Thoughts on Paris Fashion Week: are blogs coming back?

Photos by    Simon Chetrit

Photos by Simon Chetrit

A temporada de moda desse semestre de 2019 que acabou agora me deixou nostálgica e pensativa.

Não muito tempo atrás, na época empolgante dos blogs de moda, acompanhar os desfiles era como participar de uma festa que você não foi convidada, mas alguém tinha distribuído uma senha para a área vip dos telespectadores. Todo mundo tinha acesso ao conteúdo que as blogueiras que estavam explodindo na época e dividindo o espaço com os editores de moda criavam, mas o interesse ainda era dominado por pouco que ficavam ali naquele meio acompanhado e trocando ideias sobre as matérias que liam. Isso deve ter durado uns dois semestres e era a coisa mais divertida do mundo, praticamente um descoberta de um universo paralelo.

Passado o frisson, o showoff começou a ser maior que a curiosidade, até das próprias blogueiras e veio um período de crítica que perdura e questiona o papel dos fashion bloggers na indústria até hoje. A maior crítica é que elas (as blogueiras) se limitavam a ditar o que estavam vendo nas passarelas, sem nenhuma bagagem e repertório formal de história da moda, cultura e um currículo de jornalista na parede. Lembro de dois episódios polêmicos da época:

Tavi Gevinson e seu laço gigante no desfile da Dior

Alguém lembra do episódio do laço gigante na cabeça da Tavi Gavinson, na época uma blogueira precoce de 13 anos, que ofuscou a presença e a visão de editores de moda no desfile da Dior que ficaram revoltados com aquela cena, que de forma indireta era um alerta sobre o emprego deles? Tavi virou atriz e editora, e comandou a Rookie, uma revista digital de conteúdo de moda desde o colégio.

Ano passado, Tavi anunciou o fim da Rookie. Na última editor’s letter da Rookie, Tavi explicou porque fechou a Rookie. Pela visão da Tavi, manter um bom conteúdo é incompatível com o que a internet pede hoje e como ela gera engajamento (grande parte por clickbaits). A Rookie era uma revista para millennials, e era um ambiente em que garotas jovens poderiam se sentir confortáveis em sua awkwardness. Fico pensando na sensação que é saber que grandes marcas e potenciais anunciantes não estão nem aí para oferecer algo de qualidade para essas garotas. Ou será que são essas garotas que não estão consumindo conteúdo de qualidade o suficiente para justificar o investimento dos anunciantes? Eu vi isso como um fechamento de um ciclo. Os editores de moda que criticaram a Tavi lá atrás, tinham a mesma preocupação que ela, buscavam validez, profundidade e qualidade. Eles se sentiram ameaçados e a Rookie fechou pela comprovação que conteúdo bom, para millennials (que não tem dinheiro para consumir) é uma equação difícil de sustentar. E ela não quis aderir a algumas saídas mais comerciais para evitar o fechamento da revista. É válido e nobre, mas não funciona no mundo do business escalonável.

The Circus of Fashion - quando a Susy Menkes, editora da Vogue International, escreveu uma matéria para o NY Times criticando fervorosamente o show que bloggers e fotógrafos fazem do lado de fora dos desfiles.

Isso sempre me pareceu estranho. Ir para a temporada de desfiles de moda e o propósito principal é levar uma quantidade pornográfica de malas com opções de uns três looks por dia para ser fotografada o maior número de vezes possível para colocar uma foto no Instagram.

Isso não tem nada a ver com moda, no sentido histórico da palavra e no meu senso comum. Tem a ver com oportunidade e fama. A moda foi o veículo que proporcionou tudo isso, por ser efêmera, consumível e disponível a todo mundo por causa das fast fashions.

Jornalistas do mundo inteiro questionaram seus diplomas e suas profissões. Afinal, é preciso autoridade no assunto para criticar um desfile? A moda sempre sofreu preconceito dentro do universo do próprio jornalismo. Talvez essa invertida e posse da fala sobre moda pelos outsiders só confirmou que esse preconceito poderia ter fundamento. Eu sigo discordando, o problema aqui é que, pela moda hoje ser no fim das contas, o look do dia, qualquer pessoa que compra roupa e tem um celular usa o próprio Instagram como veículo para disseminar conhecimento sobre "moda", contaminando a timeline alheia com posts descritivos

  • red belt @oldceline, camiseta branca @calvinklein jeans @reformation #ootd - looks familiar?

Quoting Susy Menkes "There is a genuine difference between the stylish and the showoffs — and that is the current dilemma.” - Esse artigo dela é de 2013 e ele se mantém surpreendentemente atual.

O buzz em torno do Scott Schuman (fotógrafo de street style que a Susy critica no texto e ex lover da Garance Doré) e do street style não empolga mais, mas usar looks com alto potencial fotográfico e descrever o que a foto está mostrando continua sendo o normal no comportamento de quem sempre fez parte desse ambiente pelo showoff e nunca pelo verdadeiro “love of fashion”. Eu acredito que gostar de comprar roupa não é gostar de moda, é outra coisa. Faço um paralelo com dinheiro. Gostar de dinheiro é uma coisa, gostar das coisas que o dinheiro pode comprar é outra coisa, faz sentido? Meu marido usa isso para deixar claro a posição dele (e a minha) quanto a dinheiro X compras.

Eu lembro que a Leandra Medine, do Man Repeller, escreveu um texto no site dela como uma resposta à Susy, mas não está mais lá. Eu acredito que a Leandra deve ser uma das poucas fashion bloggers que Susy respeita. Susy é esperta, imagino que ela saiba reconhecer alguém esperta como ela fazendo um bom trabalho. De certa forma ela precisou defender a classe das bloggers, mas ela sempre teve outro papel nesse mundo efêmero e nunca fez o script e eu realmente acredito que Leandra packs light.

SOMETHING IS OFF

Mas algo estranho aconteceu nesse temporada de desfiles de Paris. No stories de uma editora de moda brasileira que eu adoro, li ali a descrição dos looks do desfile da Chanel, com toda a sua dose de emoção por ser o último desfile de Karl Lagerfeld. Sabe quando alguém posta uma foto e não tem criatividade para a legenda mas não quer deixar de postar e a pessoa dita o que a foto está mostrando? Foi isso.

Dias depois, li um texto, de uma outra editora de moda, questionando porque ela estava ali, trabalhando para uma publicação, se perguntando quem iria ler aquele conteúdo, a quem interessa mais este tipo de conteúdo com a crise das revistas, etc. Foi como um soco no estômago.

Saindo do mesmo desfile, vi o stories de uma blogueira brasileira que eu adoro desde a época dos blogs nostálgicos, e ela fez comentários sobre o desfile da Chanel que vinham do coração. Ela disse coisas que só quem estava lá poderia saber, ver, sentir. Ela não queria ir embora, ela curtiu aquele momento como a lucky girl que ela é. E vale dizer que ela passou o dia com um look só, como uma pessoa normal que estava lá trabalhando, correndo para conseguir ir a todos os compromissos do dia.

I couldn’t help but wonder… estariam os blogs e bloggers (bons de fato) de moda e lifestyle tendo um come back? Mantendo um conteúdo genuíno, usando palavras que saem do coração e felizes por fazerem parte disso?