Women behind the brand: Marina Costa, do Atelier Terra Rosa

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Me apaixonei pelo trabalho da Marina quando recebi o convite de casamento de uma amiga há anos atrás. Era uma ilustração de um campo, com alguma coisa em azul. Tão linda que ficou na minha memória pra sempre... E um dia o Instagram aproximou a gente (minha teoria que a world wide web é o conector mais real de pessoas com interesses em comum só se comprova) e fomos tomar um café no Benedito Brigadeiro, nossa brigaderia delícia em São Paulo. Eu pude conhecer o trabalho dela mais de pertinho, ganhei um calendário lindo e fiquei tentando convence-la de fazer alguns produtos especiais para o Lolla =) Quem sabe! Essa é a entrevista mais calma e leve do Lolla, e muito inspiradora. Mas de inspiração real, quando a gente conecta o que realmente importa, me peguei sem saber muito o que escrever, só sentir.

Uma amiga me apresentou para o seu trabalho há uns 6 anos atras, sou total secret admirer. Desde então, como você diria que ele evoluiu?

É a maior felicidade do mundo saber disso Rosa <3 Não sei se existiu exatamente uma evolução, acho que mais uma transformação, que foi muito ligada as próprias transformações que eu mesma passei desde que me tornei autônoma. Se olho para trás, já fiz um pouco de tudo, rs. Isso foi super importante naquela época, pois me fez aprender muito e também me conhecer. Aos poucos meu trabalho foi afunilando e se transformando em algo que eu realmente acredito, aquilo que me faz acordar feliz de manhã para fazer. Fui assumindo cada vez mais a delicadeza e o romantismo e deixando para trás o estilo mais voltado pra ilustração de moda de quando eu comecei.

Você se formou em que? E como se mantém atualizada?
Sou formada em Moda, pela faculdade Santa Marcelina. Não é muito distante do que faço hoje de certa forma, pois desenhei “até a mão cair” nestes 4 anos de faculdade, rs. Hoje em dia sigo pelo lado da experimentação pessoal, errando e testando coisas por conta própria. Gosto de colocar a mão na massa e testar diversas técnicas de várias áreas, pesquisando videos e tutoriais na internet – foi assim que eu aprendi caligrafia e também cartonagem (técnica usada para fazer caixas encapadas com tecido). Mas, não sou expert em nada disso. Prefiro a liberdade de fazer de tudo um pouco a me tornar muito boa em apenas uma coisa.

Você sempre teve habilidade pra desenhar? Acha que existe alguma chance pra quem é uma mão esquerda literalmente?
Óbvio que existe! O desenho tem duas características muito legais, e sobre as quais as pessoas normalmente tem concepções bem erradas a respeito: em primeiro lugar, desenho se aprende, não é dom. Vi muitas amigas na faculdade se tornarem ilustradoras maravilhosas, mesmo nunca tendo o desenho como forte. Praticar e treinar o olhar é o que faz com que a ponte entre aquilo que a gente imagina e o resultado que a gente quer, fique mais curta. É só isso!  A segunda coisa é que desenho é subjetivo! Ou seja, ele é sempre válido, qualquer que seja a sua forma, pois se trata de uma visão individual e não de uma verdade absoluta. A gente tende a achar que quanto mais fiel à ‘realidade' um desenho é, ‘melhor’ ele é. Até pode ser, de um ponto de vista técnico, mas o desenho é muito mais do que apenas isso, né?
Eu sempre desenhei, desde pequena, mas me considero uma eterna aprendiz no assunto, principalmente quando olho para ilustradoras maravilhosas como a Paola Saliby (uma amiga querida), para  Rebecca Green ou a Felicita Sala, das quais sou muito fã.
Onde você se inspira?
Na natureza, sempre. Nos últimos anos tenho me voltado cada vez mais para flores, plantas, bichos… Já houve uma época em que para me inspirar eu entrava exclusivamente  no Pinterest (que amo e uso até hoje, claro) mas o exercício de olhar para outros lugares tem me feito muito bem, até porque olhar para o mundo a nossa volta faz o trabalho ficar mais autêntico.
Como é seu processo criativo? O cliente te manda o briefing e aí "magic happens”? 
Mais ou menos isso, rs. Entre o briefing e começar a criar tem muita pesquisa, conversas, criação de moodboards… tudo isso direciona melhor o processo criativo. Quando sinto que entendi o rumo que devemos seguir para determinado projeto, é quando começo a criar, fazendo esboços, tendo ideias – nesse momento é bom considerar tudo, porque mesmo ideias mirabolantes podem dar certo! Em seguida vamos afunilando aquilo que se encaixa na visão que a pessoa quer até poder finalizar o projeto – seja a arte de um convite, cartão ou ilustração. Tem projetos que tem aquele momento mágico da ‘eureka!’, tem outros que se desenrolam mais organicamente. Mas é sempre um trabalho a quatro mãos e duas visões, que vão evoluindo aos pouquinhos e com o tempo. Não pode ser forçado.

