Giving thanks and other thoughts about resilience, motherhood, and a kale salad

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by Toti Reider, founder Spoonful

*a versão traduzida em português está abaixo


What do Carol Dwek, acclaimed author of the book “mindset”, Tony Robbins, one of the world’s top life strategist and the Japanese concept of “kintsugi” (a.k.a. golden repair) have in common? They all explore resilience and the human experience.  As Robbins says “our worst challenges, our worst problems, our worst failures – for those who don’t give up- they give you insights”.  Setbacks, (either real or perceived) have the ability to transform us, help us grow and evolve, I call them growing pains. 

As a parent of three boys, I find Dr. Dweck’s advice indispensable, "If parents want to give their children a gift, the best thing they can do is to teach their children to love challenges, be intrigued by mistakes, enjoy effort, and keep on learning. That way, their children don’t have to be slaves of praise. They will have a lifelong way to build and repair their own confidence." Which brings us to the japanese art of kintsugi, whereby broken pottery is repaired with lacquer dusted or mixed with powdered gold, silver or platinum. Here ‘the act of repair, honors breakage as part of the history of an object.’ It does not disguise or hide the breaks, the knocks, the shattering to which ceramics as well as humans are both subject to.  The repair is poetically and beautifully highlighted in gold.   Dr. Dweck, Tony and the concept of kintsugi all highlight, how human suffering, set backs, difficulties in life can be our best teachers and our greatest asset.  

Overcoming these hardships or knocks of life is the secret in the sauce. This January, I am thankful for all the beauty and bumps along the way that got me to today. Looking back, I can now appreciating the good, the bad and everything in between. 

Having grown up moving homes and countries quite a bit between Costa Rica and Nicaragua, then onto college in Boston, and New York City for work, I always considered my adaptability skills above average. During my early thirties, nothing could have prepared me for the seismic shifts coming my way, which involved becoming a mom, a move to Brazil, among other changes.  Having spent my twenties in what can only be described as a hedonistic, blissful, “hakuna matata” period in my favorite city (NYC), surrounded by childhood friends and close new friends that became my tribe, my family.  I could not foresee the abrupt pendulum swing about to take place. 

January 2012, on a crisp winter day, our first son was born. Mathias, the most beautiful creature with kind eyes the shape of almonds, I had ever seen, and a sweet and gentle demeanor. He rocked our world in so many ways. Nothing can really prepare you for the enormity and seismic shift that is motherhood.  Having my self-worth to directly tied to my “accomplishments” my whole pre-mom life, and suddenly finding myself in a new continent only three months into my new role, not speaking a word of Portuguese. Losing my support system so suddenly was akin to having the rug quite literally pulled from under my feet. I have never felt quite so isolated, which being a new mom already is, add to that all the rest. I was in over my head, most likely in the throes of post partum depression (so widely talked about now) and I did not know where to begin. 

Slowly, very, very, very, slowly, one foot in front of the other, I began to crawl out of the hole. I turned to the one thing in my toolkit that had always served me and is universally our big connector - food. Cooking and sharing meals with friends has always been one of my greatest joys and how I build a sense of family, of place, of rootedness, of connection. 

When I first arrived in São Paulo, one of the things I really missed from my local Wholefoods in Tribeca was kale (not exactly couve, I different variety). I know, you can label me all you want, but this kale salad recipe, is not just good for you, it is absolutely delicious. 

On thanksgiving day in the US a favorite holiday of mine, where we gather around food with friends and family to give thanks or as you call it in Brazil any given Sunday this salad is always present. Looking back, I am wholeheartedly thankful for my ‘breaks and knocks’, and to beautiful Brazil, that has given so much and then some, I can now find Couve “kale” orgânica at Casa Santa Luzia. Full circle stuff. 

