Seja mais generosa com você

Foi o conselho que recebi de uma amiga após presenteá-la com “um milhão” de mensagens no Whatsapp sobre um dos meus dias. 

Como eu tenho o bônus de ser sua paciente (muito obrigada por tudo, Dani!), meus relatos após um dia bem difícil recheado de dor no corpo, cansaço e falta de energia resultaram nesse conselho que, mesmo cheio de acolhimento e carinho, resultou em um verdadeiro soco no estômago para eu refletir mais em como eu estava cuidando... de mim!

Image credits: Sisters, Netflix

Image credits: Sisters, Netflix

Engraçado que num desses finais de semana de inverno brindados por noites de Netflix, eu descobri um seriado chamado “Sisters”. Resumidamente, até mesmo para instigar a curiosidade de vocês, 03 (três) mulheres de diferentes personalidades se descobrem irmãs por parte de pai. O que me chamou a atenção foi que uma das personagens, talvez a principal, é uma mulher que passou boa parte da sua vida se dedicando ao cuidado do outro e esqueceu as suas prioridades. Parece familiar para você?

Pois é, não me vejo dessa forma tão radical mas, sim, sou acolhedora para caramba com o outro, mas quando se trata de mim, eu tenho uma chibata interna de dar invejinha ao Christian Grey... e uso. Muito. Digamos que muito mais do que eu deveria. 

Às vezes, passa bem despercebido, mas lá na frente eu ganho o recibo com juros e correção monetária. Eu me cobro de forma exagerada e por mais que eu tenha um lado meio maroto de ser, a dona chibata está lá... me encarando onde quer que eu vá.

Peço desculpas se esse texto estiver com uma vibe menos leve, mas às vezes, é importante encarar certas situações sem aquelas cores que costumamos pintar e hoje eu resolvi contar sobre o que andei refletindo.

O mundo de hoje nos cobra muito. O ser mulher, profissional ambiciosa (no bom sentido, tá?), cuidar da casa, do casamento e da família nos cobra demais. Mas o quanto estamos deixando essa cobrança se sobrepor às nossas prioridades? 

Respondendo por mim, às vezes trabalhando mais de casa, eu sento na frente do computador e esqueço até do cafezinho tão amado (alerta máximo, certo?). Eu almoço em 15 minutos e correndo. Eu quero consumir o máximo de informação e produzir o máximo que eu puder. Talvez por não estar sempre no Escritório essa cobrança seja mais intensa. Cobrança apenas minha, ok?

Então vem a “ressaca”, a cabeça berra, o corpo berra, pedindo por uns minutinhos de trégua. E daí vem a culpa, como num grande looping que parece não terminar. 

Até que as palavras tão sábias da Dani entraram na minha vida. E eu passei a prestar mais atenção no meu ritmo, sem culpa. Comecei a planejar com mais carinho as minhas atividades diárias. Descobri um aplicativo de meditação (algumas vezes, ainda faço a lista do mercado, mas estou conseguindo desacelerar. Tks, God!). Me presenteio com alguma coisa bem legal no fim do dia, geralmente, uma nova série, um filme ou um chocolate (por que não?). E assim vamos nos organizando.

O que eu aprendi? Que nada sai do lugar. Que muitas pendências que consideramos tão, mas tão urgentes, na realidade, estão mais para o “bicho papão” que criamos. E, sim, a identificar o que é, de fato, urgente. 

Eu tenho a clara noção de que ainda “estou engatinhando”, que às vezes eu quase chego ao ponto de pegar aquela chibata, mas respiro, conto até dez e faço aquele sentimento virar purpurina. E sigo descobrindo novos blends de cafés no fim das minhas tardes. Um beijo e até a próxima!

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