Você já fez colaborações com marcas de lifestyle?
Ainda não, e o Lolla (espero) será a primeira! Eu tenho uma relação muito próxima com uma ‘fellow blogger’ sua, a Gabriella Magalhães, do Bedside Notebook. Já fiz muitas coisas para o blog e para ela, mas nada ainda de maneira comercial.

 

Como é seu dia a dia? Normalmente quem trabalha com criatividade não tem muita rotina, o que é uma delicia.
É verdade! Eu gosto da rotina, gosto de trabalhar de segunda a sexta mesmo não tendo chefe, mas gosto mais ainda da liberdade de poder quebrar isso de vez em quando. É preciso disciplina quando se trabalha em casa, mas eu me adaptei bem a esta questão. Normalmente prefiro ter manhãs mais calmas, tomo um longo café da manhã na varanda lendo um livro e só depois disso sento para trabalhar. Me centrar antes faz com que eu fique mais presente no que tenho que fazer em seguida. Entre a tarde e o começo da noite são meus momentos mais criativos, quando ‘the work gets done’. Quando o sol está se pondo (o que acontece bem na frente da minha janela) paro um pouco e vou ter um momento de respirar e agradecer. Depois volto a trabalhar até meu marido chegar em casa.
Esse, claro, é um dia ideal/normal. Mas tem as épocas em que eu tomo café na frente do computador, ou que não tenho nem finais de semana. Tem dias também que não me sinto bem para criar e aprendi a me permitir ter um dia inteiro de ‘down time’. Sempre vai variar, pois cada dia é um dia, mas acho que o equilíbrio nisso é o mais importante, no final das contas.
Qual trabalho que você mais gostou de fazer?
Que pergunta difícil! É quase como escolher um filho preferido, rs. Impossível! Cada trabalho teve seu encanto, mas acho que no geral eu acabo focando mais em como foi o processo dele do que qual foi o resultado. Alguns me ensinaram mais, foram processos mais complexos e desafiadores e até difíceis. Outros marcaram uma época… e outros eu simplesmente amo pela pessoa querida que o encomendou e que talvez tenha virado uma amiga. Aprendi com o tempo a tirar o melhor de todos os projetos. Sei que é uma visão meio Pollyanna, mas eu gosto de ver o propósito em tudo, o famoso ‘silver lining’.

Todo seu trabalho é sob encomenda? Você pensa em ter uma linha de produtos prontos?
Sim, hoje em dia tudo o que faço é sob encomenda. Mas existe a ideia de ter coisas prontas, em pequenas tiragens, como cartões de ‘obrigada’ , tags de presentes ou quadrinhos – como uma coleção limitada. Como faço tudo sozinha e à mão, mesmo produtos prontos não irão fugir da premissa do artesanal e handmade. Por isso também quero – e tenho que, por uma questão de tempo e produção – manter estes produtos disponíveis em pequenas quantidades. Meu intuito é manter a espontaneidade, a qualidade e a simplicidade, sempre.

E como andam suas aventuras na cozinha? Adoro as fotos dos seus bolos! 

Ah, eu adoro cozinhar e adoro fazer bolos! E preciso fazer um para você experimentar! Com duas avós, tia e mãe cozinheiras de mão cheia, seria até estranho se não seguisse por esse lado. Ainda assim, dificilmente faço pratos típicos da família (tenho descendência libanesa e italiana, então é tudo muito farto e um pouco pesado para o dia-a-dia, rs). Gosto de comprar verduras e legumes frescos toda semana, e ao longo dos dias ir descobrindo receitas para fazer – Rita Lobo é a musa maior neste ponto. Ensopados, cozidos e sopas (confort food, em geral) são meus prediletos. Mas confesso: ando super sem tempo para isso. Não tem jeito, cada fase da vida requer uma coisa. Logo logo eu volto a me divertir na cozinha!