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Kale Salad Recipe (adapted from New York Time, Melissa Clark)

Serves 2 – 4

Ingredients 

1 bunch couve “kale” (original recipe calls for lacinto kale)

½ garlic clove

¼ cup finely grated pecorino or parmesan cheese 

¼ teaspoon salt

50 ml extra-virgin olive oil

50 ml freshly squeezed juice of one lemon or lime 

1/8 teaspoon red pepper flakes (pimento calabresa ou dedo de moca) *optional

salt and pepper to taste

1 handful of pomegranate seeds for garnish

1 handful of toasted panko (you can use breadcrumbs of any kind, I usually omit them) 

Preparation

Remove the stem from the center of the kale leaves (not just the ends) and discard. Slice into very thin ribbons (chiffonade). Place the kale in a large bowl. If using the bread, toast it until golden brown. 

Using a mortar and pestle or simply the back of your knife, pound or mince the garlic and 1/4 teaspoon of salt into a paste. Transfer the garlic to a small bowl. Add the cheese, oil, lemon juice, pinch of salt, pepper flakes, and black pepper and whisk to combine. Pour the dressing over the kale and massage very well (this is the secret to good kale salad, it needs a little massage to start breaking down the very fibrous kale leaves. Let the salad sit for 5 minutes, then serve topped with the bread crumbs (if using), additional cheese, a drizzle of oil and pomegranate seeds. 


(Versão em Portugues)

Agradecimentos e outros pensamentos sobre resiliência, maternidade e salada de couve – por spoonful

O que a Carol Dweck, aclamada autora do livro “mindset”, Tony Robbins, um dos maiores estrategistas do mundo e o conceito japonês “kintsugi” (também conhecido por Golden repair – a arte de concertar cerâmica quebrada) tem em comum? Todos eles exploram a resiliência e a experiência humana. Como Robbins diz “nossos maiores desafios, nossos piores problemas, nossas piores derrotas – para aqueles que não desistem – nos devolvem insights”.  Contratempos (sejam eles reais ou percebidos), tem a habilidade de nos transformar, nos ajudar a crescer e evoluir, eu os chamo de “dores de crescimento”.

Como mãe de três meninos, acho o conselho do Dr. Dweck indispensável, “Se os pais quiserem dar a seus filhos um presente, o melhor que podem fazer é ensiná-los a amar desafios, se intrigarem por erros, aproveitar os esforços, e continuar aprendendo. Desta forma, seus filhos não ficarão reféns de elogios. Eles terão uma forma vitalícia de construir e reparar sua própria confiança”. O que nos traz à arte japonesa de kintsugi, onde cerâmica quebrada é concertada com pó de laca ou por uma mistura de ouro, prata ou platina em pó. Aqui ‘a arte de reparar, honra a quebra como parte da história de um objeto’¹. Não distingue ou esconde essa quebra, batidas, estilhaço dos quais tanto as cerâmicas quanto os humanos estão sujeitos. O concerto é poeticamente e lindamente realçado em ouro². Dr. Dweck, Tony e o conceito do kintsugi enfatizam como o sofrimento humano, contratempos e dificuldades da vida podem ser nossos melhores professores e nossos maiores patrimônios.

Superar estas dificuldades ou tropeços da vida é o segredo. Nesse mês de janeiro, sou grata por toda a beleza e solavancos ao longo do caminho que me trouxeram ao dia de hoje. Olhando para trás, eu consigo apreciar as coisas boas, ruins e tudo que aconteceu no meio disso.

Crescer mudando bastante de casas e países entre a Costa Rica e Nicarágua, depois para a universidade em Boston, Nova Iorque à trabalho, eu sempre considerei a minha capacidade de adaptação acima da média. Nos meus trinta e poucos anos, nada poderia ter me preparado para todas as mudanças que apareceriam na minha vida, que incluíram me tornar mãe, mudar para o Brasil, dentre outras mudanças. Tendo passado os meus vinte anos vivendo com base no hedonismo, feliz, num período “hakuna matata” na minha cidade preferida (Nova Iorque), rodeada de amigos de infância e novos amigos próximos que se tornaram minha tribo, minha família. Eu não tinha como prever a bruta bola de demolição que estava prestes a chegar.

