Women behind the brand: Camila Gusmão, da Caleidoscópio

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A "Women behind the brand" da semana é uma amiga querida, que conheci pelas conexões da world wide web. Pode parecer estranho, mas tenho várias amigas que conheci assim, pelo Twitter e em blogs, há tipo 10 anos atrás. Era uma época que conteúdo era necessário para se ter um blog e criamos tipo uma comunidade com interesses em comum. Engraçado que acho uma das maneiras mais fáceis de saber se aquela pessoa clica com você observando os interesses delas na web, afinal aqui é um lugar onde a gente só faz o que quer, lê o que interessa pra gente e por aí vai (e posso falar que amo o fato de você estar aí lendo o Lolla, já dá pra saber que temos muito em comum ?). A Cami é de Recife, Pernambucana virada, multitarefas, interessada, antenada, super educada e que adora um bom drink. O tipo de pessoa que queria perto de mim todos os dias. Ela contou pra gente sobre o trabalho dela por trás da Caleidoscópio, uma boutique agency que já atendeu marcas poderosas e tradicionais de Recife, tipo a Dona Santa e o delicioso Bolo de Rolo, que eu tive o privilégio de conhecer toda a historia de pertinho com a família que fundou o business na minha ida a Recife.

 

Como você foi parar em PR?

 

Foi uma carreira que me escolheu e não o contrário. Tudo começou quando eu tinha 18 anos e me designaram para trabalhar no cerimonial do então governador do estado. Esta época foi uma verdadeira escola em como organizar eventos, fazer mailings, todo o passo a passo de criar um evento do zero com o mais alto padrão de exigência, dada a seriedade e importância das pessoas que lidávamos, autoridades nacionais e internacionais. Mas meu trabalho como PR hoje, na minha empresa, é algo pontual e voltado para alguns clientes bem específicos. Não aceitamos qualquer job na área.

 

Como conseguiu seus primeiros clientes?

 

Eu sempre fui muito empreendedora, nunca pensei que trabalharia para alguém por muito tempo. Mas quando eu ainda estava em um dos meus antigos empregos, uma amiga me pediu para prestar um serviço como freelancer pra ela e desde então nunca mais parei. Larguei o emprego pouco tempo depois e graças a recomendação dos clientes - que sempre foram minha maior propaganda - fui montando a minha empresa aos pouquinhos. Mas na verdade, o maior impulsionador do começo da minha carreira foi meu finado blog. Ele me fez ser vista por diversos clientes na época e me especializar em conteúdo para redes sociais quando muitas agências ainda engatinhavam nisso, quase 10 anos atrás. Por já estar no meio digital e trabalhar com conteúdo de moda, algumas empresas me procuraram para profissionalizar as mídias delas ou desenvolver ações personalizadas.

 

Porque você quis montar sua própria empresa?

 

Esse sempre foi meu maior sonho. Quando eu era pequena gostava de brincar que tinha meu escritório, montava tudo, passava recados pra minha secretária (que devia ser a boneca da Xuxa), agendava reuniões entre minhas Barbies. Acho que sempre fui meio “girl boss”. Nada foi forçado ou motivado apenas por questões financeiras ou algum idealismo qualquer. Eu sempre gostei de desenvolver muitas atividades ao mesmo tempo, nunca estou parada - sempre aprendendo algo novo ou tirando algum projeto do papel. Fui trabalhando freneticamente e as coisas foram acontecendo. Eu não idealizei algo na minha cabeça, investi e torci para que desse certo. Queria uma empresa que fosse um reflexo de quem eu sou: versátil, multiplataforma, que pudesse atender o nosso cliente de forma 360 graus. Hoje somos uma boutique agency que trabalha exatamente desta forma. Temos clientes de diversas áreas e atendemos quase tudo dentro da área de comunicação, que vai de redes sociais, assessoria de imprensa, PR, produção de eventos, design, criação de sites, fotos e vídeos. Raramente eu digo não para um cliente. Se ele tem um projeto diferente e confia em nós para realizá-lo, a gente vai e faz.

 

Tem algum lado ruim de trabalhar pra gente mesmo?

 

Não diria ruim, sempre vi a oportunidade de ter meu negócio como um privilégio que eu não troco por nada. Mas com isso vem muitos desafios sim, você acumula muitas responsabilidades e é bem difícil conciliar no dia-a-dia. Muitas vezes quem não está no seu lugar não faz ideia da quantidade de funções que é preciso desempenhar. Ninguém é "só" chefe e esse "só" já é muita coisa.

 

Conta algum momento disruptive da sua carreira.

 

Houve vários, porque adoro topar um desafio. Mas acho que foi quando acumulei a gestão da minha empresa durante 1 ano com um expediente como editora chefe de um portal de moda e cultura, que me trouxe muitas experiências maravilhosas e me fez sair bastante da minha zona de conforto.

 

Qual é a melhor e a pior parte da sua carreira?

 

A melhor é sentir a oportunidade de crescimento na sua mão. A pior é a pressão que vem com isso. Há dias bons e ruins.

 

Tem algum PR disaster que na hora você achou que ia morrer e que hoje virou uma historia cômica?

 

Quando trabalhava no serviço público rolava, porque infelizmente quando você lida com pessoas que estão nos holofotes, próximas ao povo e são “disputadas” por estarem no poder, imprevistos eventualmente acontecem. Desde que montei minha empresa graças a Deus nunca ocorreu porque no mundo corporativo com experiência e competência é bem mais difícil que algo saia do script.

 

Quais você acha que são as maiores gafes da indústria da moda, relacionado a PR?

 

Eu acho um fucking disaster (excuse my french) a organização dos seatings de desfile das semanas de moda nacionais. Não sei se é um problema efetivamente de mailing, de organizar na hora dos shows ou um pouco dos dois. O fato é que sempre tem gente a mais do que deveria nas salas de desfile e 95% das vezes aparecem profissionais das assessorias querendo espremer alguém num lugar que não existe na fila A. É muito chato tanto para quem já está sentado quanto pra quem tem um lugar teoricamente privilegiado e é empurrado num buraco minúsculo entre duas outras pessoas. Mas não gosto de julgar, às vezes as coisas tem uma razão de ser que fogem ao meu entendimento.

 

O que você diria pra quem entrar pra esse mundo?

 

Ame-o ou deixe-o.

 

A “Semana da Beauté” de Recife virou um evento de mega sucesso. O que você acha que foi o responsável por isso?

 

É muito difícil conceber um modelo de negócio que seja igualmente bom para o cliente e para o empresário. Parece simples, mas o que vemos por aí é que quase sempre alguém sai perdendo – ou o consumidor é ludibriado com falsas promoções. Com a Semana da Beauté atingimos o objetivo ideal: criamos pacotes de serviços que democratizam o acesso aos tratamentos de beleza e fazem o cliente economizar (nós exigimos um desconto real e monitoramos), ao mesmo tempo que criamos um aumento de demanda para os donos de salões e clínicas que movimentam seus estabelecimentos em períodos de baixa e ganham no volume de vendas.

Filme preferido?

 

Essa é a pergunta mais difícil pra mim, porque sou mega cinéfila. Cinema é meu maior hobby. Vou listar 3 que amo e posso ver mil vezes: O Poderoso Chefão (o primeiro), Clube da Luta, As Horas.

 

Drink favorito?

 

Moscow Mule.

 

Viagem favorita?

 

Qualquer uma com meu namorado e companheiro de aventuras.