, então parece fake. Digo isso porque em uma pesquisa rápida pelo Google você encontra vários artigos sobre como a Nasty Gal tem um ambiente de trabalho bem duvidoso e que essa postura disruptive e sacana da Sophia pode afundar um business. Eu adoro um site que divulga os reviews dos funcionários sobre as empresas, o Glassdoor, vale a pena dar uma olhada e comparar os reviews com a historia do Nasty Gal. Por isso penso nela como uma garota egoísta e mimada, mas super energética que realmente faz as coisas acontecerem.

Assisti os dois primeiros episódios da séria de 13. Esperava algo mais business forward como o "The Social Network" - o filme do Facebook. Todos os reviews que eu li foram mais negativos do que positivos, tanto da parte de produção e edição da serie quanto sobre a Sophia em si. Acho que é isso, ela é overrated. O que é fácil de entender. Uma garota que tem um business super cool, que trabalha com moda e internet e a imperadora do movimento "do what you love" somado a falta de role models com esse perfil e alcance, só sobra ela.