Em janeiro de 2012, num dia frio de inverno, nosso primeiro filho nasceu. Mathias, a criatura mais linda, com os olhos de amêndoa mais doces que já havia visto, e com o comportamento doce e gentil. Ele abalou nosso mundo de tantas formas. Nada pode nos preparar de verdade para a enormidade e sísmica mudança que é a maternidade. Tendo o meu valor diretamente ligado às minhas “conquistas” da vida pré-maternidade, e de repente me encontrar num novo continente apenas três meses neste novo papel, sem falar uma única palavra em português. Perdendo toda a minha rede de suporte tão repentinamente, senti o mesmo que se tivessem puxado o tapete de baixo dos meus pés. Eu nunca havia me sentido tão isolada, o que ser uma nova mãe já nos faz sentir, somado a todo resto. Eu estava colocando os pés pelas mãos, provavelmente sofrendo de depressão pós-parto (tão falado hoje em dia) e eu não sabia por onde começar.

Devagar, bem, bem, bem devagar, um pé na frente do outro, eu comecei a engatinhar para fora do buraco. Eu me voltei à minha única ferramenta que sempre me serviu e tido como nosso grande conector – a comida. Cozinhar e compartilhar refeições com amigos sempre foi um dos meus maiores prazeres e foi como construí o meu senso de família, espaço, enraizamento e conexão.

Logo que eu cheguei em São Paulo, uma das coisas que mais senti falta do meu supermercado de produtos naturais – Wholefoods, no bairro Tribeca, foi da couve (não era exatamente a couve, mas uma variedade dela). Eu sei que vocês podem me rotular como quiserem, mas essa receita de salada de couve não é só boa para você, mas é absolutamente deliciosa.

No dia de Ação de Graça nos Estados Unidos, o meu feriado preferido, quando nos juntamos ao redor da comida com amigos e familiares para agradecer, ou o que no Brasil pode ser considerado um domingo qualquer, essa salada está sempre presente. Olhando para trás, eu sou grata de todo coração pelas minhas rachaduras e batidas, e pelo lindo Brasil, que tem me dado tanto, e por agora poder encontrar a minha couve orgânica na Casa Santa Luzia. Ciclo completo.


RECEITA

Salada de Couve - (adaptado do New York Time, Melissa Clark)

Porções 2 – 4

Ingredientes

1 maço de couve (“lacinto kale”)

½ dente de alho

¼ xícara de queijo parmesão finamente ralado

¼ colher de chá de sal

50ml de azeite de oliva extra virgem

50ml suco fresco de limão ou lima

1/8 colher de chá de flocos de pimenta vermelha (pimenta calabresa ou dedo de moça) *opcional

Sal e pimenta a gosto

1 punhado de sementes de romã para enfeitar

1 punhado de pão de qualquer tipo (eu normalmente o omito)

Preparação

Remova haste do centro das folhas da couve (não apenas o final) e descarte. Corte em fatias bem finas. Coloque a couve numa tigela grande. Se for usar o pão, tostar até ficar dourado/marrom.

Usando um pilão ou o cabo da faca, pique o dente de alho e misture com ¼ de colher de chá de sal, formando uma pasta. Transfira o alho para uma tigela pequena. Adicione o queijo, azeite, suco de limão, pitada de sal, flocos de pimenta, e bata para misturar. Coloque o molho por cima da couve e massageie muito bem (esse é o segredo de uma boa salada de couve, precisa ser massageada para começar a quebrar em folhas de couve fibrosas). Deixe a salada descansar por cinco minutos, e sirva junto ao pão (se estiver usando), adicione queijo, um fio de azeite e as sementes de romã.

Credits

Photos: Madelaine Seagram, from @dailyplates

Translation: Daphne Zaborowsky Franco











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