Como estão os nossos hábitos de consumo? Reflexão pós Fashion Revolution Week

Foto: Reprodução

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by Fernanda Juliano da Silva

Em 2018, produzi meu TCC sobre moda e sustentabilidade com mais duas amigas. Recebemos a nota máxima (mesmo tendo professores torcendo o nariz quando chegamos com o tema) e mais do que isso, aprendemos muito. Na semana do Fashion Revolution, que aconteceu de 22 a 26 de abril, ocorreram vários encontros, oficinas e muito bate-papo sobre moda sustentável e consumo, e eu, fui convidada a participar de uma roda de conversa com estudantes de moda. Com meu olhar jornalístico sobre a coisa, passei muita informação e também recebi. E como é bom debater sobre um assunto de extrema importância: o consumo consciente. 

Mas será que isso também está sendo discutido entre as amigas que se reúnem para a cerveja no fim do expediente? E entre a manicure e sua cliente? Entre as garotas que correm juntas no parque? No grupão de mães no WhatsApp? Em casa, de pais para filhos? Nos stories do Instagram? Temos parado para pensar nesse assunto ou estamos vivendo – e comprando – no automático?

A Rosa levantou questões importantes sobre o consumo visceral no texto “O que alugar uma bolsa diz sobre você” – e vale muito a leitura –. Eu nunca fui uma compradora compulsiva, mas preferia comprar 5 peças muito baratas do que pagar um pouco mais caro em uma peça que iria durar ou que tivesse uma história inspiradora por trás. Nunca me preocupei com a matéria-prima de uma peça, muito menos com a mão de obra e com a história de quem está vendendo. Era só comprar para estar na moda ou comprar por conta do preço muito baixo.

Mas ainda bem que a gente evolui. Thanks God. Me aprofundei muito no assunto moda sustentável e consciente por conta do trabalho de conclusão de curso e eu sou extremamente grata porque, hoje, consigo pensar e agir diferente. Sigo apaixonada por moda, por usar peças legais, mas entendi mais sobre quem eu sou, o que faz sentido para mim e como o meu consumo impacta na minha vida e no mundo – já que não temos um planeta B, então é preciso aprender a cuidar desse aqui –. Tenho comprado mais de brechós, compro e indico (sou uma influencer de 1060 seguidores, oras bolas rsrs) produtores locais, no dia a dia fiz a troca de canudos e copos plásticos, pelos reutilizáveis, tento não usar as sacolas de supermercado, converso com as pessoas sobre o tema e, assim, vivo em constante mudança, para melhor, eu espero.

Uma vez eu ouvi de um jornalista crítico fashion uma frase que me marcou: “a moda nunca vai ser 100% sustentável, até porque, esse não é o papel dela, mas precisamos tentar amenizar o impacto ambiental que é causado”, e ele tem razão.  Se a gente entende que comprar com propósito, de quem faz, de quem revende com objetivo definido, de quem sabe o que faz e faz com amor, nós ajudamos a nós mesmos e aos outros. 

E você, já parou para pensar como tem sido seu consumo, na moda, na gastronomia, na vida? Vamos conversar sobre!

by Fernanda Juliano da Silva